Atentados inspiram crônica imortal de Roberto da Matta

Em sua crônica semanal no Estadão, a pretexto de descrever seu horror com os atentados de Paris, Roberto da Matta nos brinda com uma crônica histórica.

Nela, os atentados de Paris são um grande motivo, o álibi fundamental para que Da Matta exponha sua enorme sensibilidade e erudição.

Começa desfibrando fibra por fibra um coração angustiado, uma abertura à altura dos mais soturnos poemas de um Aluízio Azevedo:

Chego em casa, mas o aconchego do lar não atenua a amargura que trago na boca. Os jornais de sexta-feira – 13 –, empilhados na sala de visita, falam dos abomináveis atentados em Paris.

Meus olhos estão doentes e mal leio os periódicos. A fofocalha que nos deleita em torno de quem vai ganhar o prêmio da maior imoralidade, da maior mentira, do discurso mais contraditório, da cena mais constrangedora, da maior ausência de medidas para diminuir uma pornográfica e estrutural desigualdade que desemboca em violência, perde espaço para uma nova tragédia deste mundo urdido por nós mesmos.

Temos nossas caras esbofeteadas pelo que somos e encerramos dentro de nós. “Civilizados” e crentes escolhidos por Deus (e pela Razão!) continuamos com as mais plausíveis justificativas para o controle e o extermínio do outro. À descoberta da América, que juntou a cara da Humanidade (a Europa) com a sua coroa (as populações ameríndias) – esse outro desconhecido a ser conquistado e devidamente destruído –, somam-se agora os vários islãs que julgávamos vencidos e que se relacionam conosco por imitação ou violenta rejeição.

De onde cheguei? Onde estava? Como era possível não saber da tragédia?

Vou por partes.

Depois das perorações transcendentais sobre a constituição desse mundo de horrores, e com a cara vermelha de tanto tabefe recebido, Da Matta deixa os leitores em suspense: o que ele fazia naquele dia em que a humanidade foi frontalmente confrontada com os horrores do terror?

Os leitores  contem a respiração e preparam-se para mergulhar na densidade do texto sobre um dia histórico da vida de Da Matta:

Na sexta, dia 13, eu, que moro em Niterói, acordo às 5 da manhã para, às 10h, seguir para São Salvador. Retorno à terra de meu pai para tomar parte de um ato generoso: a comemoração do legado antropológico de Thales de Azevedo.

Depois do show de horror indignado da abertura, é como se o leitor fosse conduzido a uma paisagem bucólica, aquela cena quase campestre onde apenas as ideias (e os egos) passeiam de mãos dadas, cercados pelas musas da poesia.

Em Salvador, almoço com os professores Ordep Serra e Paulo Ormindo de Azevedo. Ambos são intelectuais de longo alcance. Paulo é arquiteto e membro da Academia de Letras da Bahia e tudo sabe dos meandros antigos e modernos de Salvador. Ordep é um helenista de quatro costados, estagiário de Jean-Pierre Vernant e tradutor de especialistas em Grécia clássica. Já no aeroporto, sou gratamente surpreendido com o seu livro Hinos Órficos: Perfumes, um belo volume da Série Koúros, numa tradução pioneira com notas penetrantes.

Eles me conduzem ao encontro Relendo Thales de Azevedo, Uma Avaliação do Seu Legado. Se ler é tudo, melhor que tudo é reler.

E na França, o pau comendo.

Na continuação da descrição daquele dia histórico, os leitores ficam sabendo que, na sede da Academia de Letras da Bahia, Da Matta participou de um encontro com Luiz Mott, autor do importante estudo “Escravidão, Homossexualidade e Demonologia”, e também do “jovem e brilhante doutor Diego Marques” para juntos, aquele coletivo de sábios, discutir o legado de Thales de Azevedo.

Da Matta comportou-se com naturalidade, sem procurar se impor, com um texto simples e cristalino, despido do erudicismo empolado dos falsos eruditos:

Não fiz mais do que realçar como o trabalho antropológico tem tudo a ver com o estranhamento de rotinas – o ramerrão que fabrica a plausibilidade do real e produz a verdade para aquilo que dela escapa por intervenção das alteridades que nos confrontam e perseguem, sejam as dos estrangeiros, as dos hábitos que estão fora e dentro de nós, ou as do ambiente natural onde nos assentamos o qual, até o último desastre, julgávamos confiável como as estrelas.

