Jornal GGN – O Projeto de Lei do Marco Civil da Internet foi aprovado no Senado, em meio a discussões e encruzilhadas eleitorais. O texto caminha para uma aprovação há pelo menos 6 meses, e chegar à sanção da presidente, Dilma Rousseff, hoje (23), é de fato uma conquista. Entretanto, nenhuma medida provisória, emenda constitucional ou projeto de lei será sancionado até outubro deste ano, sem que haja claras intenções eleitorais, ou pelo menos com seu percurso cercado por elas.
A bancada oposicionista deu partida a essa briga no Congresso, quando resolveu retomar as investigações da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobrás, o lançamento de plataformas inacabadas e a denúncia de pagamento de propina a funcionários da estatal. A pressão veio forte para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
E a bancada governista aderiu à disputa. Levou para a CPI uma discussão ampla que atacaria todos os pré-candidatos a presidência: investigando também a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, no governo de Eduardo Campos, e os contratos de trens e metrôs de São Paulo, interferindo no pré-candidato tucano, Aécio Neves.
A imprensa, contudo, também se associou ao embate eleitoral, mantendo-se inflamada para os ataques ao PT, principalmente sobre o episódio de Pasadena ou, por exemplo, quando distorceu a entrevista coletiva de Lula sobre a defesa da Petrobras.
E nessa arena, o Marco Civil da Internet, um assunto que vem sendo discutido desde 2011 apenas na Câmara, e que se viu com certezas de concretização só esta semana (22), também sofreu os apelos das imagens pré-campanha. A corrida contra o tempo pela base aliada no Senado teve uma justificativa: um evento internacional sobre a liberdade da internet é abrigado em São Paulo – o NET Mundial, e teve início hoje.

“O encontro internacional será premiado com a grande legislação que o Brasil oferecerá para o mundo amanhã”, resumiu as intenções o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), ontem. A presidente Dilma Rousseff teve em mãos a sanção do projeto, levando-o ao evento internacional.
Braga também se viu em uma encruzilhada. No início do ano, o principal partido aliado de Dilma – o PMDB – foi agente de uma mobilização contra o PT no Congresso. Liderado por Eduardo Cunha, o chamado “blocão” aderiu partidos governistas que estavam insatisfeitos com o partido de Dilma e formaram uma barreira para a não votação de diversos projetos, principalmente na Câmara, e também para a criação da CPI da Petrobrás.
Diante da possibilidade de desestabilizar a mais forte aliança, o PT recorreu a estratégias emergenciais. A posse do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, foi uma delas, com o objetivo de mediar as negociações no Congresso, principalmente a crise com o PMDB.
A presidente também manteve esforços na relação, ressaltando “o importante trabalho da bancada aliada”, que aprovou projetos como a Lei de Acesso à Informação, a criação da Comissão Nacional da Verdade, e o próprio Marco Civil na Câmara.
Diante desse cenário, Eduardo Braga (PMDB-AM) anuncia, no fim de janeiro deste ano, a pré-candidatura ao governo do Amazonas. Com vistas a desatar articulações políticas para o pleito de outubro, Braga não se arriscaria a barrar o projeto-bandeira da campanha de Dilma – a sanção do Marco Civil da Internet.
E foi a base aliada no Senado que garantiu, ontem (22), a inversão da pauta, com aprovação da ampla maioria: 46 votos favoráveis contra 15.
Enquanto o relator do Projeto de Lei no Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), afirmava que aprovar era “urgente e preciso”, Braga tinha em mãos a possibilidade de uma emenda que obrigaria o retorno do projeto à Câmara dos Deputados. Trata-se de uma mudança no artigo 10, tornando explícito que as “autoridades administrativas” que podem ter acesso aos dados da internet fossem “os delegados de polícia e o Ministério Público”.
Entretanto, o senador desistiu. Ele garantiu que haverá oportunidades para ajustar o texto no futuro, com medidas provisórias.
“O resultado foi um texto maduro, equilibrado e inteligente, que balanceia os direitos e obrigações dos usuários”, concluiu Ferraço, do partido aliado.

