Os editoriais e as loas a Tarcísio de Freitas, por Luís Nassif

Indaguem dos editorialistas desses jornais, qual o projeto de Tarcísio para o estado, além da privatização selvagem dos serviços públicos

As loas dos editoriais da Folha e do Estadão ao governador Tarcísio de Freitas são a demonstração cabal do nível de emburrecimento a que chegou a antiga opinião pública esclarecida.

Para conquistar esse apoio, Tarcísio precisou apenas do anti-lulismo radical dos jornais paulistas, de declarações vazias – sobre aumento da eficiência com cortes de gastos -, e investidas contra a Casa do Menor e a Fundação Padre Anchieta, depois de ter desistido de cortes nos orçamentos das universidades estaduais e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo

É de uma burrice monumental.

Esses editorialistas não têm a menor preocupação em analisar o desempenho administrativo de Tarcísio, como se o anúncio de corte, por si, legitimasse o gestor. Não analisam os impactos nos setores cortados, indicadores de eficácia mínimos, os planos de investimento. Agem por impulso, como os ratos de Pavlov, sem um mínimo de capacidade de análise como se corte de despesas, em si, fosse indicador de eficiência.

A Polícia Militar paulista está sendo transformada em milícias, os massacres se multiplicam por todo o estado, o sistema escolar está ameaçado por essa loucura das escolas militares, ciência e tecnologia sob ameaça constante. Nada disso importa, desde que o governante escanda as palavras mágicas: corte de gastos.

É muita ignorância, aceitável para cidadãos sub-informados. Mas como é possível esses conceitos brandidos por editorialistas daqueles que, em outros tempos, foram os dois principais veículos de comunicação do país?

Um jornal que se preze deveria se fundar em indicadores de desempenho, em estatísticas, em métricas capazes de permitir a avaliação técnica de gestões públicas e privadas. Mas qualquer administrador, por mais medíocre que seja, será consagrado se pronunciar as palavras mágicas de cortes, de desprezo pelos bens públicos e, de preferência se se dispuser a bancar matérias pagas.

Tarcísio assumiu o governo com um caixa fornido, fruto da transferência de tributos do governo federal durante a pandemia. Antes disso, passou pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), deixando um rastro de negócios obscuros. Depois, tornou-se Ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, em uma das gestões mais medíocres da história moderna. Em 2022, 66% dos 110.333 km avaliados pela Confederação Nacional dos Transportes foram classificados como “regulares, ruins ou péssimos”. Apenas 8,9% das pistas estavam em perfeito estado, contra 91,1% apresentando defeitos.

Indaguem dos bravos editorialistas de ambos os jornais, qual o projeto de Tarcísio para o estado, além da privatização selvagem dos serviços públicos. Se quiserem ir pouco além do tarraplanismo ideológico, procurem saber por que Berlim reestatizou sua empresa de águas, assim como cidades espanholas entre 2015 e 2018 e Amsterdã em 2019.

Não há a menor ideia sobre as características das empresas públicas e privadas, quais setores são mais adequados para cada uma; nenhuma preocupação sobre o resultado final para a população, nada, apenas sopa de ideologismo rasteiro e de interesse econômico imediato.

E é assim que tentam emplacar o neobolsonarismo de Tarcísio. Mais à frente, quando se completar a milicialização da PM paulista, multiplicarem-se os massacres, explodirem os problemas ambientais, sem que haja uma ação preventiva por parte do governo, tratarão cada problema sem apontar as razões originais: sua cumplicidade com um governador inepto e irresponsável, cujas duas únicas características visíveis são estimular massacres e privatizações selvagens.

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Luis Nassif

11 Comentários

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  1. Nassif, Tarcísio vai muito bem, pois a opinião pública está dizendo que ele é bom. O que importa são as privatizações para a imprensa corrupta.

  2. Nada de novo nisso aí! Se recuarmos um pouco na história veremos que esse pessoal apoiou o golpe e a ditadura militar que perdurou no Brasil durante muito tempo, afinal, na cabeça deles, o comunismo era o mal maior, conforme ditava a Casa Branca.

    A metamorfose deles em “arautos da liberdade e da democracia” só iludiu, e ilude, os mais ingênuos.

