Guedes defende offshore e nega conflito de interesses

O ministro foi convocado após a série de reportagens Pandora Papers, do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que mostrou Guedes ser o fundador da Dreadnoughts International, nas Ilhas Virgens Britânicas.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, participa de audiência pública conjunta, de duas comissões da Câmara dos Deputados – Antônio Cruz/Agência Brasil

Jornal GGN – O ministro da Economia Paulo Guedes foi prestar esclarecimentos em audiência na Câmara sobre sua offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. O ministro defendeu a offshore como coisa ‘absolutamente legal’ e negou que haja conflitos de interesse entre seu cargo e sua empresa.

O ministro foi convocado após a série de reportagens Pandora Papers, do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que mostrou Guedes, como sócio da Bozano Investimentos, fundador da Dreadnoughts International, nas Ilhas Virgens Britânicas.

A reportagem mostrou que a empresa continua ativa e tinha um patrimônio de US$ 9,5 milhões em 2015.

Guedes foi convocado para falar sobre sua offshore nas Comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) e da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) da Câmara dos Deputados.

Ele confirmou que enviou dinheiro ao exterior em 2015, e uma única vez, e depois não mexeu mais no dinheiro. Afirmou que os valores são declarados à Receita Federal, ao Banco Central e que o Conselho de Ética da Presidência da República recebeu essas informações.

Negou que houvesse qualquer conflito de interesse. ‘A resposta é não, mil vezes não’, disse ele.

O ministro disse que seus parentes estão como acionistas e diretores da offshore por questões sucessórias. Assim evitaria que o fisco norte-americano, por exemplo, ficasse com grande parte do dinheiro em caso de morte, no imposto sobre herança. Sendo pessoa jurídica não há como recolher imposto sobre herança.

Segundo Guedes, os recursos e investimentos da offshore são geridos por um ‘blind trust’, sem interferência de sua família.

O patrimônio do ministro foi formado no mercado financeiro e na área da educação. Ele foi um dos fundadores do Banco Pactual e transacionou com escolas de ensino básico e superior. Segundo ele, já teria tido oportunidade de ir para o governo e não foi, por convite de Tancredo Neves, que morreu antes de governar. Disse ele que se quisesse ganhar com informação privilegiada teria ido antes para o governo.

Ao se desfazer de inúmeros investimentos no Brasil, abrindo mão do rendimento de capital, o ministro diz que perdeu dinheiro ao entrar no governo.

Ele afirma que há muita narrativa política, covardia e desrespeito aos fatos quando o assunto é a offshore. Diz que, mesmo com tudo declarado, o barulho não está parando.

Quanto à cotação do dólar, o ministro nega que tenha atuado para sua elevação e, com isso, lucrar com os recursos da sua offshore. Segundo ele, tensões políticas e pandemia fizeram o dólar disparar. Segundo ele, se quisesse ganhar com isso, teria deixado o Banco Central sob seu comando, e não independente.

Offshore é um instrumento legal quando declarada à Receita Federal.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também foi citado na reportagem como dono da Cor Assets S.A., no Panamá. Campos Neto havia declarado a empresa, além de outras, no exterior em audiência no Senado. Ele fechou a companhia no ano passado.

O artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, instituído em 2000, proíbe funcionários do alto escalão de manter aplicações financeiras, no Brasil ou no exterior, passíveis de ser afetadas por políticas governamentais.

O imposto sobre heranças, no Brasil, é estadual, e pode variar entre 2% e 8%. Resguardar o patrimônio da família para que não sofra baixas com má gestão e impostos sobre heranças pode ser feito com uma holding.

