5 de junho de 2026

Oposição transforma Comissão em “República do Galeão”, por J. Carlos de Assis

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Oposição transforma Comissão em “República do Galeão”

Contando com  a boa vontade do então “rebelado” Renan Calheiros e a conivência do PMDB, a oposição ganhou o comando da Comissão de Relações Exteriores e  Defesa Nacional, no início desta legislatura. O PSDB, com a companhia domesticada do DEM, insinuou que pretendia a direção da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle. Evidentemente, pouco interessado na natureza ou na defesa dos brasileiros  contra os abusos dos bancos, das telefônicas e, sim,  de olho na fiscalização e controle da administração pública federal. Afinal, foi através da CMA que a oposição tentou convocar para audiências públicas, na legislatura passada, quase todos os ministros de Dilma e dirigentes das estatais.

Como o repentinamente generoso Renan Calheiros comprometeu-se a acatar a ideia de proporcionalidade na distribuição do comando das comissões– coisa que ele desprezou na eleição da mesa, passando como um rolo compactador sobre PSDB e DEM– coube  à oposição a chefia de uma delas. O flerte com a CMA foi pura negaça, pois  a oposição sabia que a base governista já havia se articulado para comandar o colegiado.  Restou, então,  a Comissão de Relações Exteriores, verdadeiro objetivo dos demo-tucanos.

E, desde a primeira reunião, DEM-PSDB deixaram transparente, sem qualquer rebuço a que vieram à CRE. Requerimentos de convocação do ministro das Relações Exteriores e de  embaixadores; suspensão de audiências públicas para ouvir  diplomatas indicados a embaixadas em países africanos – com os  indicados  já no plenário da comissão; proposta de enxugamento das embaixadas brasileiras, especialmente em países menos desenvolvidos, sob a alegação  de “falta de retorno comercial”;  pedidos de informação sobre empréstimos do governo brasileiro a países africanos e à Cuba (Porto de Mariel); nomeação pelo presidente da comissão, Aloísio Nunes, do diplomata Eduardo Sabóia como seu assessor especial (para relembrar: Sabóia foi quem ajudou o ex-senador boliviano  Roger Molina a fugir da embaixada brasileira em Bogotá); aprovação de pautas dando prioridade ao debate de acordos bilaterais do Brasil com os Estados Unidos e alguns países europeus, em detrimento do Mercosul, Unasul e Brics; proposta de uma política exterior brasileira “antiterceiromundista”; críticas às posições brasileiras em relação ao Oriente Médio e ao Irã; defesa de retorno à política de alinhamento aos Estados Unidos e à Europa Ocidental,  “o nosso lado”, como disse um senador do DEM.

Assim por diante. Em poucas sessões,  desde que PSDB-DEM assumiram  o comando da Comissão e Relações Exteriores do Senado, o colegiado transformou-se no bastião dos conservadores. É claro, a política exterior é trampolim para as questões internas, onde a construção do caminho para o impeachment  da presidente é o interesse central.

Seis senadores destacam-se nessa contrafação de “República do Galeão”: Aloysio Nunes Ferreira, Tasso Jereissati, Ronaldo Caiado, José Agripino, Ricardo Ferraço e Ataídes Oliveira, que herdou a cadeira do falecido João Ribeiro e mantém viva no Senado a tradição vociferante  e espumante de  Artur Virgílio, Mão Santa e Mário Couto.

Ricardo Ferraço presidiu a CRE na legislatura anterior e distinguiu-se por duas iniciativas: trazer William Waack para debater com os senadores “ a necessidade de mudança do foco da política  exterior brasileira, do Mercosul para os acordos bilaterais com  os Estados Unidos”; e a ex-deputada venezuelana  Maria Corina Machado, para criticar as relações do governo brasileiro com  a “ditadura chavista”. Conforme veteranos membros da CRE, a “palestra” de William Waach representou certamente o momento mais constrangedor de toda a história da comissão. Já o desempenho de Corina decepcionou os que pretendiam fazer dela santa heroína da cruzada anti-Venezuela.

Pois é, quem  imaginaria que Aloysio Nunes Ferreira um  dia, certo dia, faria o papel dos inquisidores do Galeão e lideraria o alinhamento incondicional da Brasil  com o Império?

 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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14 Comentários
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  1. Ivan de Union

    28 de abril de 2015 8:51 pm

    (O que eh “Galeao”?!?!)

    (O que eh “Galeao”?!?!)

