17 de junho de 2026

O acidente do Lula e as incógnitas da política, por Luís Nassif

Na hipótese de Lula ser afastado, haverá desafios para Alckmin, que tem histórico de lealdade - aliás, até o limite da ingenuidade
Marcelo Camargo - Agência Brasil

As primeiras informações que circularam na mídia falam de cirurgia para conter “hemorragia intracraniana”, a que Lula foi submetido esta madrugada, uma condição grave que ocorre quando há sangramento dentro do crânio, podendo envolver o cérebro ou os espaços ao seu redor. Sua gravidade depende da localização, extensão do sangramento e da rapidez com que é relevante e tratado.

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Para casos mais simples, como hematomas pequenos ou de evolução crônica (como hematomas subdurais crônicos), há procedimentos mais simples como drenagem guiada por imagem ou endoscopia. Foi a intervenção sofrida por José Dirceu há algum tempo, que não deixou sequelas.

Mas Lula sofreu hemorragia. Portanto, seu quadro é grave embora, em nenhum momento tenha perdido a consciência – segundo um Ministro que esteve com ele até seu translado para São Paulo -.

Nas próximas horas haverá um quadro mais claro sobre o quadro de saúde de Lula. Pode ser que se recupere rapidamente. Mas há riscos concretos de que fique afastado da presidência por um bom tempo, em período de reabilitação. E uma possibilidade – ainda não se sabe qual o nível de probabilidade – de ser obrigado a deixar a presidência.

Nesse caso, o cargo de presidência será ocupado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.

Alckmin tem características históricas e outras adquiridas no exercício da vice-presidência de Lula mas, principalmente, no comando da NIB (Nova Indústria Brasileira). Tem o mérito de reaproximar Lula da classe industrial. A última visita de Lula e Alckmin à Confederação Nacional da Indústria (CNI) desmanchou décadas de desconfiança. Aliás, uma desconfiança fruto da má informação, já que historicamente Lula sempre foi a favor da atividade produtiva.

Com Alckmin à frente do governo, a NIB irá para o centro das políticas públicas – o que não é mau. Haverá também o jogo tradicional da mídia, de trocar a implicância irracional contra Lula pelo exercício de lisonja, buscando cooptar Alckmin. O mesmo ocorrerá com a classe empresarial, contaminada pela campanha dos jornalões – cujo inacreditável sonho de consumo é o presidente argentino Milei.

Apesar da experiência atual, no entanto, Alckmin é historicamente um tucano – ainda que ligado à melhor face do PSDB, o grupo de Mário Covas.

Haverá desafios enormes de manter a coesão da equipe. Alckmin tem a vantagem de um histórico de lealdade, aliás, até o limite da ingenuidade – como se depreende das facadas que recebeu de José Serra e João Dória Jr. Mas tem também suas pessoas de confiança, que o acompanharam ao longo de sua carreira.

Certamente manterá Fernando Haddad na Fazenda. E terá boas relações com o próximo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Terá a boa oportunidade de, a partir da NIB, montar o aguardado Plano de Metas que falta ao governo Lula. Seria a espinha dorsal do governo, que poderia ser tocada por Alckmin, ou, em caso de recuperação de Lula, pelo próprio presidente.

Seja qual for o resultado, haverá uma guerra interna na base do governo, até que se clareie o quadro de saúde de Lula.

Laudo

Às 9 horas a equipe o Sirio Libanês deu uma coletiva com notícias tranquilizadoras sobre a recuperação de Lula.

Nota da redação: Este artigo foi publicado antes da coletiva de imprensa realizada pela equipe médica do Hospital Sírio Libanês, que esclareceu que o termo técnico usado para o procedimento em Lula é “trepanação”, uma cirurgia mais simples do que a “craniotomia” que havia circulado primeiro na imprensa. Os médicos explicaram que, no caso de Lula, o coágulo havia se formado entre camadas da meninge, a membrana que envolve e protege o encéfalo, ou seja, não atingiu o cérebro. Leia mais aqui.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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11 Comentários
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  1. Lalo Arias

    10 de dezembro de 2024 12:01 pm

    Seria bom ter esperado a entrevista da equipe médica que operou Lula antes de entronar Alckmin como novo presidente. De catastróficos a direita está lotada, não precisamos de mais um mal olhado.

