A Ilha da Fantasia
por Homero Fonseca
Para além do bairrismo que caiu de pau em cima do ministro Rui Costa, a expressão “Brasília, ilha da fantasia” é antiga e se refere a algo mais complexo: a estrutura do poder concentrada na capital brasileira.
Foi o título de uma série de reportagens, de autoria do jornalista Luiz Fernando Emediato, publicada em maio de 1984 pelo O Estado de S. Paulo, cuja abertura crava:
Imagine um lugar onde não existe crise, desemprego, crimes, poluição. A semana tem apenas quatro dias. Os salários são os mais altos do mundo.[1]
Ainda era a época da ditadura de 64, mas o hoje escritor e editor faz a relação com a atualidade:
Na verdade, aquela elite civil que se uniu com os militares e foi responsável pelo golpe de 64, ela nunca saiu do poder, mesmo depois da democratização.[2]
Essa turma continua lá. É ela que vive na ilha da fantasia. Os descendentes dos candangos, apesar de viverem lá, não têm poder algum.
[1] https://www.facebook.com/arquivoestadao/photos/a.182709175098446/2210493868986623/?type=3
[2] https://www.rfi.fr/br/cultura/20170303-rfi-convida-luiz-fernando-emediato
Homero Fonseca é pernambucano, escritor e jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Foi editor da revista Continente Multicultural, diretor de redação da Folha de Pernambuco, editor chefe do Diario de Pernambuco e repórter do Jornal do Commercio. Foi também professor de Teoria da Comunicação e recebeu menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Atualmente, dedica-se à literatura e mantém um blog em que aborda assuntos culturais.
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