    1. Enlameado

      29 de abril de 2015 6:03 pm

      O Galeão como base aérea da Aeronáutica virou “república” em 54

      Como hoje, à semelhança da atual “república do Paraná”, a base serviu de palco para as investigações sobre a morte do major Vaz, da Aeronáutica, acompanhante de Carlos Lacerda, no atentado da rua Tonelero.

      As investigações tornaram-se desenfreadas (como hoje) e apesar dos conselhos, Getúlio (um ex-ditador, então eleito pelo voto popular) embora pudesse (chefe das FA), seguiu firme em não interferir nas investigações (como hoje), levando à oportunidade de intensa campanha midiática (como hoje), capitaneadas por Carlos Lacerda (mal copiado hoje) e seu “mar de lama” (como hoje).

      O drible da vaca de GV foi dar-se um tiro, “saindo da vida e entrando para a História”.

      Notar que só a última frase não contém a nota “(como hoje)”.

      Afinal a atual oposição (que é herdeira da mesma de 30, 54, 64 e nunca saiu do “puder” de fato) sequer criatividade tem.

      A secular mediocridade plutoligárquica de sempre, que não nos deixa ocupar o lugar que podemos no mundo.

      1. Ivan de Union

        29 de abril de 2015 7:16 pm

        Uau!
        Muitissimo obrigado,

        Uau!

        Muitissimo obrigado, PolidoELustrado!

        1. Enlameado Polido E. Lustrado

          29 de abril de 2015 7:43 pm

          Um pequeno mas importante ajuste!

          Onde se lê “de 30…”, leia-se:

          “de antes de 30, de 32, 54, 64, 94 …”

    2. jorge cavalcante

      3 de maio de 2015 3:00 pm

      República do Galeão

      Indignado com a violência dos ataques pela imprensa, rádio e televisão (na TV-Tupi do Rio de Janeiro) movidos por Carlos Lacerda contra seu patrão Getúlio Vargas, o chefe da guarda palaciana Gregório Fortunato, contratou dois pistoleiros para executarem Carlos Lacerda. Na noite de 5 de agosto de 1954 quando o jornalista se aproximava do seu apartamento, na Rua Toneleros, foi vítima de um atentado. As balas que mal o feriram no pé foram no entanto mortais para o major Rubens Vaz da FAB que lhe fazia informalmente o papel de segurança. Imediatamente todas as evidências voltaram-se para o Palácio do Catete, sede do governo no Distrito Federal. Oficiais da FAB resolveram fazer um inquérito por conta própria visto que alegavam não poder confiar na polícia de Vargas. Formou-se a chamada “República do Galeão”, um inquérito dirigido por integrantes da FAB a revelia das autoridades constituídas. Em pouco tempo os criminosos foram detidos e Gregório Fortunato preso. O poder de Vargas esvaziou-se por completo. Antes de suicidar-se já estava politicamente morto.

    3. jorge cavalcante

      3 de maio de 2015 3:00 pm

      República do Galeão

      Indignado com a violência dos ataques pela imprensa, rádio e televisão (na TV-Tupi do Rio de Janeiro) movidos por Carlos Lacerda contra seu patrão Getúlio Vargas, o chefe da guarda palaciana Gregório Fortunato, contratou dois pistoleiros para executarem Carlos Lacerda. Na noite de 5 de agosto de 1954 quando o jornalista se aproximava do seu apartamento, na Rua Toneleros, foi vítima de um atentado. As balas que mal o feriram no pé foram no entanto mortais para o major Rubens Vaz da FAB que lhe fazia informalmente o papel de segurança. Imediatamente todas as evidências voltaram-se para o Palácio do Catete, sede do governo no Distrito Federal. Oficiais da FAB resolveram fazer um inquérito por conta própria visto que alegavam não poder confiar na polícia de Vargas. Formou-se a chamada “República do Galeão”, um inquérito dirigido por integrantes da FAB a revelia das autoridades constituídas. Em pouco tempo os criminosos foram detidos e Gregório Fortunato preso. O poder de Vargas esvaziou-se por completo. Antes de suicidar-se já estava politicamente morto.

  2. MAAR

    28 de abril de 2015 9:16 pm

    TRAIDORES DA PÁTRIA

    Sabotar a implantação e funcionamento do BRICS constitui crime de lesa pátria, pois significa impedir a ampliação das possibilidades de desenvolvimento da economia brasileira. Isso implica desperdiçar excelentes oportunidades de incrementar os investimentos produtivos, a demanda agregada e a evolução tecnológica. Ademais, atrelar as estratégias geopolíticas do Brasil aos interesses da plutocracia belicista norte americana é subjugar a nação brasileira sob as garras do imperialismo predatório.

