15 de junho de 2026

A hora de Lula pensar em políticas não paternalistas, por Luís Nassif

O momento atual exige a consolidação de uma cultura política de fortalecimento da união dos pequenos empreendedores.
A moça tecelã - Site contadoresdestorias.wordpress.com

Vamos juntar os pontos.

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  1. Quando há um aquecimento do mercado de trabalho, os primeiros beneficiários são os trabalhadores autônomos. Os efeitos da melhora se manifestam imediatamente, enquanto os celetistas dependem de dissídios salariais e das dificuldades das empresas empregadoras com o custo do dinheiro e dos tributos.
  2. Quando o mercado desaquece, os celetistas são mais protegidos aí, mas em um modelo de proteção que vem sendo desmontado, tijolo a tijolo, pelo Supremo Tribunal Federal. E o desemprego é compensado pelo trabalho em aplicativos.
  3. Ao mesmo tempo, o discurso do empreendedorismo individual, trazido especialmente por ramos influentes das religiões evangélicas, ganhou corações e mentes da população de baixa renda, muitas vezes glamurizando até o bico.

Esses fatores desenham um novo quadro político para o país, que Lula não está sendo capaz de compreender.

As políticas sociais perderam força política. Em parte, porque já são tratados como direito assegurado. Em parte porque a crise fiscal, os limites impostos pelo torniquete das metas inflacionárias, impedem qualquer aumento substancial das benesses. Finalmente, porque é hora de se dar um passo à frente das políticas paternalistas, essenciais no estágio inicial de combate à fome.

O momento atual exige a consolidação de uma cultura política de fortalecimento da união dos pequenos empreendedores. O país tem todos os elementos à mão. Tem o mais difícil: a existência de organizações de pequenos espalhadas por todo o país, de cooperativas a Associações Comerciais, Movimento dos Sem Terra, sistema S.

Tem bancos públicos com linhas de financiamento para os pequenos, do BNDES aos trabalhos históricos do Banco do Nordeste do Brasil.

Tem as novas ferramentas tecnológicos integrando empresas de todo o país. Um dos grandes esforços dos Centros de Indústria, seja na Confederação Nacional da Indústria ou nas federações estaduais, tem sido a ampliação da digitalização das pequenas empresas.

O próprio Estado brasileiro avançou em ótimos sistemas digitais, não apenas facilitando serviços das PMEs, mas permitindo ao governo trabalhar suas bases de dados.

Esses são os novos atores do desenvolvimento, capazes de permitir um salto no mercado interno, na geração de riqueza, no desenvolvimento do empreendedorismo saudável.

E há lideranças em todo o espectro político para montar essa frente, de Guilherme Afif Domingos, pela direita, a João Pedro Stédile, pela esquerda.

É hora de montar grupos de trabalho para discutir a inserção das PMEs na Nova Indústria Brasil, nos modelos de garantia de crédito, nos arranjos produtivos locais e digitais, nos grupos de compra do pequeno comércio.

A bola está quicando na área para Lula chutar. 

O sindicalismo continuará sendo uma frente de organização relevante entre o país formal, os trabalhadores de grandes corporações. O empreendedorismo organizado será o caminho para conquistar a adesão dos excluídos, o enorme contingente que se vira em bicos ou no pequeno comércio, artesanato e até nas plataformas.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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10 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    1 de julho de 2025 8:00 am

    Pequenos empreendedores às vezes são até mais reacionários do que os magnatas. Enquanto o Eduardo Suplicy, nascido em berço de ouro, é humilde e fraterno, muitos pequenos empresários odeiam pobres.