Mas não pense no analista frio. Ao expor sua profunda erudição sobre a obra de Thales de Azevedo, Da Matta permitiu-se um momento de emoção.

Falei com sentimento. Thales de Azevedo fez pesquisas fundamentais sobre o povoamento de Salvador e o catolicismo tradicional. Foi uma figura-chave no estudo das relações raciais no Brasil, pesquisando o povo e as elites num livro único.

Os leitores indagarão, inquietos: qual o motivo para a emoção?

Nos parágrafos seguintes ficarão sabendo que nos anos 80 Thales escreveu sobre futebol, “dando o devido crédito ao meu pequeno trabalho”. Não bastasse essa menção consagradora ao trabalho de Thales, Da Matta traz novas informações sobre a grandiosidade da obra do colega

Em 1974, quando foi presidente da Associação Brasileira de Antropologia, convidou-me para realizar uma das conferências magnas daquela reunião. Foi quando elaborei minha análise do Você Sabe Com Quem Está Falando?, ensaio no qual denuncio tanto o autoritarismo aristocrático e hierárquico nacional quanto o nosso ambíguo amor pela verdade e pela igualdade.

Com esses dois episódios encerra a participação de Thales na sua crônica. Na sequência, nosso cronista monta uma pinguela literária admirável para voltar ao tema inicial: sua ineludível capacidade de se indignar:

Thales de Azevedo e seus descendentes, sobretudo seu neto Thales Leite, têm permeado fraternalmente minha vida. Como muita gente esquece, vale lembrar que todas as vidas atingem outras vidas. Algumas pela calúnia irresponsável; outras pela maldade leviana, quando uma pessoa que se imagina como o sal da terra atinge agressiva e mentirosamente a honra do outro e o excremento vai para as tais “redes” de esgoto. Outras, no limite da crueldade, matam em nome de Deus na tentativa de escapar das regras morais deste mundo, como é o caso que hoje cobre as folhas deste jornal.

O leitor ficará um pouco aturdido com essa enorme capacidade de Da Matta de pular do neto do Thales para o excremento das fraquezas humanas. Mas persistirá, firme, no restante da leitura. E se surpreenderá com a entrada triunfal, em cena, da bela Taís Araújo:

Não custa, neste Brasil de intrigas insuportáveis, mentiras pantagruélicas e ataques caluniosos, como o que ocorreu com a atriz Taís Araújo, dizer que o contrário pode também acontecer. O preconceito e a aleivosia podem vir de cima, de baixo ou do lado. Mas há o remédio da comemoração, do elogio, do reconhecimento, da luta e do perdão. O lado abjeto dos extremismos só termina quando os abrigamos e, com esperança, buscamos neutralizá-los. Sublimação é a chave para esses quase impossíveis reconhecimentos do humano, como dizia Freud. Eu já vivi isso antes.

E o álibi inicial da crônica, as mortes de Paris? Elas encerram circularmente a crônica, como soe acontecer com os grandes cronistas:

Enquanto inocentemente participava da comemoração de Thales de Azevedo na Bahia, ocorria o ritual destrutivo do terrorismo, em Paris. Em casa, quando escrevo essa crônica, tenho a prova cabal dessas correntezas do traiçoeiro rio da humanidade: uma inocente, a montante; outra, imensamente cruel, a vazante.

E o leitor dormirá satisfeito com a descrição notável do traiçoeiro rio da humanidade:  a correnteza inocente, a montante; a correnteza imensamente cruel, a vazante. E entre elas, as águas da vaidade humana por onde navega um ego descomunal.

38 Comentários

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Severino Januário

- 2015-11-20 00:56:28

Faz tempo que não sabem o que

Faz tempo que não sabem o que é beleza? Pois escutem a Canção do Mar portuguesa cantada por duas cantoras russas

https://www.youtube.com/watch?v=0-pVjqnYmKc

 

franciscopereira neto

- 2015-11-20 00:54:51

Reconhecimento extemporâneo

Eu deveria ter desoconfiado quando Nassif construiu "uma pinguela literária admirável".

