Libertário é um miliciano que completou o curso médio, por Luís Nassif

E se o jovem jornalista não seguir a moda desinformada da cobertura midiática e lançar nova moda: a recuperação dos valores da civilização?

Em O Globo, o jovem comentarista garante que o candidato da ultradireita da Argentina, Javier Milei, é diferente da extrema direita bolsonarista. Isso porque “defende um estado mínimo, com foco apenas na Justiça e na segurança. Bolsonaro jamais foi um defensor destas ideias mais libertárias”.

O fantástico mundo das ideologias! O que o pensamento miliciano defende:

  • O fim de qualquer forma de regulação na economia. Assim como o pensamento libertário,
  • O pagamento por todos os serviços públicos, que passarão a ser oferecidos pelo setor privado. Assim como o pensamento libertário.
  • O controle total da segurança pela milícia. O libertário propõe que o Estado atue apenas na Justiça e na segurança. Mas, se não houver regulação, onde ficará a segurança jurídica? Sem regulação, nada é ilegal, nem construção de casas sem alvará, nem distribuição de gás sem autorização, nem a gatonet. Não haverá mais diferenças entre atividade formal e criminosa, simplesmente porque o fim da regulação acaba com a noção de crime econômico.

Em outras palavras, libertário é um miliciano que completou o curso médio.

Aliás, há outra diferença fundamental: ao que se saiba, até agora os milicianos não começaram a recorrer ao comércio de órgãos humanos e de crianças. Há um risco grande de começar a exercitar o ofício por influência dos libertários.

É possível que o jovem comentarista endosse esses princípios aberrantes? Provavelmente, não. Em outros temas, mostra uma razoável dose de boa índole. Mas o episódio demonstra o tragíco processo de construção da inteligência na mídia.

De uma maneira geral, a inteligência jornalística – entendido como a inteligência geral de uma redação – despencou assustadoramente desde o início do jornalismo de ódio inaugurado década e meia atrás. O comentarista, em questão, saiu correndo na frente para dizer algo “novo” sobre a discussão do momento – no caso, o ultradireitista Milei. Consultou o Google, viu o que saiu até agora sobre ele e tascou sua visão “diferenciada” sobre a questão. Não havia um pingo de inteligência analítica, de capacidade de correlação de fatos. Nem uma gota de inteligência sobre o processo de formação de uma Nação.

Um Estado civilizado depende de valores que estimulem a solidariedade, a busca de justiça, a busca do bem estar de todos seus cidadãos. A indústria está no cerne dos modernos estados nacionais pela necessidade de defender a produção e o emprego interno contra produtos de países mais avançados. Políticas sociais são essenciais para garantir a paz interna e a promoção da população. Educação obrigatória é essencial, inclusive, para o próprio desenvolvimento do mercado, ao oferecer mão de obra especializada.

O que as milícias e os libertários oferecem é o fim de todas as redes de proteção social, de todas as políticas de promoção social, de todo sentimento de solidariedade. É cada um por si, os mais fortes esmagando os mais fracos e a polícia para impedir a revolta de desempregados, vulneráveis e desprotegidos. Na economia, será o primado dos cartéis sobre as empresas menores, o esmagamento do consumidor pelo cartel. E polícia em quem ousar reclamar, assim como fazem milicianos.

O absolutismo monárquico acabou entre 1788 e 1799 com a revolução francesa. No século 19, um religioso dominicano, jornalista, educador, deputado, Jean-Baptiste-Henri Dominique Lacordaire, nascido em 1806, produziu a frase símbolo do novo período civilizatório: “Entre os fortes e fracos, entre ricos e pobres, entre senhor e servo é a liberdade que oprime e a lei que liberta”.

Que tal o jovem jornalista, em vez de seguir a moda desinformada da cobertura midiática, lançar uma nova moda: a recuperação dos valores eternos da civilização e um entendimento mínimo sobre o que é democracia?

Luis Nassif

4 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Até domingo eu mal sabia o nome desse sujeito, Javier Milei. Como todo mundo, eu também fiquei perplexo com seus 7 milhões de votos, 30% do total. Falta explicar então como foi que ele chegou a essa dianteira que ninguém previu. Mais que isso, falta explicar como foi que a inflação chegou a 118%, como foi que o dólar chegou a 700 pesos e como foi que o país mergulhou nesse abismo de crise, que parece que tudo está desmoronando. E qual a saída desse desastre? Mais um governo peronista?

  2. …a policia pra repremir as revoltas..exato como acontece hoje aqui na periferia…

    E agora o simples ato de sentar numa praça a noite aparece um guarda municipal agindo como policia, questionando E dando geral… Ou o presidente coloca a guarda municipal como esta na constituiçao ou sera mais uma policia agindo contra o cidadao. Bem fez o stj lembrando que guarda so cuida dos predios da prefeitura E nao pode agir como policia do prefeito

    Ja temos policia civil e militar,nao a nenhuma necessidade de criar mais uma policia, so um espirito autoritario quer criar mais uma policia.

    Reendustrialuzaçao Ja.

    So empregos pode fazer uma sociedade mais justa.

    Apenas emprego e bom salario pode afastar um milei ou ditaduras.

  3. Caro Nassif,
    você finge ser ingênuo.
    Este propagandista sem cérebro apenas recolhe algum dinheiro dos donos das verdadeiras fake news para sobreviver.
    Ele não conseguia nem um salário mínimo no mercado livre, o mercado libertário.
    Os oligarcas das fake news, que jogam apenas um jogo e têm apenas um gol, manter o coeficiente de Gini mais alto, não gostaram de Bolsonaro.
    Aparentemente o cara não era o fascista que eles gostam.
    As fake news ensinam ao povo a democracia e o fascista certo para votar. Tudo em prol da democracia e da liberdade.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador