5 de junho de 2026

Alcolumbre lidera articulação para rejeição histórica de Messias ao STF

Alcolumbre diz ter maioria para derrubar o nome de Lula e acelera votação impedir que governo alcance 41 votos exigidos
Davi Alcolumbre (DEM-AP). | Foto: Roque de Sá/Agência Senado

▸ Alcolumbre sinaliza rejeição histórica de indicado ao STF por Lula, ameaçando revés inédito desde 1988.

▸ Pressão no Senado aumenta após aprovação apertada de indicado da PGR por Lula, indicando resistência ao governo.

▸ Sabatina de Messias marcada para 10/12 gera corrida contra o tempo, com Alcolumbre mirando estratégia para inviabilizar votação.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizou a aliados ter o apoio necessário para rejeitar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A eventual derrota do nome escolhido pelo presidente Lula (PT) representaria um revés histórico: seria a primeira reprovação de uma indicação à Suprema Corte desde o fim do século 19 e a primeira desde a promulgação da Constituição de 1988, que estabeleceu o rito atual de sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e votação em Plenário no Congresso Nacional.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Uma derrota histórica no horizonte

Messias, atual Advogado-Geral da União, precisa conquistar 41 dos 81 votos no Plenário do Senado. Segundo relatos de senadores ouvidos pela Folhapress, o número de 60 votos contrários, mencionado por Alcolumbre em conversas privadas, é visto como exagerado, mas há maioria consolidada contra o nome.

A ofensiva do presidente do Senado mira o tempo: Alcolumbre pretende acelerar a votação no Plenário de forma a impedir que o governo alcance o quórum mínimo. Ele afirmou a aliados que Lula terá de “apostar corrida” para garantir os 41 votos necessários. A estratégia seria encerrar rapidamente a votação assim que o quórum for atingido.

A manobra é lida no governo como demonstração clara de resistência e como sinal de que Alcolumbre trabalha para viabilizar outra candidatura para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso: a do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Pressão após o recado da PGR

A escalada contra Messias acontece logo depois da aprovação apertada do procurador-geral da República, Paulo Gonet, também indicado por Lula. O placar de 45 a 26 foi interpretado por parlamentares como um “recado” ao Planalto para as próximas indicações.

Naquele dia, o próprio Alcolumbre demonstrou preocupação com a fragilidade da base governista. Ele pediu várias vezes que senadores permanecessem no plenário. “Tem que todo mundo ficar. Se alguém quiser viajar, mude para amanhã”, disse, receoso de uma derrota por falta de quórum, exatamente o mecanismo que agora cogita acionar contra Messias.

Corrida contra o tempo

A sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) está marcada para 10 de dezembro, com votação no mesmo dia. O Planalto considera o calendário curto demais para reverter resistências.

Alcolumbre tem dito a colegas que, embora a indicação seja prerrogativa do presidente da República, cabe ao Senado exercer “seu direito de concordar ou não”, em recado direto ao governo sobre a autonomia da Casa.

O presidente do Senado, no entanto, tem evitado encontrar Messias. Já o indicado vem realizando ligações e visitas a parlamentares, ouvindo de muitos que sua situação ficou delicada devido ao desgaste entre Alcolumbre e o governo, inclusive com Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo e ex-chefe do próprio Messias quando este atuou como assessor em seu gabinete.

Tentativas de negociação

Aliados de Lula afirmam que o presidente pode tentar uma reaproximação com Alcolumbre. Há espaços potenciais para composição, como cargos no Cade, na Agência Nacional de Águas, na CVM e até diretorias do Banco Central.

Mas o Planalto insiste que a vaga no STF é “inegociável”, e o governo teme abrir um precedente que fragilize a prerrogativa presidencial de indicar ministros para a Suprema Corte.

Movimentos de Messias e manobras regimentais

No esforço para desarmar resistências, Messias divulgou uma nota pública elogiando Alcolumbre. O gesto, porém, causou irritação no Senado. A resposta de Alcolumbre foi descrita como “fria”: uma nota oficial que sequer mencionou o nome do indicado.

Mesmo diante do cenário adverso, governistas ainda tentam estratégias de sobrevivência. Uma delas é recorrer a formalidades regimentais para empurrar a votação, contando com apoio do presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA).

Em conversas reservadas, Messias diz que não deveria ser “punido por uma crise entre Alcolumbre e o governo federal”. No Planalto, a avaliação ainda é de que a relação com o Senado, que já garantiu votações vitais ao governo, pode ser reconstruída.

LEIA TAMBÉM:

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

6 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Carlos

    28 de novembro de 2025 10:13 am

    Apesar de ter falado, parece que o reizinho do senado não quer concordar que a prerrogativa da indicação é do presidente da República.
    Claro que o senado pode ou não concordar, mas sem artinhas, como agora, e ouvindo as argumentações.
    Não é negar porque quero outro.
    Em tempo: já escrevi algumas vezes neste espaço que discordo da indicação pois este cidadão não me inspira confiança. Ainda mais com esta coisa de “evangélico”

    Prezado GGN, um alerta: não raro aparece para mim nome e e-mail de outra pessoa nos campos reservados para este fim

    1. AMBAR

      28 de novembro de 2025 5:12 pm

      Bom, a gente não sabe qual a graça que o Alcolumbre acha no Pacheco. Devem ser coisas do coração porque a prerrogativa de indicar ministros para a suprema corte ainda é do Presidente da República. Vai bater os pezinhos gordos mas não vai conseguir que o Lula indique o Pachecão. Por outro lado, por mais que o Lula confie no “Bessias”, a prudência recomenda que não o faça. Ele pode ser diligente, correto, confiável aparentemente, mas não está preparado para o STF, pelo menos não sob Lula. Seria mais confiável indicar um ou uma desconhecida, que se esforçaria para mostrar o melhor, do que esse que já se acredita incensado.

  2. Rui Ribeiro

    28 de novembro de 2025 11:12 am

    Qual a alegação para a não aprovação? Ou não é preciso fundamentação para reprovar o indicado, tipo: não tem notável saber jurídico ou reputação ilibada?

  3. Jose

    28 de novembro de 2025 12:33 pm

    Olha so o tipo de mala que domina o Congresso, a ORCRIM quer indicar ministros do STF

    OI

  4. emerson57

    28 de novembro de 2025 12:58 pm

    emerson57
    3 horas atrás
    Derrubado Messias, Lula deveria indicar:
    Carol Proner, (provavelmente seria derrubada),
    Pedro Serrano, (Idem),
    João Pedro Stedile, (!)
    Alysson Mascaro, (ibiden, e sucessivamente)
    E tendo todos os nomes negados pelo Senado de alcoolumbre , capitalizar politicamente perante a população.
    E mostrar de onde vem o impedimento de fazer mais e melhor para o povo!

    1. Jicxjo

      30 de novembro de 2025 7:17 am

      Lenio Steck…
      Eugênio Aragão…
      Wadih Damous…
      Felipe Santa Cruz…
      Marcelo Semer…

Recomendados para você

Recomendados