Pinguela para o erudito da Matta tá bom né?

astronauta

- 2015-11-19 21:33:36

Impagável

Nassif mais irônico do que Millor Fernandes dissecando a primorosa obra de Fernando Henrique.

altamiro souza

- 2015-11-19 19:30:24

é duro o cara envelhecer e

é duro o cara envelhecer e não ser econhecido pela razoável obra que criou antes.

talcwz tenha se desesperado com essa falta de "reconhecimento" ...

acabou se juntando ao que há de pior na cultura brasileira atualmente e o que deu foi nisso aí....

jc.pompeu

- 2015-11-19 15:52:11

"Atentados inspiram crônica

"Atentados inspiram crônica imortal de Roberto da Matta"

seu nassif isto é lá hora errada no fora de lugar errado com gênero literário errado pra cachorro de se inspirar para uma leve, lúdica, digestiva, quiçá cômica, crônica imortal de um tal da matta em meio a tragédia civilizatória de mais de 130 mortes inocentes trucidados e a nação franca traumatizada em estado de choque cultural pelo atentado terrorista do estado islâmico e o requinte criminoso diabólico de utilizar "artefatos homens-bombas" feitos caseiros made in france, com os filhos pródigos nascidos para matar e morrer na própria invencível frança eterna!!?!!

 

 

 

Maria Silva

- 2015-11-19 15:30:14

Ja estava preparando a fuzilaria ...

Nassif. Você e seus comentaristas se completam. Pensei que fosse séria essa de "cronica historica". Quase  tenho um ataque de nervos. Ja estava preparando a fuzilaria. Mas os comentarios  me acalmaram. Eu demoro a perceber a ironia. Não tenho esse refinamento ... A proposito, quem é que chama hoje Salvador de "São Salvador"?? Que afetação ridicula ... 

Fabio !

- 2015-11-19 15:00:01

,

Tudo isso acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos !

C.Paoliello

- 2015-11-19 14:12:05

Turquia apoia DAESH/EI

Empresa de filho do presidente da Turquia (Erdogan) transporta petróleo clandestino do DAESH/ISIS/Estado Islâmico:

https://actualidad.rt.com/actualidad/191965-putin-desmintir-mito-washington-lucha-estado-islamico

Felipe Souza

- 2015-11-19 10:34:21

O tempo nem sempre é implacável.
Há mais de 8 anos, zapeando a tv vi esse senhor dando entrevista (o que pode se chamar de entrevista) em um programa. Sabia muito bem quem ele era, mas me espantei em onde ele estava: Domingão do Faustão, às 18:30. Achei aquilo um despropósito não pelo fato de um antropólogo estar em lugar de povão - o que acho louvável, qualquer intelectualidade tem o dever de se chegar o mais perto da massa - mas por ser o programa precário em esclarecer e pródigo em desinformar. Dias depois comentado o fato com um amigo, ele matou a charada: "...antropólogo que se propõe a comentar no Faustão, nada tem a comentar." O tempo nem sempre é implacável; alguns continuam "lindos e belos" como Dorian Gray. Abraços!

João de Paiva

- 2015-11-19 10:00:59

Nassif, você está demais!!! E

Nassif, você está demais!!!

E que elegância, que fina ironia, para desconstruir esse pavão, que faz o par perfeito com FHC, de quem sabemos ser ele sabujo admirador.

O ególatra usa como escada a tragédia parisiense. A falsa e pretensa erudição é enfileirada nas digressões literárias e pseudo-filosóficas que, como enchimento de lingüiça, preenchem as linhas em branco reservadas à crônica periódica que escreve para o diário paulista fundado por escravocratas no final do século XIX.

Será que o narciso tupiniquim tem noção do que ocorreu em Bento Rodrigues? Ah, sei! Isso não desperta suspiros consternados naqueles acostumados a viagens e longas estadas em Paris, em apartamentos luxuosos para os quais se tem amigos ricos dispostos a servir de laranjas e assinar escritura de propriedade, de modo a livrar o amigo intelectual e 'príncipe' de ter de explicar como adquiriu aquele imóvel luxuoso na região mais cara da capital francesa.