Na mesma linha, sem poder contrariar o Marco Civil, posicionou-se a oposição. O senador do PSDB e pré-candidato a presidência, Aécio Neves, quis evitar a responsabilização de barrar um importante projeto de lei, que contou com a colaboração da população para o seu conteúdo. O partido acabou votando a favor do texto final.
“Infelizmente, o rolo compressor [do governo] prevaleceu. Mas o novo Marco da Internet é, sem dúvida, um avanço porque mantém a neutralidade da rede, que é uma vitória de toda a sociedade”, disse Aécio Neves.
Dessa forma, as consequentes tentativas de o projeto não ser aprovado até o Encontro Global Multissetorial sobre o Futuro da Governança da Internet (NET Mundial) fracassaram. A lei que protegerá a liberdade da internet, a regulação dela, o direito à privacidade e a neutralidade da rede, enfim, passa a valer. Por outro lado, o Congresso persiste como veículo de estratégia eleitoral, a favor dos interesses das pré-campanhas.
Ivan de Union
23 de abril de 2014 9:29 pmDERRUBEM A BASE ALIADA DE
DERRUBEM A BASE ALIADA DE TRAIRAS INTEIRINHA.
Mauro Segundo 2
23 de abril de 2014 9:49 pmE o9 projeto do direito de
E o9 projeto do direito de resposta do requião, que dorme em alguma gaveta na câmara? nada do governo priorizá-lo?
É incrível que vamos encarar MAIS UMA campanha eleitoral sem direito a resposta das mentiras da mídia!!!
Lucinei
24 de abril de 2014 1:35 amÉ verdade.
O projeto andou
É verdade.
O projeto andou porque a imprensa e as tvs não fizeram campanha contra; interessava não permitir que as teles se fortalecessem. Por isso que o psdb não criou muita dificuldade. O eduardo cunha e o centrão ficaram pendurados na brocha.
Duvido que se consiga isso para regular direito de resposta.
ATT
23 de abril de 2014 9:50 pmMudanças futuras à base de m.p.’s?
O senador Ricardo Ferraço, diz-se, então, tranquilo ante à possibilidade de, no futuro, alterar a lei com medidas provisórias?
Não podemos permitir, fiquemos de olho!
Maria Fulô
23 de abril de 2014 10:56 pmPróximo passo: Acompanhar a
Próximo passo: Acompanhar a cara amarela que Aécio fará, “vibrando” com o Brasil na Copa (sim… haverá Copa…) mas torcendo desesperadamente pela Argentina… Ele e toda a grande Imprensa brasileira. Vai ser engraçado… porque se tem uma coisa que torcedor saca no ato, é torcida fingida e dissimulada.
Marcos Ghislandi
23 de abril de 2014 11:35 pmNassif, jà que as campanhas
Nassif, jà que as campanhas estão a pleno vapor e a maioria da corrupção que se observa se dá por intermédio de apadrinhados em cargo de comissão, gostaria de propor discussão sobre o tema. No meu entender o maior problema dos governos em todas as esferas.
Alexandre Weber - Santos -SP
24 de abril de 2014 2:03 amPresidênciavel banana
O Aécio tomou um esculacho de gente grande do senador do Rio de Janeiro, ficou pianinho, foi preciso vir um senandor aliado para salvá-lo do vexame.
Este é o candidato a Presidênte do PSDB, um frouxo?
Alexandre Weber - Santos -SP
24 de abril de 2014 2:07 amO vídeo
[video:https://www.youtube.com/watch?v=XGfuDZDAWAk%5D
Marco Civil em vigor, frustrada manobra de Aécio Neves que resultou em bate-boca; veja
publicado em 23 de abril de 2014 às 15:30
Quarta-feira, 23 de abril de 2014 às 12:01 (Última atualização: 23/04/2014 às 12:05:52)
Dilma sanciona o Marco Civil da Internet
do blog do Planalto
A presidenta Dilma Rousseff sancionou nesta quarta-feira (23), em São Paulo, durante o Encontro Multissetorial Global Sobre o Futuro da Governança da Internet (NetMundial), o Marco Civil da Internet. Segundo Dilma, o Brasil tem muito a contribuir no processo de construção de uma nova governança da Internet a partir do amplo processo interno que resultou na lei do Marco Civil da Internet.
