10 de junho de 2026

Um mês do capitólio brasileiro: o que se sabe e o que está por vir nas investigações

Além da continuidade na identificação e punição dos envolvidos, governo planeja memorial para que atos não se repitam.
Marcelo Camargo - Agência Brasil

Mais de R$ 18,5 milhões de bens bloqueados, 1.406 pessoas detidas em flagrante, 942 ainda presas preventivamente, outras 464 em liberdade provisória e 20 suspeitos presos na Operação Lesa Pátria. Este foi o saldo dos atos terroristas na Praça dos Três Poderes, em 8 de janeiro, por bolsonaristas que não aceitaram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas e tentaram promover um golpe de estado com as próprias mãos.

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A insatisfação com o resultado do pleito gerou ainda um grande prejuízo patrimonial ao País. Enquanto a depredação dos prédios dos Três Poderes somam, pelo menos, R$ 21 milhões, os danos causados às obras de arte são incalculáveis. Apenas ‘Mulatas‘, tela de Di Cavalcanti, tem valor estimado de R$ 8 milhões.

Referência na Praça dos Três Poderes, a escultura ‘Justiça‘, de Alfredo Ceschiatti, foi pichada e a obra ”Bailarina‘, de Victor Brecheret foi furtada e devolvida dias depois. O relógio de Dom João VI, presente da Corte francesa e trazido ao Brasil em 1808, foi derrubado por Antônio Cláudio Alves Ferreira, já preso pela Polícia Federal.

Investigações

O trabalho das autoridades, agora, consiste em identificar e punir os envolvidos, especialmente os que tiveram papeis estratégicos na convocação ou financiamento dos atos. Para tanto, as investigações atuam em quatro frentes: participação nas invasões e responsabilidade por atos de vandalismo; financiamento; omissão de agentes públicos; e incentivo aos manifestantes radicais nas redes sociais.

Até o momento, 20 pessoas foram presas pela Operação Lesa Pátria, como Anderson Torres, ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal; Willian da Silva Lima, por roubo de uma toga usada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal; Carlos Victor de Carvalho, assessor do deputado estadual Filippe Poubel (PL-RJ); e Maria de Fátima Mendonça, mais conhecida como Fátima Tubarão e que aparece em vídeo ameaçando Alexandre de Moraes, do STF.

Sob investigação estão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluído no inquérito depois de compartilhar um vídeo com alegações de que as eleições foram fraudadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE); o deputado André Fernandes (PL-CE), por convocar “o primeiro ato contra o governo Lula”; a deputada Silvia Waiãpi (PL-AP), que também incentivou a manifestação nas redes sociais; e a deputada Clarissa Tércio (PP-PE), que chegou a publicar um vídeo no Instagram dizendo que “o povo tomou o poder. Estamos dentro do Congresso”.

Denúncias

A Secretaria de Acesso À Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública recebeu mais de 107 mil e-mailscom denúncias sobre os participantes dos atos antidemocráticos. As mensagens indicam suspeitos de participantes, organizadores e financiadores dos ataques, além de nomes de deputados, governadores, prefeitos e vereadores envolvidos nos atos.

O Pix foi a principal ferramenta usada na coleta de recursos para financiar os ataques. À Agência Brasil, o secretário da pasta Marivaldo Pereira disse que o fato é interessante, pois o Pix permite o mapeamento das pessoas que estavam na organização dos atos.

“A gente não investiga. Quem investiga é a Polícia Federal, que é muito eficiente nisso. Ela vai cruzar com outras bases de dados e fazer o trabalho de detalhamento das denúncias”, explicou Pereira.

Memorial

O governo federal já planeja a construção de um memorial sobre os atos terroristas. Quem lidera o projeto é a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o objetivo do projeto é evitar que as pessoas se esqueçam da barbaridade cometida contra a democracia e o patrimônio público brasileiro e também para que este tipo de evento não se repita.

Há três opções de sede para o novo memorial: a Praça dos Três Poderes, o Eixo Monumental de Brasília, próximo ao Museu Nacional da República ou ainda os prédios do Executivo, Legislativo ou Judiciário.

Com informações da Agência Brasil, O Globo e CNN.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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3 Comentários
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  1. Edivaldo Dias de Oliveira

    8 de fevereiro de 2023 5:56 pm

    “O senhor não vai prender ninguém aqui.”
    Essa frase foi dita há exatos 30 dias , na noite de 8 de janeiro em frente ao QG do exército, pelo seu Comendate, que pouco tempo depois foi exonerado, nas fuças de Dino e Capelli. 30 dias depois nenhum militar das FFAA foram presos, apesar de prenderem um ex ministro, suspenso um governador e preso dois comandantes militares da PMDF. Nunca vi uma noite tão longa…é para se pensar.

  2. Francisco Alves de Assis

    8 de fevereiro de 2023 9:42 pm

    Os conjuntos de medidas para apurar os atos golpistas estão no caminho certo,não pode passar o pano em nada e sem anistia,afim de evitar outras tentativas como as que aconteceram no dia 08 de Janeiro.

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