1 de julho de 2026

Enquanto os progressistas não dispõem de bandeiras, por Luís Nassif

Eleições revelaram o poder dos governadores para eleger prefeitos, esses se reelegerem e a falta absoluta de instrumentos do governo federal
Rovena Rosa - AGência Brasil

O quadro político é complexo.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Há uma contagem regressiva para as eleições de 2024. Dependendo da votação, a bancada de direita no Senado poderá alcançar uma maioria capaz de acuar o Supremo Tribunal Federal.

Os chamados setores progressistas têm apenas a boia da candidatura Lula. Mas ele está completamente amarrado pelas limitações do orçamento. 

Essas eleições revelaram o poder dos governadores para eleger prefeitos, dos prefeitos para se reeleger e a falta absoluta de instrumentos do governo federal, depois que o orçamento foi sequestrado pelas emendas parlamentares.

Por outro lado, a absoluta liberdade das redes sociais tem alimentado de maneira vigorosa não apenas a ultradireita, mas as incursões do crime organizado na política. E não há sinal da constituição de uma maioria visando estabelecer limites. Nem sinal de um discurso dos setores modernos, capazes de se opor à simplificação matadora dos slogans de direita.

O Supremo Tribunal Federal se converteu na única garantia da democracia. Em muitos estados, porém, o poder judiciário atua como agente político, como foi o caso da Paraíba, desestabilizando as forças progressistas e abrindo espaço para a reeleição de um candidato claramente associado ao crime organizado. Em outros lugares, há uma infiltração do crime organizado em organizações sociais, assumindo o controle da saúde e do lixo, sob os olhares acomodatícios de promotores estaduais.

Em algum momento do futuro – sabe-se lá quando – as forças progressistas entenderão que a bandeira a ser estendida é a da solidariedade, mas não apenas como uma manifestação de bons sentimentos e voltada também para o setor produtivo.

Hoje em dia o Brasil é campeão de movimentos sociais exemplares, que ajudaram a tirar milhares de pessoas da miséria e da marginalidade. É o caso do Movimento dos Sem Terra e dos Sem Teto. Falta articular ações que ajudem na organização das pequenas empresas.

Possivelmente, se eleito, e com os recursos de que dispõe a Prefeitura, Guilherme Boulos poderia promover uma revolução social, levando a tradição de organização do MTST para pequenos bares, pequenas farmácias, ajudando a fortalecer o comércio de periferia, os pequenos produtores contra o poder  massacrante das grandes plataformas.

Mas essas experiências precisam vir à tona e serem multiplicadas, como aconteceu anteriormente com o orçamento participativo.

Aliás, é curioso que o PT, dispondo da fundação mais prolífica entre todos os partidos políticos – a Perseu Abramo – não consegue transformar nenhuma das ideias em programa de governo ou em bandeira de partido.

Receba os artigos de Luís Nassif pelo WhatsApp

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

10 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    8 de outubro de 2024 4:37 pm

    Talvez esse seja um efeito negativo imprevisto do Fundo Partidário. De um lado as lideranças de esquerda resistem à renovação porque querem continuar controlando o dinheiro público transferido para os partido (imitando assim seus pares à direita). De outro, como a renovação está bloqueada mediante artifícios como o que ocorreu em Osasco (Emídio poderia ter dado lugar a outro candidato, mas preferiu disputar mesmo sabendo que perderia porque não quer deixar de ser reeleito deputado federal) ninguém mais se esforça na base junto à população. A esquerda se igualou à direita por dentro e a imagem dela apodrece rapidamente aos olhos da população.

  2. Josethefuturepontomarcelo

    8 de outubro de 2024 4:49 pm

    O crime organizado seja pelos bem nascidos ou pela ralé só AVANÇA aonde o Estado falhha,estão terceirizando tudo e vai para quem ?Nosso comércio está em frangalhos funcionando com estrutura deficitária,está havendo uma transição nos negócios,isso é uma ótima oportunidade para Sampa sair na frente e vanguarda da transição energética mundial,muitos vão ganhar muito dinheiros BEM VINDOS AO FUTURO ELE CHEGOU !!!

    1. Cidadão sem cidadania

      9 de outubro de 2024 12:56 pm

      Lembrando ao senhor, que criminosos nosos que tem 3 letras não era nada antes de 2004, aqui na periferia é certo como 2+2 é 4

  3. fabricio coyote

    8 de outubro de 2024 6:26 pm

    Boulos tem de ter orgulho no movimento de ocupação de imóveis desocupados e sem função social, sonegados e invadidos muitas vezes por pessoas ainda mais marginalizadas. O MTST ao menos chamava a atenção para a função social da propriedade e a desmarginalização de famílias excluídas do alcance do erário. Um exemplo de solidariedade, pois há a politização dos sem teto, sua conscientização. A imprensa se assegura no diteito à propriedade em desfavor do social por que é de genética escravocrata.

  4. Gabriel Correa

    8 de outubro de 2024 6:39 pm

    o velhíssimo discurso da “pequena burguesia” ungida e santificada, cujos sujeitos homens brancos e velhos são as eternas “vitiminhas do sistema” que os persegue e injustiça. Ri alto aqui, Nassif, com todo respeito. Sua ladainha classista tem a mesma profundidade filosófica de um tratado de Pablo Marçal sobre economia política.

    1. Fábio

      9 de outubro de 2024 2:26 pm

      Além de não fazer sentido com o que está escrito, com o assunto abordado, chega a ser engraçada sua ressalva. Se isso já foi “com todo o respeito”. imagino se fosse sem respeito: faca? canivete? corda de enforcar? tanta agressividade não deveria ter lugar aqui

    2. Fábio

      9 de outubro de 2024 2:28 pm

      Se foi assim “com todo o respeito”, fico imaginando como seria sem ele. Com faca? canivete? corda de enforcar?

  5. MARTHA MASSAKO TANIZAKI

    9 de outubro de 2024 9:38 am

    Parece que o PT envelheceu antes do tempo. Ou parece que neste governo Lula o PT está tomando pra ela as limitações que o governo sofre como minoria no parlamento, o orçamento nas mãos do centrao etc. O governo estabeleceu uma estratégia para a sua sobrevivência mas o partido tem que estabelecer a sua própria estratégia

  6. Cidadão sem cidadania

    9 de outubro de 2024 12:50 pm

    Não existe força de progresso no governo Lula, Lula se mostrou apenas mais um, Lula não quis reendustrialuzar o Brasil através do pré sal, a aepet tinha um plano bom, não quis e nem vai, hoje somos um país parado e sem rumo e nada mudará, e quanto ao STF, a Direita comemorou quando o STF autorizou a venda das das refinarias e das empresas brasileiras estatais, a direita se alegrou quando o STF carimbava a destruição que a lava jato fez…. E hoje a esquerda se alegra….. Temos é torcida… O nacionalismo não existe mais nos partidos, só no povo que o nacionalismo desenvolvementista vive… Lula acabou só o nassif não quer ver.. Bolos só foi pro segundo turno porque marcal apresentou o laudo muito louco.. E Nunes ganha fácil..

  7. Daniel

    9 de outubro de 2024 9:22 pm

    Nassif, em São Paulo a eleição tá definida, vai ser 60/40 fácil

Recomendados para você

Recomendados