“O Brasil tem muito a contribuir, a partir do amplo processo interno que resultou na lei do Marco Civil da Internet, aprovada ontem pelo Congresso Nacional e que tenho a honra de sancionar, aqui, neste evento. A lei, que Sir Tim Berners-Lee considerou ‘um presente para a web em seu 25º aniversário’, demonstra a viabilidade e o sucesso de discussões abertas e multissetoriais, bem como da utilização inovadora da Internet como plataforma interativa de debates”.
Dilma lembrou que o Marco Civil consagra a neutralidade de rede, ao estabelecer que as empresas de telecomunicações devem tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação. Disse ainda que as empresas também não podem bloquear, monitorar, filtrar ou analisar o conteúdo dos pacotes de dados.
“O Marco Civil protege a privacidade dos cidadãos, tanto na relação com o governo quanto nas relações com empresas que atuam na Internet. As comunicações sao invioláveis, salvo por ordem judicial específica. A lei traz, ainda, regras claras para a retirada de conteúdo na rede. O Marco Civil, exemplo de que o desenvolvimento da Internet não pode prescindir dos Estados nacionais, é uma referência inovadora porque, em seu processo de elaboração, ecoaram as vozes das ruas, das redes e das instituições”.
Da redação
O senador Aécio Neves queria adiar por um mês a votação no Senado, alegando que o projeto aprovado na Câmara poderia ser “aprimorado”; isso negaria à presidente/candidata Dilma Rousseff a oportunidade de sancionar o Marco Civil da Internet durante evento internacional sobre governança da rede em São Paulo.
Aécio envolveu-se em bate boca com o senador petista Lindberg Farias.
Segundo apurou o Conversa Afiada, Aécio teve 35 ausências nos anos de 2012 e 2013, contra 7 de Lindberg no mesmo período. Já o senador tucano Mário Couto, que aponta o dedo para Lindberg — ver o vídeo abaixo — faltou 73 vezes!
Ivan de Union
24 de abril de 2014 10:29 amEm termos estritamente
Em termos estritamente retoricos, o que Aecio fala eh… cavalo de Troia. Se ta pronto, porque nao votar? Isso ele nao explica exceto que “foram anos de discussao” e ele se sente “impedido de legislar” porque “nos” (a oposicao) temos amendas a fazer -nao houve tempo antes?
Nao, eh obvio que Aecio e a oposicao querem empacar o projeto.
Alexandre Weber - Santos -SP
24 de abril de 2014 2:14 amO repto americano imediato ao marco civil da internet
FCC mulls ‘pay-for-play’ Net neutrality rules
By Jeffry Bartash
WASHINGTON (MarketWatch) – Federal regulators reportedly might allow websites to pay Internet providers for speedier access to consumers under a new “Net neutrality” proposal by the Federal Communications Commission. The Wall Street Journal on Wednesday reported that Internet providers such as Comcast or AT&T would not be allowed to slow or block access to any website, but they would be able to give some content companies like, say, Netflix, special treatment in exchange for payment. Such arrangements would be have to be open to any website or content provider under similar financial terms subject to approval by the FCC. Internet providers have complained frequently about some websites generating more traffic than others and putting on strain on their networks. They’ve argued in the past for the right to charge fees to popular websites that generate an outside portion of traffic. Although content companies have often fought the idea, some appear more willing to accept such an arrangement. What the FCC wants to guard against, however, is the possibility that Internet providers will pressue content companies like Google to pay up or face the threat of slower connections for consumers.
Maria Fulô
24 de abril de 2014 10:29 amInteressante que a grande
Interessante que a grande Imprensa, daqui e de lá, com tanto interesse próprio nesta questão, tenta “informar” o que acontece… É pândego.