Covid-19 – Como e por que a combinação ‘uso de máscara + vacinação’ segue na ordem do dia.
Por Felipe A. P. L. Costa [*].
RESUMO. – Este artigo atualiza as estatísticas mundiais a respeito da pandemia da Covid-19 divulgadas em artigo anterior (aqui). E o mais importante: No caso específico do Brasil, o artigo também atualiza os valores das taxas de crescimento. Entre 11 e 17/7, essas taxas ficaram em 0,1748% (casos) e 0,0368% (mortes). A primeira caiu; a segunda arrefeceu. São boas notícias. Mas não sei dizer, ao menos por ora, o quanto essas mudanças de trajetória se devem a retomada de hábitos básicos de higiene (notadamente o uso de máscara). Uma coisa é certa: A combinação ‘uso de máscara + vacinação’ segue na ordem do dia.
*
1. ESTATÍSTICAS MUNDIAIS: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES.
Levando em conta as estatísticas obtidas na noite de ontem (17/7) [1], eis um balanço da situação mundial.
(A) – Em números absolutos, os 20 países [2] mais afetados estão a concentrar 73% dos casos (de um total de 562.318.517) e 70% das mortes (de um total de 6.369.354) [3].
(B) – Nesses 20 países, 384 milhões de indivíduos receberam alta, o que corresponde a 93% dos casos. Em escala global, 538 milhões de indivíduos já receberam alta.
(C) Olhando apenas para as estatísticas das últimas quatro semanas, eis um resumo da situação: (i) em números absolutos, a lista está a ser liderada pelos Estados Unidos, com 3,2 milhões de novos casos; (ii) entre os cinco primeiros dessa lista, estão ainda os seguintes países: França (2,6 milhões), Alemanha (2,49), Itália (2,23) e Brasil (1,69); e (iii) a lista dos países com mais mortes segue a ser liderada pelos EUA (10,12 mil); em seguida aparecem Brasil (6,6 mil), Taiwan (3,05), Alemanha (2,36) e Itália (2,14).
2. ESTATÍSTICAS BRASILEIRAS: SEMANA 11-17/7/22.
Ontem (17/7), de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, foram registrados em todo o país mais 10.852 casos e 55 mortes. Teríamos chegado assim a um total de 33.301.118 casos e 675.347 mortes.
Na semana encerrada no domingo (11-17/7), foram registrados 404.654 novos casos e 1.737 mortes. (Na semana anterior, 4-10/7, foram 406.042 novos casos e 1.699 mortes.)
3. O RITMO DA PANDEMIA EM TERRAS BRASILEIRAS.
Para monitorar de perto o ritmo e o rumo da pandemia, sigo a usar como guias as taxas de crescimento no número de casos e de mortes.
Vejamos os resultados mais recentes.
A taxa de crescimento no número de casos caiu de 0,1776% (4-10/7) para 0,1748% (11-17/7) (ver a figura que acompanha este artigo) [4].
É uma notícia auspiciosa. Sobretudo se levarmos em conta que (surpreendentemente) todos os estados divulgaram as suas estatísticas ontem (17), ao contrário do que ocorreu nos domingos anteriores.
A taxa de crescimento no número de mortes, por sua vez, subiu de 0,0361% (4-10/7) para 0,0368% (11-17/7). (A rigor, não seria exagero dizer que houve uma ligeira flutuação amostral.)
*
FIGURA. A figura que acompanha este artigo ilustra o comportamento das médias semanais das taxas de crescimento no número de casos (pontos em azul escuro) e no número de óbitos (pontos em vermelho escuro) em todo o país (valores expressos em porcentagem), entre 12/9/2021 e 17/7/2022. (Para resultados anteriores, ver aqui.) Note que alguns pares de pontos são coincidentes ou quase isso.
*
4. CODA.
Pela segunda semana consecutiva, a taxa de casos tornou a cair. É uma boa notícia. (No nosso contexto, quedas são sempre uma boa notícia, ainda que estejamos a falar em centésimos ou milésimos de 1%.)
De acordo com o padrão que tem sido observado desde o início da pandemia, em todos os países, o esperado é que a taxa de mortes comece a cair em seguida (até três semanas depois). A nossa taxa de mortes ainda não começou a cair, mas arrefeceu.
Não sei dizer, ao menos por ora, o quanto essas mudanças de trajetória se devem a retomada de hábitos básicos de higiene (notadamente o uso de máscara).
Mas uma coisa é certa: A combinação ‘uso de máscara + vacinação’ segue na ordem do dia. (Lembrando que a vacina combate a doença, mas não impede o contágio. O que pode impedir o contágio, notadamente no interior de recintos fechados, é o uso correto de máscara facial.)
*
NOTAS.
[*] Há uma campanha de comercialização em curso envolvendo os livros do autor – ver o artigo Ciência e poesia em quatro volumes. Para mais informações ou para adquirir (por via postal) os quatro volumes (ou algum volume específico), faça contato pelo endereço [email protected]. Para conhecer outros artigos e livros, ver aqui.
[1] Como comentei em ocasiões anteriores, as estatísticas de casos e de mortes estão a seguir o painel Mapping 2019-nCov (Johns Hopkins University, EUA), enquanto as de altas estão a seguir o painel Worldometer: Coronavirus (Dadax, EUA).
[2] Os 20 primeiros países da lista podem ser arranjados em 10 grupos: (a) Entre 85 e 90 milhões de casos – Estados Unidos; (b) Entre 40 e 45 milhões – Índia; (c) Entre 30 e 35 milhões – Brasil e França; (d) Entre 25 e 30 milhões – Alemanha; (e) Entre 20 e 25 milhões – Reino Unido e Itália; (f) Entre 15 e 20 milhões – Coreia do Sul, Rússia e Turquia; (g) Entre 12 e 15 milhões – Espanha; (h) Entre 10 e 12 milhões – Vietnã e Japão; (i) Entre 8 e 10 milhões – Argentina, Austrália e Países Baixos; e (j) Entre 6 e 8 milhões – Irã, México, Colômbia e Indonésia.
[3] Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março de 2020, tanto em escala mundial como nacional, ver os volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado, vols. 1-5 (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Sobre o cálculo das taxas de crescimento, ver qualquer um dos três primeiros volumes.
[4] Para conferir os valores numéricos, ver aqui (entre 27/12/2021 e 26/6/2022) e aqui (semanas anteriores).
* * *
WEDSON DESIDERIO FERNANDES
18 de julho de 2022 3:35 pmEspero que este platô se mantenha com tendência à queda nas próximas semanas.