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2 Comentários

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Antonio Uchoa Neto

- 2021-11-23 17:07:49

Entre ser chamado de corrupto e esquizofrênico, o ministro prefere a segunda opção. Não, amigos, não há conflito de interesses na presente situação. O ministro tem alguns milhões lá fora. Como ministro, participa - quando não decide - questões que afetam a cotação do dólar. Quando este sobe, o ministro enriquece. Quando baixa, o ministro empobrece. Durante sua gestão, o dólar só faz subir. Skyrocketing, em sua língua mental natal. Informação privilegiada? Tô fora, diz o ministro. Se quisesse, já o teria feito, segundo disse. Esquizofrênico, corrupto jamais, o ministro não percebe que, com essa declaração, confirma que trata-se de expediente comum, já que afirma, implicitamente, que outros o fizeram. Mas ele, não. Apesar da offshore existir, ser dele, e estar enriquecendo-o. Quem controla tudo é o tal do blind trust. Chupa essa, Eduardo Cunha. Mas ele não se beneficia de nada disso. É uma vestal. É um homem decente, puro, honesto. Ou este governo é um governo de homens decentes, honestos, e íntegros, como o ministro, incompreendidos em seus propósitos puros e desinteressados, ou é um governo de esquizofrênicos. Mas de corruptos, jamais! Afinal, flagrados em plena safadeza da compra das vacinas, candidamente se justificam: 'Nenhuma negociação foi concretizada, portanto não houve corrupção!' Flagrado nos Pandora Papers, o ministro também se justifica: 'O BC não está sob meu comando! É o barulho político!' Para o qual ele não contribui em nada. Pelo contrário, vive dizendo que estamos em céu de brigadeiro, que o Brasil vai surpreender todo mundo. Vive em um mundo em forma de V. Parece aqueles videntes de fim de ano, e suas previsões altamente precisas: vai morrer um artista famoso, vai morrer um político famoso. Coisas que acontecem tão pouco, que até merecem status de previsão. E sempre podem ser retiradas da ribalta, e ser substituídas por uma novinha em folha: um ministro será demitido este ano. Ou no ano que vem, afinal previsões não tem prazo de validade. O BC sob seu controle? Apesar de, segundo ele, não mais ser banqueiro (e existe ex-banqueiro?), claro que não. Está sob o comando do Campos Neto. O fato de este ser, igualmente, proprietário de contas em offshore, é mero acaso, é só um detalhe, não tem nada a ver. Claro. Nós é que ficamos aqui, querendo ver chifre em testa de cavalo, e corruptos onde há, simplesmente, inocentes esquizofrênicos bem-intencionados. Queremos a todo custo, culpar a essa gente, boa, decente, honesta, pura, e abnegada, a culpa pelo nosso fracasso. Que sórdidos que somos. Não merecemos os nossos guedes, salles, camargos, lyras. Ia colocar outro sobrenome aí, mas chega de ironia. Tudo tem limite. Só não, ao que parece, a nossa vocação para boi manso. Pacatos, ordeiros, e a caminho do matadouro. Em versão bem magrinha, desnutrida, só pele e osso. Mas como tudo, até o nada, tem algum valor de mercado, e pode ser vendido, vamos em frente.

Antonio Uchoa Neto

- 2021-11-23 17:00:35

Entre ser chamado de corrupto e esquizofrênico, o ministro prefere a segunda opção. Não, amigos, não há conflito de interesses na presente situação. O ministro tem alguns milhões lá fora. Como ministro, participa - quando não decide - questões que afetam a cotação do dólar. Quando este sobe, o ministro enriquece. Quando baixa, o ministro empobrece. Durante sua gestão, o dólar só faz subir. Skyrocketing, em sua língua mental natal. Informação privilegiada? Tô fora, diz o ministro. Se quisesse, já o teria feito, segundo disse. Esquizofrênico, corrupto jamais, o ministro não percebe que, com essa declaração, confirma que trata-se de expediente comum, já que afirma, implicitamente, que outros o fizeram. Mas ele, não. Apesar da offshore existir, ser dele, e estar enriquecendo-o. Quem controla tudo é o tal do blind trust. Chupa essa, Eduardo Cunha. Mas ele não se beneficia de nada disso. É uma vestal. É um homem decente, puro, honesto. Ou este governo é um governo de homens decentes, honestos, e íntegros, como o ministro, incompreendidos em seus propósitos puros e desinteressados, ou é um governo de esquizofrênicos. Mas de corruptos, jamais! Afinal, flagrados em plena safadeza da compra das vacinas, candidamente se justificam: 'Nenhuma negociação foi concretizada, portanto não houve corrupção!' Flagrado nos Pandora Papers, o ministro também se justifica: 'O BC não está sob meu comando! É o barulho político!' Para o qual ele não contribui em nada. Pelo contrário, vive dizendo que estamos em céu de brigadeiro, que o Brasil vai surpreender todo mundo. Vive em um mundo em forma de V. Parece aqueles videntes de fim de ano, e suas previsões altamente precisas: vai morrer um artista famoso, vai morrer um político famoso. Coisas que acontecem tão pouco, que até merecem status de previsão. E sempre podem ser retiradas da ribalta, e ser substituídas por uma novinha em folha: um ministro será demitido este ano. Ou no ano que vem, afinal previsões não tem prazo de validade. O BC sob seu controle? Apesar de, segundo ele, não mais ser banqueiro (e existe ex-banqueiro?), claro que não. Está sob o comando do Campos Neto. O fato de este ser, igualmente, proprietário de contas em offshore, é mero acaso, é só um detalhe, não tem nada a ver. Claro. Nós é que ficamos aqui, querendo ver chifre em testa de cavalo, e corruptos onde há, simplesmente, inocentes esquizofrênicos bem-intencionados. Queremos a todo custo, culpar a essa gente, boa, decente, honesta, pura, e abnegada, a culpa pelo nosso fracasso. Que sórdidos que somos. Não merecemos os nossos guedes, salles, camargos, lyras. Ia colocar outro sobrenome aí, mas chega de ironia. Tudo tem limite. Só não, ao que parece, a nossa vocação para cordeirinhos.

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