22 de junho de 2026

Covid-19 – No ritmo atual, o país irá contabilizar 20,5 milhões de casos e 563 mil mortes até 25/7, por Felipe A. P. L. Costa

Levando em conta as estatísticas obtidas na manhã desta segunda-feira (28/6), eis um balanço da situação mundial

Covid-19 – No ritmo atual, o país irá contabilizar 20,5 milhões de casos e 563 mil mortes até 25/7.

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Por Felipe A. P. L. Costa [*].

RESUMO. – Este artigo atualiza as estatísticas mundiais a respeito da pandemia da Covid-19 divulgadas em artigo anterior (aqui). No caso específico do Brasil, o artigo também atualiza os valores das taxas de crescimento (casos e mortes). Entre 21 e 27/6, essas taxas ficaram em 0,39% (casos) e 0,33% (mortes). Após três semanas sucessivas de oscilações desencontradas, as duas taxas tornaram a cair simultaneamente. O valor da taxa de mortes é o mais baixo desde o início do ano. No ritmo atual, o país irá contabilizar 20.530.439 casos e 562.838 mortes até o último domingo de julho (25/7).

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1. UM BALANÇO DA SITUAÇÃO MUNDIAL.

Levando em conta as estatísticas obtidas na manhã desta segunda-feira (28/6) [1], eis um balanço da situação mundial:

(A) Em números absolutos, os 20 países [2] mais afetados estão a concentrar 79% dos casos (de um total de 181.167.056) e 82% das mortes (de um total de 3.924.865) [3].

(B) Entre esses 20 países, a taxa de letalidade segue em 2,2%. A taxa brasileira segue em 2,8%. (Os outros três países da América do Sul que estão no topo da lista têm as seguintes taxas: Argentina, 2,1%, Colômbia, 2,5%, e Peru, 9,4%.)

(C) Nesses 20 países, 131 milhões de indivíduos receberam alta, o que corresponde a 92% dos casos. Em escala global, 166 milhões de indivíduos já receberam alta [4].

2. O RITMO ATUAL DA PANDEMIA NO PAÍS.

Ontem (27/6), de acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados em todo o país mais 33.704 casos e 739 mortes. Teríamos chegado assim a um total de 18.420.598 casos e 513.474 mortes.

Em termos absolutos, ao compararmos com as estatísticas da semana anterior (14-20/6), os números de casos e de mortes declinaram. E de modo algo expressivo.

Foram registrados 492.670 novos casos – uma queda de mais de 4% em relação à semana anterior (515.162). Foi a 30ª semana com mais de 300 mil novos casos – 25 dessas semanas foram registradas em 2021.

Desgraçadamente, foram registradas 11.649 mortes – uma queda de quase 20% em relação à semana anterior (14.424). Foi a 32ª semana com mais de 7 mil mortes – 24 dessas semanas foram registradas em 2021.

3. TAXAS DE CRESCIMENTO.

Os percentuais e os números absolutos referidos acima pouco ou nada dizem sobre o ritmo e o rumo da pandemia [5]. Para tanto, sigo a usar as taxas de crescimento no número de casos e de mortes.

Vejamos os resultados mais recentes.

Em comparação com os valores da semana anterior (14-20/6), as médias da semana passada (21-27/6) recuaram (ver a figura que acompanha este artigo).

A taxa de crescimento no número de casos caiu de 0,42% (14-20/6) para 0,39% (21-27/6) [6].

Já a taxa de crescimento no número de mortes caiu de 0,42% (14-20/6) para 0,33% (21-27/6) – o valor mais baixo desde o início do ano (ver a figura que acompanha este artigo) [6, 7].

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FIGURA. A figura que acompanha este artigo ilustra o comportamento das médias semanais das taxas de crescimento no número de casos (pontos em azul escuro) e no número de óbitos (pontos em vermelho escuro) em todo o país (valores expressos em porcentagem), entre 28/6/2020 e 27/6/2021. (Valores acima de 2% não são mostrados.) As médias mais baixas das duas séries (casos e mortes) foram observadas entre 11/10 e 8/11, razão pela qual o período é referido aqui como o ‘melhor mês’. Logo em seguida, porém, note como as duas nuvens de pontos experimentaram rupturas e mudaram de rumo. E note como o apagão que houve na divulgação das estatísticas, na segunda quinzena de dezembro, rebaixou artificialmente as duas trajetórias.

