Os negócios que viabilizam a destruição da educação no Brasil
por Luis Felipe Miguel
Entre os muitos crimes que Bolsonaro cometeu contra o Brasil, um dos mais graves é o esforço de destruição da educação brasileira.
Já tivemos governos que dão pouca atenção à educação, que adotam perspectivas privatistas ou que colocam a redução de custos como meta nº 1, não importam as consequências – tudo isso é conhecido.
O governo Bolsonaro é diferente. Ele é guiado pelo ódio ao conhecimento e tem a destruição da educação como meta.
O primeiro ministro da Educação – vocês lembram? – era um meio lerdo, que se fingia de intelectual, um projeto de Olavo de Carvalho sem a verve escatológica. Não deu certo no cargo, claro; não tinha a energia que o projeto destruidor do bolsonarismo exigia.
Foi substituído pelo bufão perverso, uma espécie de Arthur do Val com diploma de ensino superior. Tão siderado por holofotes que comprou muitas brigas desnecessárias, algumas com cachorros bem maiores do que ele, e teve que ser descartado.
E aí veio o pastor. Gestos lentos, vozinha melíflua, meio-sorriso falso. Todo um tipo. Aquele tipo que te dá um frio na espinha se estiver tentando te vender um carro usado – ou, mais ainda, se aparecer rondando o parquinho ou a escola.
Ele parece boboca, mas tem acertado a mão. De vez em quando, solta uma tirada homofóbica, para agradar o gado e gerar uma polêmica artificial nas redes. Mas com moderação. E nos bastidores vai fazendo o serviço.
Os áudios que a Folha divulgou revelam que, para não perder a oportunidade, a destruição da educação nacional é acompanhada de um esquema de corrupção.
Diz o ministro, sobre a liberação de verbas aos municípios: “minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar” – referindo-se ao lobista sem cargo oficial no MEC que conduz os negócios.
Mas que está lá, diz o ministro, por um “pedido especial que o presidente da República fez para mim”.
Em seguida, dá o preço: “O apoio que a gente pede não é segredo, […] é apoio sobre construção das igrejas”.
É a milícia religiosa, dos pastores negocistas e picaretas, encontrando seu lugar no governo dos milicianos.
Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN
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