5 de junho de 2026

As eleições no Brasil paralelo, por Fernando Castilho

Aqueles ministros que durante quase 4 anos se empenharam em fazer exatamente o contrário da competência de suas pastas, se elegeram.
Foto: Lucas Gomes

As eleições no Brasil paralelo

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por Fernando Castilho

Assim como toda a esquerda brasileira que deseja que o Brasil se recupere do estrago empreendido pelo governo de feições fascistas de Jair Bolsonaro, sonhava com a vitória de Lula já no primeiro turno.

Sonhava, é verdade, mas com o devido pé atrás.

Portanto, apesar da decepção, o impacto não foi tão grande, pelo menos no embate Lula x Bolsonaro.

O impacto foi violento quando vi a inversão de números entre Haddad e Tarcísio.

Quando pensava que o susto fora superado, percebi que o astronauta estava vencendo Márcio França com folga.

A partir daí foi um show de horrores.

Aqueles ministros que durante quase 4 anos se empenharam em fazer exatamente o contrário da competência de suas pastas, se elegeram. E com muitos votos.

Pazuello, o ministro da saúde que, além de permitir corrupção dentro do ministério, obedeceu à risca as ordens de seu chefe que não queria vacinar a população contra a Covid-19, mas sim prescrever a cloroquina, medicamento comprovadamente ineficaz, se elegeu deputado federal.

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O resultado foram as mais de 680 mil mortes, fora os óbitos em Manaus por asfixia, dos quais o próprio presidente debochou.

A impressão que dá é que quem votou nele não teve nenhum parente ou amigo morto pela pandemia. Se teve, ou esqueceu ou a ideologia falou mais alto.

Ricardo Salles, ex-ministro do meio-ambiente, se elegeu com muitos votos, 4 vezes os de Marina Silva!

Outra vez, parece que o povo se deliciou ao ver na TV as imagens da Amazônia em chamas, do garimpo ilegal e do assassinato de indígenas.

No show da reunião ministerial, o deleite deve ter sido grande ao ver o ministro dizer que era preciso passar a boiada.

Como a corrupção a ser combatida é só a do PT, ninguém se importou com o fato de Salles ser pego com a mão na botija tentando vender madeira ilegal para os Estados Unidos.

Mário Frias, aquele que tanto se empenhou em seu ministério para destruir a cultura no país, também foi eleito deputado federal.

Damares Alves, a ministra que viu Jesus na goiabeira, a grande espalhadora de fake news que vê símbolos fálicos em tudo e que, além de ser cúmplice no massacre de indígenas enviou seus capangas para tentar forçar uma menina de 10 anos a dar à luz um bebê, fruto de estupro no Espírito Santo, foi eleita senadora pelo Distrito Federal.

O astronauta Marcos Pontes, o ministro que praticamente acabou com a pesquisa científica no Brasil, obrigando muitas mentes brilhantes a procurar emprego no exterior, se elegeu senador por São Paulo, com folga.

Praticamente quase todos os malfeitores do time de Bolsonaro se deram bem. São milicianos como ele.

Teve até o Zé Trovão, processado por ameaçar a democracia em 7 de setembro de 2021. Foi eleito deputado federal por Santa Catarina e talvez seja diplomado usando tornozeleira.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, mesmo tendo 5 secretários denunciados por corrupção, se elegeu em primeiro turno!

O que aconteceu para que houvesse essa enxurrada de votos malucos e amantes da corrupção?

O fato de Bolsonaro conseguir ir para o segundo turno com tantos votos, contrariando todas as pesquisas eleitorais se deve, acreditem, ao seu lema fascista, Deus, Pátria, Família e Liberdade. Os pobres preferiram esquecer sua fome e desemprego para se sentirem seguros contra o inimigo imaginário, o comunismo que quer tirar deles aquilo que eles não têm.

O caso Haddad x Tarcísio é um pouco mais difícil de explicar, mas talvez o paulista ache que a dobradinha Tarcísio/Bolsonaro seja boa para São Paulo.

Já a eleição dos senadores e deputados estaduais e federais, tão inimigos do povo brasileiro, só Freud talvez explicasse.

Talvez.

De qualquer forma, a campanha de Lula, que já tinha uma estratégia preparada para caso ele fosse para o segundo turno, agora deve sacudir a poeira e dar a volta por cima.

Para isso, deverá buscar apoio de Simone Tebet e Soraya Tronicke.

Embora não seja muito fácil, Bolsonaro está dando uma ajudazinha. Pela manhã, no cercadinho, chamou Tebet de “estepe” e Tronicke de “trambique”. Será que só isso bastaria?

O comportamento da grande imprensa precisa agora mudar para apoiar Lula em tempo integral. Para isso, o líder de Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros, também está dando uma ajudazinha. Pela manhã, declarou que ainda nesta segunda (03), entrará com projeto criminalizando os institutos de pesquisa, caso, após as eleições a margem de erro não se concretize. A pena não exclui a prisão dos diretores dos institutos. A Folha, dona do Datafolha, tem que estar mordida.

Essa é uma pequena amostra do que está por vir, em caso de vitória do capitão.

Espera-se mais: a destituição de certos ministros do Supremo também está na pauta.

Bolsonaro, se reeleito, instaurará, desde o começo de seu governo, a censura aos órgãos de imprensa, o estado teocrático e, após mais 4 anos, se negará a sair.

Podemos acabar com esse pesadelo no próximo dia 30.

É preciso.

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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Fernando Castilho

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.

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