    “Esses pequenos produtores cercam o proletariado por todos os lados de uma atmosfera pequeno-burguesa, embebem-no nela, corrompem-no com ela, provocam constantemente no seio do proletariado recaídas de frouxidão, dispersividade e individualismo pequeno- burgueses, de oscilações entre entusiasmo e abatimento. Para fazer frente a isso, para permitir que o proletariado exerça acertada, eficaz e vitoriosamente sua função organizadora (que é sua função principal), são necessárias uma centralização e uma disciplina severíssimas no partido político do proletariado. Quem concorre para enfraquecer, por pouco que seja, a disciplina férrea do Partido do proletariado (principalmente na época de sua ditadura) ajuda, na realidade, a burguesia contra o proletariado”. – Lenin

  2. evandro

    1 de julho de 2025 9:26 am

    Vou me permitir um pequeno relato que de alguma maneira se enquadra. Quis a idade me forçar a usar sapatos e sandálias que trouxessem mais conforto aos meus joelhos. Pq não utilizar então a internet para pesquisar e comprar. Nessa labuta descubro que há lojas e fábricas (na verdade escritórios e galpões de armazenagem)que vendem o mesmo produto como sendo fabricados por diferentes fabricantes e como sendo diferentes marcas.
    Mas a internet também permite ver que são, na verdade, Made in China.
    Aí a gente tenta encontrar os produtos nacionais e até encontra. O interessante é que são em muito menor quantidade (10%?), e os preços são sempre maiores.
    Eu me pergunto, vai concorrer como? Quem está focado em comprar Made in Brazil?

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    1 de julho de 2025 10:05 am

    O problema é que fomentar e financiar golpes de estado é uma técnica de política externa utilizada largamento pelos EUA e seus parceiros europeus. Eles reconhecem apenas uma regra: a imposição de sua vontade em todo lugar, a todo momento a todos os povos. Isso é incompatível com o enquadramento internacional criado para garantir tanto a soberania dentro dos estados quanto as relações amistosas e pacíficas entre eles. Mas existe algo ainda mais escuro sobre o comportamento da OTAN, que é tanto uma organização militar quanto o principal instrumento institucional que garante os lucros como de costume dos fabricantes de armamentos “made in USA”, “made in UK”, “made in Germany”, etc. Os líderes civis e militares, envolvidos com a OTAN, uma organização que sofreu mutações ideológicas após o fim da guerra fria e se tornou uma ferramenta para a expansão do ocidente pelo planeta inteiro (eles ameaçam a China, querem colocar botas na África e assim por diante), olham para a Rússia como um imenso espaço vazio que pode ser colonizado pela Europa e pelos EUA. Essa aventura colonial militar empresarial certamente aumentaria os lucros dos europeus e americanos gananciosos se não fosse um problema: o medo da III Guerra Mundial era a única coisa que os mantinha parados e envergonhados. Mas agora eles perderam a vergolha e o medo e estão dispostos a se levantar e avançar contra a Rússia causando a destruição de tudo em todos os lugares para poder dizer que pelo menos os malditos Russos também foram derrotados. O ocidente é uma piada de mal gosto agora. E a OTAN é um veneno que envenenará os próprios ocidentais, sem dúvida. Sendo assim, uma coisa que Lula poderia fazer imediatamente é REJEITAR DE MANEIRA ENFÁTICA qualquer possibilidade do Brasil aderir à OTAN ou aceitar a construção de bases da OTAN e dos EUA no território brasileiro.

