Em Poços de Caldas um grupo de rapazes desenvolveu um aplicativo similar ao Uber. Vendeu para um grupo de motoristas. Eles pagam uma mensalidade fixa e ficam com toda a tarifa das corridas. O aplicativo matou o Uber por lá.
Em Araraquara ocorreu projeto semelhante.
Em São Paulo, o MST (Movimento dos Sem Terra) se vale de aplicativos para a venda de produtos naturais.
A revolução tecnológica tem dois momentos. O primeiro foi das empresas. Aquelas que dominaram na frente a tecnologia se transformaram em empresas bilionárias. É o caso dos aplicativos de automóveis e de entregas.
Agora chegou a hora dos sindicatos, especialmente do setor de serviços, descobrir as possibilidades da tecnologia.
É o caso da Conatec (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios). Trata-se de um setor que está sendo esmagado pela terceirização e pela automatização. Hoje em dia há edifícios em que trabalhadores foram substituídos por porteiros eletrônicos. Por outro lado, as terceirizadoras oferecem serviços até de diaristas, que se abrigam em outros sindicatos.
O que é a administração de um condomínio? É um sistema de registro das compras e despesas de pessoas. E por que as pessoas procuram empresas para conseguir diaristas? Porque as empresas têm diaristas selecionadas.
Todas essas funções podem ser assumidas pelos sindicatos, que ampliariam sua atuação, para incluir diaristas. Hoje em dia, sistemas de controle de compras e contabilidade de empresas estão disponíveis. Uma assessoria de recursos humanos ajudaria o sindicato a definir a oferta de mão de obra dos próprios sindicalizados. E poderiam ser desenvolvidos aplicativos para oferta de diaristas.
Mais que isso, cada vez mais as grandes empresas estão se enquadrando nos princípios da ESG, práticas que permitem definir se a empresa tem responsabilidade social, ambiental. Já existem multinacionais que definiram cotas raciais para seus fornecedores. Apoiar iniciativas de sindicatos ajudaria a melhorar mais ainda a classificação ESG dessas empresas.
Além disso, sempre haverá bancos interessados em apoiar essas iniciativas em troca das contas do sindicato. Tempos atrás, por exemplo, o Santander montou uma bela iniciativa de apoiar as bancas de revista, abaladas pela crise das revistas impressas, para que explorassem a venda de outros produtos.
Na ponta regulatória, as prefeituras deveriam ser instadas a obrigar os edifícios a manterem ao mesmo um socorrista, em contato com a defesa civil e o Corpo de Bombeiros, para atender a qualquer eventualidade.
Antonio Uchoa Neto
18 de novembro de 2022 4:03 pmBom saber que, ao menos em sua versão poços-caldense, o Uber está morto. Difícil é convencer-se de que, em sua versão global, este mesmo Uber possa ser morto de forma tão simples.
Difícil acreditar que a mecânica da história capitalista – a absorção do pequeno pelo grande e a transformação deste em gigante monopolista – possa ser invertida pelos pequenos desenvolvedores de aplicativos.
Por um motivo muito simples: desenvolvedores de aplicativos, pequenos ou grandes, necessitam de uma plataforma para veicular seus produtos.
Plataforma: a palavra-chave para compreender o que será o mundo, em breve.
A Plataforma é a versão informatizada (algorítmica, se quisermos ser mais técnicos) do monopólio industrial/comercial que é a essência do mundo capitalista em que vivemos.
Em outras palavras, a Plataforma permite ao pequeno desenvolvedor realizar seu negócio e prosperar, mas sob certas condições. Não cumpridas essas condições, a posição do pequeno desenvolvedor torna-se tão frágil quanto a das pequenas indústrias que compõem a cadeia de produção dos negócios maiores e monopolistas. Sendo o referido negócio lucrativo, será inevitavelmente incorporado ao grande; não sendo, será extinto, e sua demanda transferida para desenvolvedores mais taludos.
Todo desenvolvedor tem que crescer para sustentar-se, ou expandir-se. A sobrevivência o impele, no primeiro momento, e a concorrência o força, no segundo. Para a Plataforma, somente o segundo momento interessa, e define sua ação. Ignorar ou absorver é um dilema que se resolve quando o negócio se expande.
Tem sido assim desde a Revolução Industrial. Não vejo motivo ou razão para que seja diferente, agora, mesmo com a criatividade ao alcance de um maior número de desenvolvedores. Que são pequenos, e são muitos. E querem ser grandes, e poucos.
À custa de absorver os recém-chegados talentosos.
Tudo que é pequeno, no mundo, tem que se transformar em grande, para perdurar, ou ser absorvido por um grande, para subsistir.
Tem sido assim. E todo o otimismo do mundo não é capaz de resistir a essa lei, e nem a ela se sobrepor.
É a lei do Capital. Acumular, absorver, monopolizar.
No que se transformarão os sindicatos, não sei. Ainda estou preocupado com o que acontecerá aos seus membros, os trabalhadores, em seu próximo combate final com as Plataformas.
Victor
18 de novembro de 2022 6:18 pmNo mundo real, um porteiro de prédio, sem qualquer especialização,ganha em torno de R$ 3500,00 no Rio de Janeiro e os condomínios estão em sua maioria “quebrados” apesar de necessitarem cobrar taxas cada vez maiores para atender a despesas básicas e às obrigações impostas pela auto vistoria da Prefeitura e as exigências do corpo de bombeiros. A consequência imediata é o aumento da inadimplência dos condôminos cuja renda não consegue acompanhar os aumentos das taxas. A sugestão do “socorrista” de plantão só se for para acabar de falir os condomínios. É a chamada má ideia.