21 de maio de 2026

João Campos e a dinâmica política da capital pernambucana, por Priscila Lapa e Sandro Prado

A narrativa de continuidade do legado político de Eduardo Campos e de Miguel Arraes, foi habilmente utilizada por João Campos
Foto Edson Holanda

A construção de um líder: João Campos e a dinâmica política da capital pernambucana

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por Priscila Lapa e Sandro Prado

Mesmo antes da divulgação dos primeiros números das pesquisas de opinião pública, a percepção predominante no eleitorado recifense era de reconhecimento à força do candidato João Campos (PSB), atual prefeito, pela sua capacidade de reunir multidões em cada ato público da sua gestão ou pela sua popularidade digital. Esse cenário, no entanto, não é fruto do acaso, mas de uma trajetória política cuidadosamente construída e sustentada por fatores que merecem análise aprofundada.

De acordo com pesquisa Datafolha divulgada no dia 29 de agosto, a aprovação do governo Campos se mantém em torno de 70%. Sete em cada dez (70%) eleitores avaliam a gestão como ótima ou boa (eram 69% em julho); 25% avaliam como regular (eram 24%) e 4% como ruim ou péssima (eram 6%). A pesquisa Genial Quaest publicada em 28 de agosto aponta que 80% dos recifenses avaliam o governo de João Campos como positivo, ante 3% que o julgam negativo; 16% o classificam como regular e 1% não soube responder.

A alta aprovação do governo ocorre em diversos segmentos do eleitorado, com destaque para o sexo feminino (83% ante 75% do sexo masculino) e na faixa etária entre 35 e 59 anos (82%, ante 79% entre eleitores com idades entre 16 e 34 anos e 77% entre os que têm 60 anos ou mais).

Algumas características da cena política local, além de atributos ligados à personalidade do prefeito, podem explicar essa avaliação que, até o momento, coincide com os percentuais de intenção de votos das pesquisas de opinião. De acordo com a Genial Quaest, João Campos lidera a disputa para a prefeitura do Recife com 80% das intenções de voto. Em segundo lugar, há um empate técnico entre Gilson Machado (PL), com 6%, e Daniel Coelho(PDS), com 5%. Dani Portela(PSOL) registrou 1%.

Percentuais semelhantes foram apresentados pela Datafolha: João Campos aparece com 76%; Gilson Machado, com 6%; Daniel Coelho, com 5%; Dani Portela, com 3%, e Tecio Teles (Novo), com 1%.

Vale salientar que esses dados fotografam um cenário após o início da campanha de rua, que representa a oportunidade para os candidatos circularem pela cidade e se apresentarem aos eleitores, o que pode impactar positivamente os postulantes menos conhecidos.

João Campos demonstrou desde cedo uma habilidade significativa para a comunicação política. Durante sua campanha para a prefeitura em 2020, ele soube explorar as redes sociais de forma estratégica, potencializando sua imagem junto ao eleitorado jovem. A narrativa de continuidade do legado político de seu pai, Eduardo Campos, e de seu avô, Miguel Arraes, foi habilmente utilizada para gerar uma conexão emocional com os eleitores mais antigos.  Ao mesmo tempo, sua postura moderna e dinâmica atraiu novos segmentos de eleitores.

A comunicação de João vai além do digital. Em eventos públicos, sua capacidade de oratória, aliada à clareza na exposição de ideias e propostas, fortaleceu sua imagem de líder acessível e engajado com as demandas da população. Essa habilidade comunicativa não apenas garantiu sua vitória em 2020, como também tem sido um dos pilares que sustentam sua elevada popularidade ao longo do mandato.

A conexão de Campos com os eleitores recifenses se constrói tanto por meio de suas raízes políticas quanto por suas ações durante a gestão. Como prefeito, ele tem investido em uma série de políticas públicas voltadas para a inclusão social e o desenvolvimento urbano, reforçando a percepção de um governo próximo às necessidades reais da população.

Um dos fatores que têm contribuído para a trajetória de sucesso de João Campos é a relativa apatia da oposição. Apesar de existir um conjunto de forças políticas que poderiam se contrapor ao atual prefeito, a falta de uma liderança coesa e de um discurso unificado entre os opositores têm permitido a Campos avançar e se consolidar nas pesquisas eleitorais sem grandes resistências.

Ao longo do mandato, essa pujança da gestão Campos se refletiu no aumento paulatino da sua bancada na Câmara do Recife. Em março deste ano, 31 dos 39 vereadores faziam parte da base de apoio do prefeito. Essa apatia oposicionista se traduz em uma baixa capacidade de mobilização das bases e na ausência de propostas concretas que possam ser vistas como alternativas viáveis à atual gestão.

Com o início dos programas na rádio e na televisão, há expectativas de um maior aquecimento dos debates eleitorais, uma vez que as pessoas que ainda não entraram no clima da campanha poderão ser acionadas pelas mensagens veiculadas pelos partidos. Mas ainda neste item, a vantagem do prefeito se revela: ele dispõe do maior tempo (4 minutos e 45 segundos), enquanto Daniel Coelho tem 2 minutos e 39 segundos; Gilson Machado, 2 minutos e 5 segundos; e Dani Portela, 30 segundos. Com o distanciamento nas intenções de voto, a oposição irá apostar todas as fichas nessas veiculações, a fim de criar novos fatos que possam resvalar na vantagem do prefeito. 

Priscila Lapa é jornalista e doutora em Ciência Política (lapapriscila@gmail.com)

Sandro Prado é economista e professor da FCAP-UPE (sandro.virgilio@upe.br).

Este artigo é parte das análises produzidas pelo Observatório das Eleições 2024, iniciativa do Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação (INCT IDDC).

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Observatório das Eleições

Observatório das Eleições é uma iniciativa do Instituto da Democracia e Democratização da Comunicação. Sediado na UFMG, conta com a participação de grupos de pesquisa de várias universidades brasileiras.

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