E que signifância possui Thales de Azevedo! Pelo que escreve o 'antropólogo-sociólogo' esse autor é mais digno de nota e reconhecimento que Augusto dos Anjos, poeta de um só livro publicado: Eu.

Como comentei noutro artigo: não tivesse Jessé Souza problemas de dicção e um pouco de gagueira, seria interessantíssimo colocá-lo para debater com Roberto Damatta. Os leitores podem ter uma idéia do massacre que Jessé imporia ao pavão, lendo "A ralé brasileira: quem é e como vive" ou outros livros e estudos recentes conduzidos pelo professor e sociólogo Jessé Souza.

Eduardo Outro

- 2015-11-19 09:34:17

VÍTIMA DA TRAGÉDIA

Fernando, fui uma vítima, ao menos parcial, da tragédia interpretativa. 90% atribuo a minha senilidade, 10% compartilho com o Nassif. Ele produiziu, não sei quando, um post, conclamando os comentaristas a respeitarem determinadas pessoas, privando-as de críticas, fossem quais fossem suas posições, por estarem acima de nossas querelas. Entre elas, quem? Corrija-me se eu estiver errado. Abs.

Maria Rita

- 2015-11-19 08:27:12

Não podia haver comparação

Não podia haver comparação melhor! O próprio.

Morais Velente

- 2015-11-19 04:10:49

Antes do início do amistoso

Antes do início do amistoso de futebol entre as seleções da Turquia e Grécia em Istambul, os fãs turcos desprezaram o minuto de silêncio dedicado às vítimas dos atendados em Paris que aconteceram na sexta-feira passada (13).

Segundo escreve o jornal The Daily Mail, quando ambos os times estavam em formação no centro do campo para uma cerimônia de luto e foi anunciado um minuto de silêncio, os torcedores turcos começaram a vaiar e gritar “Allahu Akbar!” (Deus é grande, em árabe).


Leia mais: http://br.sputniknews.com/sociedade/20151118/2794321/Turquia-torcedores-Paris.html#ixzz3ruJ40cj3

[email protected]

- 2015-11-19 03:48:57

Tour da Matta, da Montante à Vazante, De Camelo em Pelo

Da Matta a Torre Eiffel, passando pelo Mercado Modelo, e a revolta a Icaraí, que nada tem a ver a cantante, Recuerdos de Ypacaraí. 

Juca1000

- 2015-11-19 03:13:10

Igualzinho

Kkkkkkkk boa essa.

O Escritor

- 2015-11-19 02:17:29

Para que tá feio, cara.

olinto

- 2015-11-19 02:04:37

Ficção?

Ótimo texto! Com os fatos superando as lendas, imprimamos os fatos...

agamenon

- 2015-11-19 01:42:16

psicoproctologia

Morar em Niterói em plena fase anal dá nisso.

Fernando J.

- 2015-11-19 01:36:56

senilidade

Há cerca de 2 anos, a jornalista carioca Ana Helena Tavares publicou no Facebook que tinha ligado para o Antonio Candido pedindo para gravar uma entrevista, sobre o período da ditadura. O professor gentilmente recusou dizendo que não convinha, pois a cabeça já não era mais a mesma, já estava com sérios lapsos de memória, e por isso nçao gostaria de dar um depoimento incompleto, truncado. Em abril passado, o professor Janine convidou-o para sua posse no MEC. Novamente o professor Antonio Candido recusou, mas topou a segurança de gravar um vídeo que foi exibido na solenidade de posse do Ministro da Educação. Tem plena consciência da própria fragilidade mental aos incríveis 97 anos, não quer pagar mico. 

Na reportagem de capa da Brasileiros de setembro, Marcelo Rubens Paiva conta do lançamento do livro "Ainda estou aqui", e como a mãe, Eunice Paiva, advogada, se auto-interditou, pressentindo os sintomas do Alzheimer. Marcelo começa o livro narrando a cena em que acompanha a mãe até o Forum João Mendes para interditá-la. O Alzheimer estava começando. mas ela tinha lucidez suficiente para requerer a própria interdição em favor do filho, que passa a ser o responsável jurídica e criminalmente por ela. 