  2. Vladimir

    10 de dezembro de 2024 12:10 pm

    Uma pessoa que foi governador do Estado de São Paulo por tanto tempo ,que disputou duas vezes a presidência da república,que foi eleito juntamente com o presidente Lula para a vice presidência da república para exercer o mandato até 2026,que é ministro de Estado,pode ser tudo,menos ingênuo. Os exemplos citados não referem-se a ingenuidade e sim ao mau caratismo que,não de graça,jogou essas pessoas no ostracismo.
    O vice,assim,se em algum momento for preciso,assumirá sua funções lembrando sempre que será a continuidade do governo e não um golpe como o famigerado mordomo de filme de terror com a presidenta Dilma.

  3. EDUARDO PEREIRA

    10 de dezembro de 2024 12:45 pm

    Galerada época da Internet não consegue avaliar a diferença básica entre o que acontece com o Lula e o que aconteceu com o Tancredo.
    No caso do Tancredo, tudo que não houve foi transparencia. Dormimos com o Tancredo e acordamos com o sarney.
    Agora , tudo fica claro pra não dar margem às fakenews que já circulam.

  4. José de Almeida Bispo

    10 de dezembro de 2024 1:33 pm

    De qualquer modo, Alckmin retomaria o salutar caminho que Aécio deveria ter tomado em 2014, e, incompetente, mergulhou o pais no caos ao sequer ter a ombridade de reconhecer a derrota. Só que Alckmin é paulista. E, presidente genuínamente da Bahia, Pernambuco, e principalmente de São Paulo… é complicado. Mas o filho de D. Lindu continua no jogo. Barco pra frente.

  5. Luiz Pontes

    10 de dezembro de 2024 3:14 pm

    Lamentável esse incidente, mas essa chapa Lula/Alckmin foi uma das armadilhas impostas à candidatura Lula pelas circunstâncias trazidas pelo crescimento da extrema direita. Seria impensável no passado, já q Alckmin fora um ferrenho crítico ao PT e Lula, além de defensor da Lava Jato. Importante também lembrar q durante o governo de Alckmin em são Paulo a polícia promoveu episódios de extrema violencia. Moraes, seu secretário de justiça teve participação fundamental em várias situações truculentas promovidas pelo governo de Geraldo e foi colaborador também de Kassab qdo este era prefeito da capital e q hoje representa uma força da direita, . O temor de todos nós com a ausência de Lula, ainda q o atual governo não tenha mostrado a q veio, seria o endurecimento da politica de segurança nos estados e o ataque ferrenho q Alckmin sofreria dos seus conterrâneos da Faria Lima em relação à economia, sem falar q em política externa voltaríamos ao anonimato. Caso Alckmin seja o novo presidente, também teremos o perigo da extrema direita rondando, já q Lira seria o próximo na sucessão presidencial e todos sabemos q ele teve um forte crush com os golpistas. Isso, sim, é preocupante.

  6. Cidadão sem Cidadania

    10 de dezembro de 2024 4:04 pm

    Ingenuidade, a essa hora, nao da mais, alkimin é o sonho dos comandantes militares quem realmente manda, se alkimin quiser desmontar o estado será fácil. A única pergunta que fica é, porque Lula escolheu alkimin?

  7. J.J.PONTO.MARCELO.E.PONTO !!!

    10 de dezembro de 2024 4:42 pm

    Nassif meu carro não é tão velho mas precisei encostar ele uma semana para dar um talento tinha muita coisa a fazer q sempre adiei,Nassif gastei mais de cinco mil ficou zero bala,engraçado q LEMBREI DO LULA AGORA!!!

  8. jjpontomarceloeponto!!!

    10 de dezembro de 2024 4:49 pm

    Quando li q Lula fez uma trepanaçâo te juro Nassif não li direito e tomei um susto pq entendi essa palavra com cunho sexual !!@

  9. Paulo Dantas

    10 de dezembro de 2024 6:12 pm

    “até o limite da ingenuidade” , bom era o Temer …

  10. Douglas da Mata

    10 de dezembro de 2024 8:06 pm

    Eu acho que Alckmin está mais para esquerda hoje que Lula.

    Aliás, exceto o Bozo e sua trupe, tido mundo está.

    Lula, Alckmin, Tarcísio são tudo a mesma b*sta.

    Mas Lula ainda é pior, porque há já esperança que fosse diferente.

    Ah, Golbery, ah, Golbery.

    1. Cidadão sem cidadania

      11 de dezembro de 2024 11:30 am

      A guerra psicológica, para montagem do mito Lula , foi bem sucedida, e ainda tem estudioso dos militares que afirmam que são incompetentes rsrs, imagina se esses caras fossem nacionalistas o Brasil seria bem melhor, porque bem ou mal, os caras são bons.

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