5 de junho de 2026

Anarriê, alavantú IV – Lula sem vigor. A marca de leite?, por Rui Daher

Concordo com todos os atos e passos dados por Lula em seus primeiros meses de mandato. Nenhuma dúvida de que deveria começar pelo exterior
Agência Brasil

Anarriê, alavantú IV – Lula sem vigor. A marca de leite?

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por Rui Daher

As exclamações nordestinas para as festanças de São João, ora levam os participantes das quadrilhas dançarem para atrás (Anarriê), ora para a frente (Alavantú).

Quando assim, ousado, arrisco. Afinal, cagando de medo – sejamos honestos – lutamos tanto para arrancar do Brasil um Regente Insano, incapaz ladrãozinho de joalherias, genocida pandêmico, para colocar no poder incumbente um esgotado presidente, sem vigor para a hercúlea tarefa de reconstruir o país, mais ou menos, vá lá, assim até serve, tais as mazelas remanescentes menos perversas, capazes de aguentarem mais algumas décadas até a cidadania geral, ainda que o mesmo modelo econômico atual continue vigorando.

Dias atrás, o jornalista que mais leio e respeito, desde quando ele escrevia na Folha de São Paulo, e mais tarde, amigo de longos anos, depois que lançou seu jornal eletrônico e permitiu-me dele participar. Primeiro, como assíduo comentarista – certo, Raí, Juncal, Weden, Mário, outros? – depois como blogueiro, e hoje como colunista.

Claro que, sempre amigos, mais daqui para lá do que de lá para cá, como devem ser as hierarquias, o que trago a este texto, não é uma réplica – quem eu? – mas ponderações sobre o que meu exigente, irrequieto e ansioso (?) anfitrião, neste GGN, Luís Nassif, escreveu.

Foi em 21/09: “O desânimo do velho guerreiro com um país sem rumo”. Que um rumo ainda nos falta, concordo. Sempre faltou, caro Nassif. Vai demorar, concorda? Percebe o amigo o furor das evidências contra Jair Messias Bolsonaro e asseclas, todos mantendo posições e depoimentos como se ainda mandassem no país, inclusive na potente Rede Globo, que tanto já nos fez involuir na história?

Teria dado tempo a Lula de superar os anos inglórios que temos vivido? Nove meses? Talvez, você não esteja desdizendo suas expectativas, tantas vezes aqui expostas. Apenas sinais de que a batalha não será vencida por “Vocês querem bacalhau?” ou “Terezinhaaa!”, assinaturas do genial “Velho Guerreiro”.

Ou mesmo, inteligência superior, semelhante à de Lula, exerceria o amigo meses, com o correto que deveria estar sendo feito, considerando um País de extensão enorme, diversidades de biomas, história e instituições dominadas por Corporações elitistas e gananciosas, equívocos de um modelo econômico capitalista torto e à direita, e que a muitos de nós, inclusive ao pequeno colunista, cansa poder escamotear.

É isso, Luís? Traga-nos suas luzes.

Depois de quase nove meses, uma série de intercorrências sanitárias e nefastas, no mais amplo sentido, o que poderíamos esperar? Um bebê de Rosemary (ver Roman Polanski, 1968) ou um saudável e rosado nascituro, salvo de um drone russo, enviado por Vladimir Putin, fruto do casamento – imaterial, pois não sei se permitido – de Joseph Stalin com Adolf Hitler?

Concordo com todos os atos e passos dados por Lula em seus primeiros meses de mandato. Nenhuma dúvida de que deveria começar pelo exterior, em busca de credibilidade e dinheiro, justificadas pela preservação ambiental, sobretudo a Amazônia. Marina Silva, a ministra Guajajara e a irmã de Marielle suas escudeiras.

Haddad, será que leu ou cagou para o exemplar autografado de “Dominó de Botequim”, que lhe ofereci num de seus saraus? Educadíssimos, ele e Ana Estela não responderão. Mas está mandando. Ouvi de você num almoço: “O melhor quadro do PT”.

Escreve Nassif em seu desanimado artigo:

“E tudo isso em uma quadra em que o Centrão se tornou uma piranha insaciável, que quer a cada dia ampliar seu poder (…) Agora que Lula está de volta da bem-sucedida ofensiva diplomática, é hora de se debruçar sobre o país, para se saber se ele ainda tem a gana histórica ou se as pedras no caminho tiraram seu ânimo”.

Seria. Desde que achássemos o Centrão uma novidade, e não confirmação de todos os fatos históricos e os conceitos políticos, econômicos, sociais e de costumes que fizeram do Brasil, perder oportunidades, como os jogos que o Mengão vem perdendo.

Nota 1: o genial jornalista e escritor, Ivan Lessa (1935-2012), trocaria Mengão por Bananão ao se referir ao Brasil.

Nota 2: E pra que continuem o que tem de bom na cultura brasileira, mais uma vez, o Nordeste de Lucy Alves.

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Rui Daher

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

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  1. José de Almeida Bispo

    27 de setembro de 2023 12:30 pm

    Caro Daher… perfeito! Sobre os desânimos do Nassif… nós – eu e ele – também somos gente! (Tenho a petulância de a ele me igualar por ter recorrentes momentos de desespero com o futuro do país). Porém, gosto de repetir o Galileu Galilei: EPPUR SE MUOVE! Da fauna doméstica, o meu animal predileto é o jumento, e não é pelas observações acerca do presepeiro, feitas por Seu Luiz Gonzaga Nascimento; e sim porque… “oh ‘bichin’ teimoso da gota!” E eu adoro teimar em sonhar; em crescer, progredir, ser feliz… apesar de toda a raça de caga-raiva do mundo… TER ESPERANÇA. O mundo – e não só o Brasil – tem esperança no Lula. Sei que é muita cruz para pouco ombro; mas – dedos cruzados – vai dar certo.

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