Vacinas da Precisa se destinavam a clínicas privadas, diz Emanuela Medrades

Em linhas gerais, contrato com Bharat Biotech foi negociado sem que houvesse uma posição consolidada do Ministério da Saúde

Diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Batista de Souza Medrades. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Jornal GGN – A Precisa Medicamentos negociou o contrato com o laboratório indiano Bharat Biotech sem saber se a vacina Covaxin seria comercializada com o Ministério da Saúde, e um dos focos do proprietário da empresa, Francisco Maximiano, era acabar com o oligopólio existente nas clínicas de vacinas privadas.

A afirmação é de Emanuela Medrades, diretora técnica da empresa, durante depoimento à CPI da Pandemia, no Senado Federal. “Quando o contrato com a Bharat foi firmado, não tínhamos essa definição por que não estava claro como poder público faria as aquisições, pois até o início desse ano, era obrigatória a execução de uma pesquisa de fase clínica 3 aqui no Brasil e o tempo não auxiliava”.

Emanuela explicou que, por conta dessa condição da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), não se sabia ao certo se as vacinas seriam exclusivamente negociadas com o governo federal – inclusive, o contrato firmado com o Ministério apresenta uma cláusula de exclusividade.

Entretanto, o senador Randolfe Rodrigues (Rede) lembrou que, em 07 de janeiro, Maximiano fala para representantes da Bharat que um de seus objetivos era ‘acabar com o oligopólio’ de algumas farmacêuticas, dando a ideia que a vacina seria comercializada com o mercado privado.

“Eu não estava nessa reunião, mas o que nós temos de informação é que todas essas tratativas eram sim para o mercado privado, e que o oligopólio ao qual ele se referia é do mercado privado”, disse Emanuela. “As discussões que foram realizadas nessa reunião especificamente, foram exclusivamente para o mercado privado, não tinha nenhuma definição ainda e salvo outra informação – é importante ressaltar que nenhuma comercialização seria possível sem a autorização da anvisa, sem o produto ter sido registrado”.

Precisa e clínicas privadas

“Então, tudo o que tinha sido feito e foi feito, foi para que o produto tivesse o registro final e pudesse ter a sua comercialização”, ressaltou Emanuela. Porém, Randolfe lembra o contrato fechado entre a Precisa e a Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas.

“Essa associação de clínica de vacinas expede um comunicado exclusivamente para os associados, falando das promissoras tratativas com a vacina da Bharat Biotech, com essa vacina”, diz Randolfe. “Dias depois, aqui no Congresso, surge como do nada (e após o Senado ter aprovado projeto) surge um projeto de lei que autoriza, inclusive, antecipadamente, aos grupos prioritários, a vacinação por parte das empresas privadas”. 

De acordo com Randolfe, a relatoria desse projeto na Câmara dos Deputados cabe notadamente a uma deputada do partido progressista, que um dos seus líderes é o deputado Ricardo Barros.

“Coincidencia ou não, no dia 07 de janeiro, diálogos do senhor Francisco Maximiano – e que inclusive a doutora Emanuela fala de que tinha um interesse em fornecer vacinas para o mercado privado – estavam, se estabeleciam e falavam exatamente disso, do fornecimento de vacinas para o mercado privado. Acho que encontramos uma linha no tempo em se tratando de vacinas privadas”.

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1 comentário

  1. Esse é o fato que me causa dúvida. A trambicagem da Precisa na venda das vacinas é exemplar. Empresas que não existem, outra em paraíso fiscal, vacina não homologada no próprio país de origem, e por aí vai. Porque o envolvimento e empenho do MS na transação, envolvendo recursos públicos para vacinas que seriam destinadas à iniciativa privada?

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