  4. VIVEaaronScheartz

    1 de julho de 2025 12:00 pm

    UM PAPAI Q MIMA SEUS FILHOS ESTES TÊM TENDÊNCIA A SER INGRATOS E RECLAMOES NÃO SABEM DAR A DEVIDA IMPORTÂNCIA DAS COISAS NÃO SABEM COMO FOI SUADO ESTAS CONQUISTAS E O Q FAZER PARA MANTELAS,nossos milionários bilionários Paulistas falharam em manter suas conquistas EXTRAORDINÁRIAS durante os governos petistas,é só fazeren um “ptometro”indice de lucro das emoresas durante os governos e verificarao isto,os mimadinhos vivem numa BOLHA não à toa nos governos Temer e BOLSO muitos faliram pq acharam q seus negócios dependiam só dekes e não de uma série de cousas FOMENTADAS pelo Estado q dava condições as pessoas de EVOLUIR e melhorar,os mimadinhos são egoístas e sem noção por natureza têm e tiveram tudo na mão devido a gestão pública de pessoas responsáveis q administravam o País mas em suas vaidades ACHAM q tudo caiu do céu,são meritocratas ou ingratos mesmo;talvez até saibam quem lhes deu condições de crescer e agora como ZUMBIS aceitam politicas de governos destrutivos como o do Temer,Bolso e BC kkkk acho até engraçado estes sadomasoquistas só q sei o q é isto é ORGULHO E PRECONCEITO por não aceitar q um “ignorante”sapo barbudo nove dedos saiba VENCER e admnustrar tudo melhor q eles os BEM NASCIDOS MIMADINHOS!!!Esta elite Paulista é fracassada não conseguiram se proteger do GOLPE q achavam q era só contra o povo,se desesperaram com Bolso mesmo aceitando parte de suas maldades e mostraram GRANDE INGRATIDÃO com aquele q os livrou do momento revolucionário bradileiro e até mundial os MIMADONHOS reis do dinheiro estão vivendo numa bolha em seus CASTELOS MEDIEVAIS fazendo Pix aos seus SERVIÇAIS REAIS !!!

    1. J.Marcelo

      1 de julho de 2025 2:20 pm

      DORIA PAI DEVE ESTAR SE CONTORCENDO TODO DEVIDO AO COMPORTAMENTO DO SEU MIMADINHO CONVERTIDO A RELIGIÃO DINHEIRISTA E Q ACABOU COM O ESTADO DE SP NA PANDEMIA !!!Obs.:Sim J.marcelo ele é o típico não líder q é ELITISTA traidor daqueles q o apoiaram juntando com outro mimadinho traidor moleque !!!

  5. Antonio Cesar Perin

    1 de julho de 2025 4:41 pm

    ESTRUTURA DO SIMPLES NACIONAL E A NECESSÁRIA MUDANÇA
    A lei Geral do Simples Nacional foi uma grande conquista para as pequenas Empresas, pois atendeu uma demanda das empresas menores, bem como atendeu preceitos constitucionais contidas no Artº 170 e 179 contidos na Constituição Brasileira. Passados um certo tempo, entretanto, alguns ajustes se fazem necessários e urgentes.
    Aqui no Brasil por exemplo temos o MEI- Micro Empreendedor Indivual, lá na Argentina por exemplo denomina-se MONOTRIBUTO.. Assim penso que o MEI tem que receber o conceito certo: trabalhador autônomo. Ou deveria ser criado essa categoria antes do MEI..
    Está faltando categorizar melhor a condição desse trabalhador..A maioria trabalha por si só.. Sem funcionário..
    Então resumidamente o Governo Federal tem que dar “nome aos bois”, de forma correta. E o mais importante: formatar melhor o SIMPLES NACIONAL.
    A proposta melhor que se observa que deveria e seria aceita por todos.
    – MONOTRIBUTO. MEI SIMPLIFICADO (trabalhador autônomo)
    – MEI para quem contrata funcionário até dois funcionários
    – ME. MICROEMPRESA.
    – EPP. ( EMPRESA de PEQUENO PORTE)
    – EMPRESA de TRANSIÇÃO
    Além da questão do MONOTRIBUTO, na atualidade, o que tá batendo forte é a não elevação do teto de faturamento.. As Empresas vão crescendo e quando chegam no EPP ( EMPRESA de PEQUENO PORTE) se deparam com o “fim da escada”, caindo na condição de Empresas maiores e relutam em sair dessa condição. É preciso criar outra categoria denominada EMPRESA de TRANSIÇÃO sendo que se existisse tal categoria, deixaríamos de ter a evasão fiscal por suprimir emissão de documentos fiscais. Há necessidade, do mesmo modo, em inserir um índice de indexação no teto de faturamento de cada categoria.
    Observa-se que o Governo perde com a falta desta categoria “Empresa de Transição”, pelo simples motivo de que o contribuinte NÃO quer sair da categoria de EPP ( Empresa de Pequeno Porte) e competir com as empresas grandes que podem pagar o preço para estar neste outro regime.
    Outro aspecto a considerar é que a ultima vez que reajustaram a tabela foi em 2016. Essa legislação foi criada em 2006 e o valor era de R$ 3.600.000,00 naquela época. Hoje, 20 anos depois, tivemos um reajuste de apenas 33,34% R$ 4.800.000,00 “limite” desde sua última atualização. Se pegarmos os índices de inflação teríamos um índice de correção de 106,17% nestes 20 anos. Isso dobraria o limite inicial.
    Mas o problema maior não é este: é que o Governo, o Congresso não compreendem que isso força a SONEGAÇÃO, aos moldes atuais, pois realmente a ME e a EPP, não tem condição e estrutura financeira de competir com as grandes Empresas. Pois não irão sair deste regime em hipótese alguma.
    Via de regra, assim sendo, se o GOVERNO ajustasse as tabelas, com certeza o cenário de arrecadação seria outro; pois as empresas não iriam se preocupar em sair do regime e emitiriam nota, pois também não querem correr o risco de serem pegos em transito sem DOCUMENTO FISCAL.
    As Associações Comerciais, o Congresso, Entidades representativas e as próprias Empresas deveriam aprofundar o assunto e exigir mudanças. Haveria ganhos para todos. As pautas relevantes do Brasil muitas vezes não estão no topo da lista das prioridades por aqueles que deveriam pensar, seja das estruturas do Estado e/ou das próprias Empresas prejudicadas que acabam em processo de acomodação não demandando essa reivindicação.