Da Matta está na mesmíssima situação, só lhe falta a lucidez e a autocrítica que sobra em Antonio Candido e Eunice Paiva. Há 5 anos, concedeu uma entrevista para a revista Trip, do tipo vergonha alheia, além de ser um reacionário de mão cheia. Aos 79 anos, produz uma coluna ridícula como essa, e dá motivos de sobra para o Nassif produzir uma das melhores e mais divertidas críticas a respeito. 

PS.: Interpretação de texto é uma tragédia. Compartilhei no Facebook com o aviso: "contém alta dose de finíssima ironia". Pois me aparece um que entendeu que a ironia era do Da Matta e entendeu como "sério" o texto do Nassif. Apaguei o post. 

Eduardo Outro

- 2015-11-19 01:27:59

Desculpem-me, saí da nóia.

Desculpem-me, saí da nóia.

ANDRÉ XAVIER

- 2015-11-19 01:01:12

Estado Islâmico queria


Ôo Fábio, voçê quase me matou de rir. Adorei! Tô rindo até agora.

JB Costa

- 2015-11-19 00:35:20

Um típico intelectual do

Um típico intelectual do PSDB. 

Snaporaz

- 2015-11-18 23:49:29

Da Mata nunca se perdoou  por

Da Mata nunca se perdoou  por  não se chamar Darcy Ribeiro.

Eduardo Outro

- 2015-11-18 23:04:26

NÓIA

Não fumo, não bebo, nem cheiro e nem minto. Mas estou numa nóia danada. É que não entendi nada e o Nassif parece estar falando sério. Alguém pode me explicar desenhando?

Marcos K

- 2015-11-18 22:32:08

Gibi do Mickey é melhor.

Gibi do Mickey é melhor.

Vinicius Carioca

- 2015-11-18 22:01:22

Clap clap clap

Nassif, vc foi na veia!

Rogerio Abreu

- 2015-11-18 21:45:35

De carnavais e outros mais...

Como explicar a transformação deste senhor que pula dos Carnavais, Malandros e Heróis (muito bom, na minha singela opinião) para um mundo de poucos carnavais, muitos malandros e rançosos heróis? Me consola o fato dele ocupar hoje espaço de referência nas cabecinhas preconceituosas das Zonas Sul ... Atualmente, e já há algum tempo, não leio. Só você Nassif a obrigar-me a isso....

Rogerio Abreu

- 2015-11-18 21:43:56

De carnavais e outros mais...

Como explicar a transformação deste senhor que pula dos Carnavais, Malandros e Heróis (muito bom, na minha singela opinião) para um mundo de poucos carnavais, muitos malandros e rançosos heróis? Me consola o fato dele ocupar hoje espaço de referência nas cabecinhas preconceituosas das Zonas Sul ... Atualmente, e já há algum tempo, não leio. Só você Nassif a obrigar-me a isso....

Laure

- 2015-11-18 21:02:05

Ri muito, Fabio SP, seu texto

Ri muito, Fabio SP, seu texto é ótimo. Moro no Rio. Valeu !!! 

caju azedo

- 2015-11-18 21:01:12

Omissão imperdoável

Faltou o começo! O começo começa assim: 'Era uma noite escura e tempestuosa !!!'

André Oliveira

- 2015-11-18 20:27:34

Roberto da Matta sendo mais

Roberto da Matta sendo mais Roberto da Matta do que nunca.

 

paulo vi

- 2015-11-18 19:40:27

Às lágrimas, o texto me

Às lágrimas, o texto me remeteu ao incomparável e inesquecível Roberval Taylor.

Fabio SP

- 2015-11-18 19:31:11

Estado Islâmico queria

Estado Islâmico queria explodir Cristo Redentor junto com ação terrorista na França.
(CNN Special)

Documentos descobertos e mantidos em sigilo pela Polícia Federal do Brasil, FBI e Polícia Francesa revelam que o Estado Islâmico (ISIS), teria ordenado a execução de um atentado no Brasil.

O alvo da ação seria a estátua do Cristo Redentor, um dos símbolos mais conhecidos do Rio de Janeiro. Foram enviados para o sequestro de um avião que seria lançado contra a "estátua-símbolo dos infiéis cristãos".

Os registros da Polícia Federal dão conta de que os dois terroristas chegaram ao Rio no domingo, 1 de novembro , às 21p7m, num voo da Air France.

