Com o movimento contra o Congresso, Centrão desiste de pressionar por ministérios

Deputados não querem ter a imagem negativa frente ao seu reduto eleitoral: muitos deles que votaram em Bolsonaro e que estarão nas manifestaçōes deste domingo

Foto: Luis Macedo/Câmara

Jornal GGN – Mais pelo receio do impacto ao eleitorado e menos por qualquer articulação do governo de Jair Bolsonaro em tema de governabilidade, o Centrão desistiu de pressionar pela recriação dos Ministérios e deverá ceder na votação desta quarta-feira (22) na Medida Provisória da reforma administrativa.

É que os partidos que formam o Centrão, ainda sem estarem completamente satisfeitos com as negociações já fechadas pelo mandatário Jair Bolsonaro, não querem ter a imagem negativa frente ao seu reduto eleitoral: muitos deles que votaram em Bolsonaro na disputa presidencial do ultimo ano.

Agora, este eleitorado irá se reunir no próximo domingo (26), para manifestações a favor do governo, como uma reação do outro lado ao recado dado por milhões de brasileiros nas ruas no último 15 de maio.

Evitando endossar o discurso da parcela do bolsonarismo que defende que o governo estaria encurralado, vítima de medidas decididas pelo Congresso e pelo Supremo Tribunal Federal – até agora a principal bandeira dos atos, estes parlamentares não querem ser postos contra a parede e desistiram de pressionar pela retomada dos ministérios cortados pelo mandatário.

O Centrão estava interessado nos comandos dos ministérios das Cidades e da Integração Nacional, ambos que teriam sido garantidos a eles caso fosse recuperado. Por outro lado, ainda mantêm a reivindicação de retirar o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) das mãos do ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Essa decisão teria sido fruto de um acordo fechado ontem (21), em duas reuniões entres lideres de partidos, incluindo o próprio presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Foi num desses encontros que Maia anunciou que romperia de vez com a liderança do governo na Camara, Major Vitor Hugo (PSL-GO) e que gerou um aumento da tensão entre o Legislativo e o Executivo.

O desgaste ocorre ainda em meio as recentes declarações de Bolsonaro para contentar seu eleitorado de críticas à “classe política”. O mandatário vem fazendo jogo duplo: ao mesmo tempo que alimenta as defesas de seus eleitores, contra essa “classe política”, até mesmo contra o STF, e contra as demais instituições do país, sabe que não pode se posicionar contra o Congresso, colocando a perdes todas as suas pautas de interesse em tramitação para serem aprovadas pelos parlamentares.

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Por isso, também nesta terça, Bolsonaro teria dito a ministros que não irá participar das manifestações convocadas para este domingo, em apoio a seu mandato. Outros integrantes do PSL, contudo, vem alimentando as redes sociais e convocando manifestantes para estarem presentes.

Ja a MP 870, sobre os ministérios que está para ser votada hoje, precisa de uma resposta o quanto antes, uma vez que no dia 3 de junho ela perde a validade e precisa ser aprovada tanto na Câmara, quanto no Senado. Caso contrário, o novo cenário da administração do governo precisará voltar a ser como era antes.

 

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