19 de junho de 2026

Como a operação Carbono Oculto espalhou pânico na direita, por Luís Nassif

Operação foi ação integrada da Receita, MP-SP, MPF, PF e polícias estaduais que desbaratou braços do crime organizado em oito estados.
Operação Carbono Oculto - Reprodução

▸Operação Carbono Oculto desarticula crime organizado em combustíveis. 350 alvos em 8 estados, R$52 bi movimentados, 40 fundos identificados.

▸Desdobramento “Carbono Oculto 86” interdita 49-50 postos em 3 estados. Uso de empresas de fachada e fintechs. R$5 bi em movimentações atípicas.

▸PL Antifacções causa polêmica. Substitutivo de Derrite limita autonomia da PF. Recuo após críticas. Ajustes para votação entre 11 e 12/11.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A Operação Carbono Oculto tem sido apresentada por autoridades fiscais e policiais como a maior ação integrada contra o crime organizado no setor de combustíveis, envolvendo Receita Federal, MP-SP, MPF, PF e polícias estaduais, com 350 alvos em oito estados, identificação de 40 fundos com R$ 30 bilhões e movimentação de R$ 52 bilhões em postos usados para lavagem de dinheiro entre 2020 e 2024. Em 5/11, o desdobramento “Carbono Oculto 86” interditou 49–50 postos no Piauí, Maranhão e Tocantins, mapeando uso de empresas de fachada, fintechs e fundos, com R$ 5 bilhões em movimentações atípicas e apreensão de bens e uma aeronave.

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O sucesso da operação provocou uma rápida reação da ultradireita. Primeiro, com as chacinas da Penha e do Morro do Alemão, uma ação articulada entre o governo do Rio, polícia e Ministério Público Estadual, seguido de um apoio imediato de quatro governadores de direita – Ronaldo Caiado, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Jorginho Mello.

Coube a Tarcísio de Freitas deixar suas impressões digitais na ação mais ostensiva, para impedir a atuação da Polícia Federal contra o crime organizado, ao liberar seu Secretário de Segurança, Guilherme Derrite, para apresentar um substitutivo à PEC da Segurança do governo.

O PL Antifacções e o substitutivo de Guilherme Derrite

O governo enviou à Câmara o PL Antifacções para endurecer a legislação e fomentar a integração, mas o substitutivo do relator, deputado Guilherme Derrite, gerou forte reação por limitar a autonomia da PF e deslocar o eixo para estados, inclusive ao flertar com alterações na Lei Antiterrorismo e condicionar a atuação conjunta da PF a provocação de governadores.  

Ficou nítida a intenção de anular a ação da PF contra as organizações criminosas, justo no dia em que apareciam mais indícios contra dirigentes políticos do União Brasil.

Críticas partiram do Ministério da Justiça (Mario Sarrubbo) e da própria PF, alertando para riscos de tumulto processual, enfraquecimento de investigações e insegurança jurídica; já Mendonça Filho (relator da PEC da Segurança) defendeu o texto como “tecnicamente bom” e alinhado à PEC. Há tempos, Mendonça Filho perdeu o eixo social-democrata que ostentava em seus tempos de tucanato. 

Após pressão pública e institucional, Derrite recuou e divulgou uma terceira versão, retirando a equiparação a terrorismo, preservando as competências da PF e criando um diploma autônomo para o combate a facções, com penas elevadas e instrumentos de bloqueio de bens; alterações foram protocoladas no dia 11, apontadas como tentativa de consenso para votação entre 11 e 12/11. Ainda assim, houve registro de três versões em sequência e ajustes de última hora para manter a atuação federal sem necessidade de aval de governadores.

A disputa política e as narrativas de “blindagem”

Líderes governistas e ministros (como Guilherme Boulos, na Secretaria-Geral) chamaram o relatório inicial de “PEC da blindagem 2.0” por restringir a PF e criar confusão de competências; o Planalto publicou vídeo “Defendam a PF”, e houve ação coordenada para reverter pontos polêmicos do substitutivo . Em paralelo, setores da oposição e do centrão sustentaram que o texto reforça estados e integra esforços, buscando convergência com a PEC da Segurança. A crítica central do governo: submeter cooperação a crivos políticos estaduais, fragilizando operações de caráter interestadual/transnacional como as da Carbono Oculto.

PEC da Segurança Pública e integração federativa

A PEC proposta pelo Ministério da Justiça tem sido defendida como estruturante para criar um sistema único de segurança pública, consolidar fundos (FNSP e Funpen), corrigir a baixa integração de dados entre estados e incentivar operações de inteligência que desarticulam finanças sem confrontos letais; governadores do Nordeste manifestaram apoio, enquanto críticos liberal-conservadores acusam centralização excessiva e risco ao pacto federativo. A meta declarada por articuladores do MJSP é rotinizar ações integradas como a Carbono Oculto, com bloqueios bilionários e cooperação interinstitucional.

Natureza multissetorial e transnacional do crime organizado

As investigações da Carbono Oculto documentaram a infiltração em toda a cadeia de combustíveis, uso de fintechs como “banco paralelo” e blindagem patrimonial via fundos e holdings, além de adulteração e sonegação massivas; desdobramentos alcançaram operadores financeiros na Faria Lima e expansão para Norte/Nordeste, ilustrando o caráter transnacional e multissetorial (combustíveis, finanças, apostas) que demanda coordenação federal e internacional contínua.

O que observar nos próximos passos

  • Texto final do PL Antifacções: conferir se a versão a ser votada mantém íntegra a autonomia e competência da PF, sem condicionantes estaduais, e se incorpora mecanismos de perdimento civil de bens e instrumentos de inteligência financeira robustos.
  • Tramitação da PEC da Segurança: acompanhar negociações sobre integração de dados, governança do sistema único e limites federativos, buscando equilíbrio entre coordenação nacional e autonomia estadual .
  • Novos desdobramentos da Carbono Oculto: operações em praças financeiras e setores regulados (fintechs/fundos) tendem a avançar, exigindo regulação e troca automatizada de informações para sufocar fluxos ilícitos 

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    12 de novembro de 2025 8:00 am

    É fácil descobrir o desejo do Derrite querer derreter a emenda das facções.Por ser torta, a direita teme uma investigação que os alcançe.

  2. Eduardo Pereira

    12 de novembro de 2025 8:29 am

    Extrema Direita fascista, queria o protagonismo na “luta” contra o creme.
    Escalaram um milico linha-dura pra relatar , e… perderam.
    Movimento da sociedade repudiando a blindagem do crime realmente muito bem organizado derrotou de novo a retaguarda do atraso .
    Tarcisio perdeu, Motta perdeu, o fascismo populista perdeu e o Governo e Sociedade realmente Democrata ganhamos.
    Escrevendo isso ouço a noticia da prisão duma mulher vinda de… SP com 30 pistolas com destino ao Rio. Quem não dá conta , como o Derrite, do trafico em seu estado , como quer ditar regra pro Brasil? Perdeu cangaceiro.

  3. Hermes

    13 de novembro de 2025 1:01 pm

    A ação de Tarcísio e Derrite deixa um grande alerta: Até que nível as organizações criminosas já infiltraram? Pela ações dos dois e de alguns jornais, parece que bem mais a fundo que poderiam imaginar.

  4. José Machado

    13 de novembro de 2025 10:33 pm

    Resumo da Ópera: Não dá para confiar mais nesse texto de jeito nenhum.

    Agiram para dar poderes aos bandidos e depois voltaram atrás. Qualquer texto,
    mesmo uma letra, vindo dessa gente não é de confiança.

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