    Antonio Cesar Perin
    Eng. Agr. Esp. em Agroindústria

    Giovani Endres
    Contabilista e Analista Tributário

  6. Naldo

    1 de julho de 2025 6:48 pm

    Eita ….o povo ainda trabalha como empregado, até sem carteira assinada, com horários de semi escravidão e mal pagos, eu sei, por que vejo isso, ninguém me diz …..outra coisa, esse papo furado de ” empreendedorismo” não passa de retirada de direitos trabalhistas disfarçada, um passa moleque nos trabalhadores; pergunto, de manhã os ônibus e metros, trens e até automóveis estão cheios do quê? E esse truque canalha está dando certo quando a juventude nega a CLT, com ela servindo até de xingamento, como se essas pessoas não fossem envelhecer e necessitar de proteção social no futuro… empreendedorismo? Tem que aauxiliar, afinal sempre existiu o tal Sebrae por exemplo, o pequenas empresas grandes negócios, não é nada novo..Se focar só nisso Lula perde a eleição.

  7. Pedro

    1 de julho de 2025 10:37 pm

    Dentro do governo não há pessoas que pense como você: fora da caixa. O fiscalismo kamikaze matou o Brasil. Infelizmente!

  8. Antonio Uchoa Neto

    2 de julho de 2025 12:51 pm

    A partir do momento em que Lula e o PT não só aceitaram, mas mergulharam de cabeça, na farsa da democracia representativa, deveriam ter consciência de que a única alternativa de ação política seria a política da migalha (Marcos 7:24-30), e, uma vez esgotado mesmo esse caminho, o paternalismo. Agora é tarde.

  9. Rui Ribeiro

    4 de julho de 2025 1:28 pm

    ²⁴ E, levantando-se dali, foi para os termos de Tiro e de Sidom. E, entrando numa casa, não queria que alguém o soubesse, mas não pôde esconder-se;
    ²⁵ Porque uma mulher, cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés.
    ²⁶ E esta mulher era grega, siro-fenícia de nação, e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demônio.
    ²⁷ Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
    ²⁸ Ela, porém, respondeu, e disse-lhe: Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos.
    ²⁹ Então ele disse-lhe: Por essa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha.
    ³⁰ E, indo ela para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, e que o demônio já tinha saído.

    Marcos 7:24-30

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