Temer tem 3 meses para mostrar serviço ou será abandonado, aponta Helena Chagas

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
 
Jornal GGN – O namoro entre o governo Temer e seus aliados, principalmente o PSDB, sempre teve data para terminar. Acontece em todo governo, faltando mais ou menos um ano para a disputa presidencial seguinte. A crise é que, com Temer, a coisa pode desandar um pouco mais cedo.
 
Nesta sexta (31), o Valor mostrou que não há oferta de cargo ou ministério que acabe com a “rebeldia” de Renan Calheiros, que virou “critico costumaz” de Temer. O que Renan pretende é pular do barco do presidente o quanto antes e formar uma aliança com Lula, de olho em 2018. 
 
Renan deve ser seguido por outros aliados de Temer, se o presidente não segurar boa parte deles com a caneta e o Diário Oficial – ou seja, oferecendo cargos e emendas parlamentares. Mas só isso não basta.
 
É preciso que Temer aprove as reformas que está prometendo ao mercado. E se não fizer isso até o final do semestre, pode acabar isolado e tão sem poder quanto Dilma Rousseff em meio ao impeachment. Renan, por exemplo, já não acredita em nenhum resultado milagroso na economia com as medidas tomadas até aqui. É o aviso de que vem aí o estouro da boiada.
 
 
Por Helena Chagas 
 
Em Os Divergentes
 
 
Falta um ano e meio para as eleições gerais de 2018 e o tempo vai se encurtando. A esta altura, os políticos só pensam nisso, inclusive os aliados de Michel Temer. Aquela esperança de tudo se ajeitar – o governo do peemedebista consertar a economia e ter forte influência na própria sucessão -, pode esquecer, conforme ficou claro hoje em duas más notícias para o Planalto: o desemprego recorde na casa dos 13% e a última rodada da pesquisa CNI/Ibope.
 
Os números já ruins da popularidade presidencial cresceram de forma consistente dezembro para cá, numa variação negativa de cerca de seis pontos, acima portanto de oscilações de margem de erro. A avaliação negativa do governo passou de 46% para 55%, a desaprovação à maneira de Temer governar subiu de 64% para 73% e o percentual dos que não confiam no presidente subiu de 72% para 79%.
 
A esta altura, o maior risco para o Planalto é a deserção de aliados que, já de olho na eleição do ano que vem, podem começar a achar que não será vantajoso chegar lá ao lado do atual governo. Ainda é cedo para se falar em debandada, e um ano e meio de caneta e Diário Oficial na mão podem retardar esse processo a favor do Planalto. Mas, se até meio do ano as coisas não melhorarem, nem na economia e nem na popularidade presidencial, vai ficar difícil segurar o estouro da boiada.
 
É por isso que, ou o Planalto corre e usa todos os seus recursos, favores, cargos e emendas para aprovar logo a reforma da Previdência, ou as coisas vão ficar muito complicadas.
 
Não por acaso, o ex-presidente e atual líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, um alagoano pragmático e com faro certeiro para as mudanças de rumo nos ventos políticos, anda costeando o alambrado. Até por causa da Lava Jato, precisa da reeleição para sobreviver. E talvez tenha percebido que Temer pode não ser boa companhia em 2018.

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5 comentários

  1. Deve por isso que a turma que
    Deve por isso que a turma que pernoita por aqui tem bronca comigo.O que Heleninha Chagas está relatando agora,escrevi em comentário há dois dias atrás.Vai continuar difícil,quase impossível tirar minhas 5 estrelas.Ja nasci com elas.

  2. Bagre ensaboado

    O Renan pode ser um lixo, mas não é besta. Viu que o golpe deu ruim e já está pulando fora.

    O PT é que precisa se cuidar para não depender desse tipo de gente.

  3. Comentário pueril mas

    Comentário pueril mas verdadeiro.

    Todo traidor se ferra, é uma questão de tempo.

    A história da humanidade prova isso.

    Com o Temer não será diferente.

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