  3. Lucinei

    28 de abril de 2015 10:17 pm

    Esse está longe de ser um

    Esse está longe de ser um grande problema pro governo. Cada vez que essa oposição convoca ou convida alguém do governo ou qualquer outro para a Comissão ela passa mais e mais vergonha.

    Por mais que esse pessoal da oposição olhe tanto pra fora e seja tão interessada em assuntos externos, não enxergam é nada; têm a visão compleetamnete distorcida. Quando falam entre eles e com os jornais ficam cheios de si. Quando na Comissão desatam essas infantilidades de “Cuba”, Venezuela”, “a favor ou contra os EEUU”, etc, levam uma surra de criar bicho. Ronaldo Caiado, então, dá até pena. Quando ele começa a falar dá até pra notar em volta dele os risinhos do tipo “como é que pode, um cara grande, velho já, ser bobo desse jeito, um imbecil completo” e ele ficando cada vez mais surtado…

    Essas reuniões até agora só servem mesmo pra imprensa recortar e colar frases.

  4. Severino Januário

    28 de abril de 2015 10:24 pm

    Ninguém se engane, estas

    Ninguém se engane, estas pessoas são brasileiras, mas não trabalham para o Brasil. Estas pessoas tentarão dificultar as atividades e os empreendimentos das Forças Armadas no sentido de dotar o Brasil de força dissuasiva correspondente à sua importância no cenário geopolítico mundial. No que puderem, deverão dificultar ou até mesmo empacar alguns projetos da Defesa Nacional, abrindo espaço para que nações concorrentes se instalem em setores importantes dos oceanos, das cidades e das florestas brasileiras. Com certeza correm perigo o projeto do submarino nuclear e o projeto aeroespacial brasileiro.

  5. wposnik

    28 de abril de 2015 10:56 pm

    O FHC de ontem, de hoje e de sempre !

    Fazia um bom tempo que não ouvia falar do meu amigo Benedito – para os não íntimos, José Benedito Pires Trindade. Ex-Assessor de Imprensa do também ex-Governador Roberto Requião. Ao que parece ele está bastante enfronhado com as coisas do Senado. Provavelmente, bem próximo do Mestre, Irmão do meu mui amigo – dos velhos tempo do movimento estudantil da UFPR, de Curitiba e do final dos anos 1960, José Antonio Trindade. Grande dupla. Benedito que nos velhos tempos, até me deu refúgio no CRUSP, nas minhas idas a São Paulo. Tempo em que, em meio à minha graduação em Ciências Sociais, pretendia me transferir para lá. Numa de minhas idas com esse propósito, acabei conversando com a ‘coisa’ do FHC – que era o professor de plantão’ para assuntos de transferências … E foi ele que me deu a ‘triste’ notícia de que, entre uma ida a SP verificar o que era necessário pata a tal transferência, volta a Curitiba para povidenciar a documentação toda e tentativa de encaminhamento da papelada na USP, teria havido uma reunião do Conselho Universitário, a qual determinou que só seriam aceitas transferências de militares e servidores federais tranferidos no seu trabalho … FHC bem antes, já me dava asia; depois disso, passou a ser o capeta … Contudo, ambas essas ‘condições’ não são nada diferentes do FHC real, do conhecimento de todos os brasileiros, uma espécie de ‘estrupício’ político – o bode na nossa sala.

     

  6. Antonio C.

    29 de abril de 2015 12:38 am

    Comentário.

    Como a Oposição não tem proposta, perseguir é a proposta…

  7. Álvaro Noites

    29 de abril de 2015 7:33 pm

    Na falta de propostas e,


    Na falta de propostas e, certamente, votos, o negócio é sabotar o país para atender os patrocinadores.

    Esse Aloysio Nunes é uma pessoa má, ponto.

  8. fabio GM

    29 de abril de 2015 7:45 pm

    Ser

    Acho que muitos aqui se esquecem o que quer dizer oposição, então vou dizer,

    A oposição a um governo deve apresentar propostas e ideias que vão ser o oposto do  apresentado pelo governo. Achar que eles fazem algo diferente disto é viver uma ilusão, ou pior, achar que um pais pode viver sem oposição, é preferir que seja uma Ditadura.  

  9. RCX

    30 de abril de 2015 3:54 am

    Gostei! Aprendi muito.

    Gostei! Aprendi muito.

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