Respostas evasivas de Marconny revoltam senadores

Depois de se posicionar como ‘péssimo lobista’, amigo de Jair Renan Bolsonaro chegou a ser ameaçado de prisão

Marconny Faria, suspeito de ter atuado como lobista da Precisa Medicamentos na tentativa de venda da vacina Coxavin para o Ministério da Saúde. Foto: Pedro França/Agência Senado

Jornal GGN – O depoimento de Marconny Albernaz de Faria, apontado como lobista da Precisa Medicamentos na negociação de contratos junto ao Ministério da Saúde, tem sido marcado por respostas evasivas, por supostos esquecimentos e por usar habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) para silenciar indignou os senadores presentes à oitiva na CPI da Pandemia.

Marconny chegou a apresentar um atestado médico para não comparecer à CPI há duas semanas, levando a comissão a ameaçar trazê-lo “sob vara” (coerção judicial). Aos senadores, negou ser lobista e foi vago quanto à sua atividade, limitando-se a dizer que tem uma “empresa de assessoramento técnico-político” que faz “análise de estudos de viabilidade política” para empresas privadas.

As respostas evasivas de Marconny irritaram o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD), que lembrou um vídeo da internet em que Marconny aparece discursando em tom veemente em manifestações pró-governo. “Para subir em caminhão para falar mal de político, aí é macho. Mas quando o calo aperta, aí o cabra não é mais macho. Vai ao Supremo, tem diarreia, pede atestado médico. Chega aqui, a conversa é diferente”. Jean Paul Prates (PT-RN) ameaçou o depoente de prisão por seu comportamento.

Amizade com Jair Renan Bolsonaro

Marconny também admitiu ter comemorado seu aniversário no camarote de Jair Renan Bolsonaro, filho do presidente da República, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, e que conhece o ‘filho 04’ desde a chegada dele a Brasília.

Quando ressalvou que a festa não era ilegal, o senador Alessandro Vieira (Cidadania) rebateu que a ilegalidade não está nas festas, mas no que se obtém nelas. “Elucida-se por que vale a pena contratar o Marconny. O Marconny é o cara que vai para o churrasco com a advogada do presidente [Karina Kufa] e que faz a sua festa de aniversário no camarote do filho do presidente”.

Como aponta a Agência Senado, Marconny pertenceria a um grupo, formado pelo deputado federal Ricardo Barros (PP), pelo ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, pelo ex-secretário da Anvisa José Ricardo Santana e outros, suspeitos de operar em licitações.

Mensagens obtidas pela CPI enviadas em julho de 2020 mostram uma conversa de Marconny com Santana sugerindo “a arquitetura ideal”, aparentemente para direcionar um processo de licitação de compra de testes rápidos contra covid-19, eliminando concorrentes para atingir um resultado desejado. A licitação foi abortada pela Operação Falso Negativo, do Ministério Público do Distrito Federal.

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