  3. Anti petismo na veia. Novamente a procura frenética (já) por um candidato. Se deu errado com um Collor ou um Jair, faz parte do jogo. Análises consistentes pra quem ler? Sabem o público que têm e que querem atingir.
    De minha parte, que voto no Lula há décadas, torço para o PT conseguir entrar num acordo por um novo nome (40 anos já deve ter dado tempo). Renovar é preciso. Isso se não for o caso de compor.

  4. Ódio do povo que vota no PT. Ódio dos negros, índios e mestiços porque eles são muitos e estão em todos os lugares. Ódio dos pobres, porque eles exigem uma fatia modesta do orçamento. Ódio da democracia, regime político em que a minoria que detém a riqueza não consegue transformar automaticamente em poder político seu poder econômico. E sobretudo ódio da verdade, que obriga os monstros da elite tupiniquim a admitir sua própria monstruosidade. Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, dois refugos do Exército representam o que existe de mais fino em matéria de grossura. A merda fede, mas pode virar adubo. Isso explica porque os editorialistas da Folha e do Estadão são capazes de encontrar virtudes em ambos. Esses dois merdas também fedem, mas podem virar pagamentos de juros.

  5. Eu me pergunto como que alguém com um mínimo de instrução vota em criaturas como Bolsonaro e Tarcísio. Qual o projeto desses dois para o país e para SP? a resposta é simples: NENHUM. Nunca administração em botequim na vida e querem administrar um país. São criaturas fabricadas pelo capital especulativo, nada mais. São dejetos da ditadura. Seus eleitores são iguais e eles.

  6. No braZil da meRdiocrelite e da sua merDitocracia, onde a concentração de renda e riqueza é das piores do planeta (e olha que entre quase 200 países, estamos entre as 10 maiores economias do mundo!), a política não é o jogo de interesses da sociedade, da população brasileira, mas apenas uma política de NEGÓCIOS para poucos.
    Num país dos mais diversamente ricos do planeta, ainda disputando índices de desenvolvimento na rabeira com (infelizmente) miseráveis países africanos, é de se pensar se nossa pacificidade não requeira um deplorável desperdício de sangue, como de fato houve em outros gigantes. Será que uma geração roxa compensaria tantos séculos de gerações amarelas? Oh desprezível dúvida!

  7. PARABÉNS , LUIS NASSIF !!!!!
    Eu mandei para a TV TRIBUNA daqui de Santos, meus comentários também.
    Mas pra variar, nem respondem .
    Duas vezes perguntaram meu endereço e eu dei , mas não se manifestam .
    Gostei como você classificou os editorialistas, mas sempre que questiono se é ignorância ou má fé, acho mais provável a segunda opção .
    Grande abraço .

  8. “E o PT?”
    A velha e anacrônica elite paulista entrega o Brasil e especialmente São Paulo até ao ferrabrás. Desde que seja para os “livrar do vexame” de um “orelha seca” raiz, como Lula.
    Se não der com Tarcísio, os energúmenos poderosos e espertos, logo arrogantes e prepotentes vão de Bolsonaro mesmo.

  9. E como não bastasse, está lançando as escolas cívico militar no estado. Fico lembrando o que o Salvador Arena fez e comparando. Que país é esse.

  10. Obrigado, Luis por sua análise atenta e baseada em fatos. Fiquei porém com a impressão de que o seu questionamento sobre a incompetência e a posição extremadamente duvidosa dos jornais, designados por editorialistas, não passou disso mesmo: um questionamento.
    Depois de tanta ação articulada e encabeçada pelo governador paulista, eu somente tenho em mente a sucessão de ações não menos criminosas do anterior mandatário na Presidência do país, no decorrer do seu segundo ano (2020). Naquela altura, como hoje, devido à sucessão de ações criminosas sem consequências judiciais(!), chego à conclusão que a justiça não intervêm, simplesmente porque tanto a grande mídia e como a justiça obedecem em primeiro lugar e exclusivamente a interesses econômicos e financeiros (bancos e grupos econômicos).
    Por essa razão, se nós não ajudarmos o povo a entender esses mecanismos de manipulação e controlo para apontar caminhos de reação e organização popular, falhamos completamente.

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