10 de junho de 2026

Um Brasil que não conhece o Brasil, o Projeto Mover, por Luís Nassif

Laboratório em Minas Gerais atinge 70% do ciclo industrial de terras-raras, materiais cruciais para carros elétricos e defesa.

Os dados abaixo saíram de uma reportagem da Revista Fapesp, de outubro de 2025. por indicação do leitor Alexandre Grimmer Davis

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Um dos grandes desafios brasileiro é dominar o ciclo completo de produção de ímãs permanentes de terras-raras, passo essencial para defesa, energia limpa e mobilidade elétrica.

Os superímãs de neodímio-ferro-boro são usados em:

  • Motores de carros elétricos e turbinas eólicas
  • Equipamentos de defesa, como jatos e mísseis
  • Dispositivos eletrônicos, como celulares, discos rígidos e robôs
  • Fibras ópticas, catalisadores e marcadores biomédicos 

Esses ímãs são três vezes mais potentes que os convencionais e essenciais para tecnologias limpas e estratégicas.

Com esse objetivo, foi criado no ano passado o projeto CIT Senai ITR, sigla de Centro de Inovação e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Instituto de Ímãs de Terras-raras. Ele está instalado em um prédio de três andares em Lagoa Santa, município a 35 quilômetros de Belo Horizonte.

O laboratório foi criado há 8 anos pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), no governo Fernando Pimentel. Em 2023 o governo Zema, com sua extraordinária visão de passado, abriu mão do projeto, que foi adquirido pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), passando a gestão para o CIT Senai. Ele passou a operar em 2024.

Segundo André Pimenta de Farias, coordenador do projeto, já se domina, em escala-piloto, o ciclo tecnológico de produção do neodímio, ferro e boro, a liga metálica mais comum para a fabricação desses materiais. E já domina de 60% a 70% do processo industrial.

O CIT Senai ITR é um dos chamados projetos estruturantes que integram o programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação).

Vamos a alguns dados do Programa Mover, levantados por IA.

O que é o Programa MOVER?

O Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) foi instituído em 2024 para impulsionar a indústria automotiva nacional com foco em sustentabilidade, inovação e eficiência energética. Ele envolve:

  • Incentivos fiscais como IPI zerado para veículos sustentáveis 
  • Metas obrigatórias de eficiência energética e redução de emissões para veículos leves e pesados 
  • Rotulagem veicular obrigatória com dados sobre reciclabilidade e origem dos componentes
  • Investimentos públicos e privados que já ultrapassam R$ 190 bilhões, segundo a Anatel

O MagBras, que integra o MOVER, busca consolidar a cadeia produtiva de ímãs permanentes — da mineração ao produto final — com apoio de 38 instituições e orçamento de R$ 73 milhões

Geopolítica das terras-raras: Brasil entre China e EUA

  • A China domina 90% do refino mundial de terras-raras e 70% da produção
  • Os Estados Unidos criaram a Critical Minerals Alliance para reduzir a dependência chinesa, buscando acordos com países como Brasil, Ucrânia e Congo.
  • A guerra comercial entre China e EUA escalou em 2025, com sobretaxas e restrições à exportação de terras-raras
  • O Brasil detém a segunda maior reserva mundial, com cerca de 21 milhões de toneladas 

Essa posição coloca o Brasil como um potencial fornecedor estratégico — mas também como alvo de disputas comerciais e diplomáticas.

Caminhos para o Brasil avançar

Para transformar reservas em soberania tecnológica, o Brasil precisa:

  • Dominar o refino e separação química, hoje dependente da China
  • Criar um Fundo Nacional de Terras-Raras e Materiais Estratégicos
  • Estabelecer um arcabouço fiscal que incentive a importação de máquinas e equipamentos
  • Investir em transferência tecnológica e capacitação industrial 

Modelos de exploração de terras raras

CenárioCaracterísticasRisco / Oportunidade
1. Nacionalização plenaCriação do Fundo Nacional de Terras-Raras, cluster MG–GO–SP consolidado, PMEs integradas à cadeia.🚀 Independência parcial da China, atração de capital europeu.
2. Parceria controlada (modelo australiano)Investimento estrangeiro majoritário com controle local sobre refino e P&D.⚖️ Equilíbrio entre soberania e viabilidade econômica.
3. Subordinação comercialO Brasil exporta concentrado e importa ímãs prontos.⚠️ Perda estratégica e dependência estrutural.
4. Dualidade setorialNúcleo estratégico militar e científico autônomo, e mercado civil dependente.⚙️ Risco de concentração tecnológica e baixo spillover produtivo.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    14 de outubro de 2025 7:24 am

    Sobre Zema… esses agentes coloniais tem fixação pelo nanismo nacional. Ainda lembro de uma frase que li, lá pelos idos de 1980: “Se os industriais brasileiros tivessem um mínimo de patriotismo, em toda federação de indústria teria um busto de Delmiro Gouveia”. Eles, os coloniais e nanistas tem fixação em manter o país colônia. Entram em polvorosa a qualquer melhorazinha no ranking mundial. Estado mínino. Gente desprezível.

  2. grevista

    14 de outubro de 2025 12:09 pm

    Os governos Aécio-Anastasia desmontaram o CETEC-MG, entregando-o à FIEMG. O CETEC-MG havia sido criado como a resposta de Minas ao IPT. A depender da FIEMG, principalmente da atual direção de Flávio Roscoe, o CIT Senai ITR rapidamente será desmontado.

  3. Jose

    14 de outubro de 2025 1:51 pm

    Brasil tem que pensar seriamente em produzir armas nucleares, tudo o restante do mundo passam a respeitar(vê se alguém põe a cara com a ditadura da Coreia do Norte) entretanto contra Cuba e Venezuela todo dia. Embora a democracia brasileira é inegociável sem comparação com países descritos.

  4. Rui Ribeiro

    15 de outubro de 2025 8:45 am

    “Privatizem. A empresa brasileira de correios e telégrafos tem sido grande fomento de partidos medianos, corruptos e vendidos” – Marcelo Morinari, Curitiba PR.

    Então a culpa é do sofá e a solução é tirá-lo da sala, Marcelo? A culpa é dos Correios, não dos partidos medianos, corruptos e vendidos que abofelam os Correios?

  5. Silas Santos

    15 de outubro de 2025 5:47 pm

    Vamos dar um “prêmio” para os ‘eleitores’ desse Zema…

  6. Antonio Thome

    19 de outubro de 2025 2:41 pm

    Gostaria de me registrar.

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