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4. CODA.

Após três semanas sucessivas de oscilações desencontradas, as taxas de crescimento no número de casos e de mortes tornaram a cair simultaneamente. No ritmo atual, o país irá contabilizar 20.530.439 casos e 562.838 mortes até o último domingo de julho (25/7).

Evidências iniciais sugerem que as duas taxas estariam a se descolar, notadamente em função do impacto da vacinação (~90 milhões de doses já foram aplicadas [1]) sobre a taxa de mortes. (Ainda assim, no entanto, o impacto sobre a taxa de novos casos só será percebido bem mais adiante.)

Como escrevi em artigos anteriores, uma saída rápida para a crise (minimizando o número de novos casos e, sobretudo, o de mortes) dependeria de dois fatores: (i) a adoção de medidas efetivas de proteção e confinamento; e (ii) uma massiva e acelerada campanha de vacinação [8].

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NOTAS.

[*] Há uma campanha de comercialização em curso envolvendo os livros do autor – ver o artigo Ciência e poesia em quatro volumes. Para mais informações ou para adquirir (por via postal) os quatro volumes (ou algum volume específico), faça contato pelo endereço [email protected]. Para conhecer outros artigos e livros, ver aqui.

[1] Vale notar que certos países atualizam suas estatísticas uma única vez ao longo do dia; outros atualizam duas vezes ou mais; e há uns poucos que estão a fazê-lo de modo mais ou menos errático. Alguns países europeus (e.g., Suécia, Suíça e Espanha) insistem em não divulgar as estatísticas em feriados e fins de semana. A julgar pelo que informam os painéis, o comportamento da Suécia tem sido particularmente surpreendente e vexatório. Acompanho as estatísticas mundiais em dois painéis, Mapping 2019-nCov (Johns Hopkins University, EUA) e Worldometer: Coronavirus (Dadax, EUA).

[2] Os 20 primeiros países da lista podem ser arranjados em seis grupos: (a) Entre 32 e 34 milhões de casos – Estados Unidos; (b) Entre 30 e 32 milhões – Índia; (c) Entre 18 e 20 milhões – Brasil; (d) Entre 4 e 6 milhões – França, Turquia, Rússia, Reino Unido, Argentina, Itália e Colômbia; (e) Entre 2 e 4 milhões – Espanha, Alemanha, Irã, Polônia, México, Ucrânia, Indonésia e Peru; e (f) Entre 1,7 e 2 milhões – África do Sul e Países Baixos.

[3] Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março, em escala mundial e nacional, ver os cinco volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

[4] Como comentei em artigos anteriores, fui levado a promover a seguinte mudança metodológica: as estatísticas de casos e mortes continuam a seguir o painel Mapping 2019-nCov, enquanto as de altas estão agora a seguir o painel Worldometer: Coronavirus.

[5] Arrisco dizer que a pandemia chegará ao fim sem que a maior parte da imprensa brasileira (grande ou pequena; reacionária ou progressista) se dê conta de que está a monitorar a pandemia de um jeito, digamos, desfocado – além de burocrático e bastante superficial. Para capturar e antever a dinâmica de processos populacionais, como é o caso da disseminação de uma doença contagiosa, devemos recorrer a um parâmetro que tenha algum poder preditivo. Não é o caso da média móvel. Mas é o caso da taxa de crescimento – seja do número de casos, seja do número de mortes. Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março, em escala mundial e nacional, ver referências citadas na nota 3.

[6] Entre 19/10 e 27/6, as médias semanais exibiram os seguintes valores: (1) casos: 0,43% (19-25/10), 0,4% (26/10-1/11), 0,3% (2-8/11), 0,49% (9-15/11), 0,5% (16-22/11), 0,56% (23-29/11), 0,64% (30-6/12), 0,63% (7-13/12), 0,68% (14-20/12), 0,48% (21-27/12), 0,47% (28/12-3/1), 0,67% (4-10/1), 0,66% (11-17/1), 0,59% (18-24/1), 0,57% (25-31/1), 0,49%(1-7/2), 0,46% (8-14/2), 0,48% (15-21/2), 0,53% (22-28/2), 0,62% (1-7/3), 0,59% (8-14/3), 0,63% (15-21/3), 0,63% (22-28/3), 0,5% (29/3-4/4), 0,54% (5-11/4), 0,48% (12-18/4), 0,4026% (19-25/4), 0,4075% (26/4-2/5), 0,4111% (3-9/5), 0,4114% (10-16/5), 0,4115% (17-23/5), 0,38% (24-30/5), 0,37% (31/5-6/6), 0,39% (7-13/6), 0,4174% (14-20/6) e 0,39% (21-27/6); e (2) mortes: 0,3% (19-25/10), 0,26% (26/10-1/11), 0,21% (2-8/11), 0,3% (9-15/11), 0,29% (16-22/11), 0,3% (23-29/11), 0,34% (30-6/12), 0,36% (7-13/12), 0,42% (14-20/12), 0,33% (21-27/12), 0,36% (28/12-3/1), 0,51% (4-10/1), 0,47% (11-17/1), 0,48% (18-24/1), 0,48% (25-31/1), 0,44%(1-7/2), 0,47% (8-14/2), 0,43% (15-21/2), 0,48% (22-28/2), 0,58% (1-7/3), 0,68% (8-14/3), 0,79% (15-21/3), 0,86% (22-28/3), 0,86% (29/3-4/4), 0,91% (5-11/4), 0,80% (12-18/4), 0,66% (19-25/4), 0,60% (26/4-2/5), 0,51% (3-9/5), 0,45% (10-16/5), 0,43% (17-23/5), 0,40% (24-30/5), 0,35% (31/5-6/6), 0,4171% (7-13/6), 0,4175% (14-20/6) e 0,33% (21-27/6).

Não custa lembrar: Os valores citados acima são médias semanais de uma taxa diária. Outra coisa: para fins de monitoramento, é importante ficar de olho nas taxas de crescimento (casos e mortes), não em valores absolutos. Considere uma taxa de crescimento de 0,5%. Se o total de casos no dia 1 está em 100.000, no dia 2 estará em 100.500 (= 100.000 x 1,005) e no dia 8 (sete dias depois), em 103.553 (= 100.000 x 1,0057; um acréscimo de 3.553 casos em relação ao dia 1); se o total no dia 1 está em 4.000.000, no dia 2 estará em 4.020.000 e no dia 8, em 4.142.118 (acréscimo de 142.118); se o no dia 1 o total está em 10.000.000, no dia 2 estará em 10.050.000 e no dia 8, em 10.355.294 (acréscimo de 355.294). Como se vê, embora os valores absolutos dos acréscimos referidos acima sejam muito desiguais (3.553, 142.118 e 355.294), todos equivalem ao mesmo percentual de aumento (~3,55%) em relação aos respectivos valores iniciais.

[7] Sobre o cálculo das taxas de crescimento, consulte qualquer um dos três primeiros volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado (ver nota 3).

[8] Como alertei em artigos anteriores, os efeitos da vacinação só serão percebidos – na melhor das hipóteses – quando mais da metade dos brasileiros tiver sido vacinada. E tal não ocorrerá antes do segundo semestre. E mais: Devemos tomar cuidado com as armadilhas mentais que cercam a campanha de vacinação. Três das quais seriam as seguintes: (1) a imunização individual não é instantânea nem nos livra de continuar adotando as medidas de proteção social (e.g., distanciamento espacial e uso de máscara); (2) a imunização coletiva só será alcançada depois que a maioria (> 75%) da população tiver sido vacinada; e (3) a população brasileira é grande, de sorte que a campanha irá demorar vários meses (mais de um ano, talvez).

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