A missão começou a sofrer embaraços já no desembarque, quando a bagagem dos muçulmanos foi extraviada, seguindo num voo para o Paraguai.

Após quase seis horas de peregrinação por diversos guichês e dificuldade de comunicação em virtude do inglês ruim, os dois saem do aeroporto, aconselhados por funcionários da Infraero a voltar no dia seguinte, com intérprete. Os dois terroristas apanharam um táxi pirata na saída do aeroporto, sendo que o motorista percebeu que eram estrangeiros e rodou duas horas dando voltas pela cidade, até abandoná-los em lugar ermo da Baixada Fluminense. No trajeto, ele parou o carro e três cúmplices os assaltaram e espancaram.

Eles conseguiram ficar com alguns dólares que tinham escondido em cintos próprios para transportar dinheiro e pegaram carona num caminhão que entregava gás. Na segunda-feira, às 7p3m, graças ao treinamento de guerrilha no Afeganistão, os dois terroristas conseguem chegar a um hotel de Copacabana.

Alugaram então um carro e se perderam no Rio, entraram para o lado da Rocinha e o carro foi totalmente metralhado, mais uma vez graças ao treinamento de guerrilha se safaram, voltaram para aeroporto, determinados a sequestrar logo um avião e jogá-lo bem no meio do Cristo Redentor. Enfrentam um congestionamento monstro por causa de uma manifestação de estudantes e professores em greve e ficaram três horas parados na Avenida Brasil, altura de Manguinhos, onde seus relógios foram devidamente roubados em um arrastão. Às 12p0m, resolvem ir para o centro da cidade e procuram uma casa de câmbio para trocar o pouco que sobrou de dólares.

Recebem notas de R$ 100,00 falsas, dessas que são feitas grosseiramente a partir de notas de R$ 1,00.

Por fim, às 15p5m chegam ao Tom Jobim para sequestrar um avião.

Aeroviários e passageiros estão acantonados no saguão do aeroporto, tocando pagode e gritando slogans e palavras de ordem contra o governo.

O Batalhão de Choque da PM chega batendo em todos, inclusive nos terroristas.

Os árabes são conduzidos à delegacia da Polícia Federal no Aeroporto, acusados de tráfico de drogas, visto que tiveram plantados papelotes de cocaína nos seus bolsos.

Às 18 horas, aproveitando o resgate de presos feito por um esquadrão de bandidos do Comando Vermelho, eles conseguem fugir da delegacia em meio à confusão e ao tiroteio. Às 19h05 eles se dirigem ao balcão da GOL para comprar as passagens.

Mas o funcionário que lhes vende os bilhetes omite a informação de que os vôos da companhia estão suspensos.
Eles então discutem entre si, pois começam a ficar em dúvida se destruir o Rio de Janeiro, no fim das contas é um ato terrorista ou uma obra de caridade.

Às 23p0m, sujos, doloridos e mortos de fome, decidem comer alguma coisa no restaurante do aeroporto. Pedem sanduíches de churrasquinho com queijo de coalho e limonadas. Só na terça-feira, às 4p5m, conseguem se recuperar da intoxicação alimentar de proporções equinas, decorrente da ingestão de carne estragada usada nos sanduíches. Foram levados para o Hospital Miguel Couto, depois de terem esperado três horas para que o socorro chegasse e percorresse os hospitais da rede pública até encontrar vaga. No HMC foram atendidos por uma enfermeira feia, grossa, gorda e mal-humorada.

Debilitados, só terão alta hospitalar no domingo.

Domingo, 18p0h: os homens de al-Baghdadi saem do hospital e chegam perto do estádio do Maracanã. O Flamengo acabara de perder o jogo . A torcida rubro-negra confunde os terroristas com integrantes da galera adversária e lhes dá uma surra sem precedentes. O chefe da torcida é um tal de "Pé de Mesa", que abusa sexualmente deles.

Às 19p5m, finalmente são deixados em paz, com dores terríveis pelo corpo, em especial na área proctológica. Ao verem uma barraca de venda de bebida nas proximidades, decidem se embriagar uma vez na vida (mesmo que seja pecado, Alá que se foda!). Tomam cachaça adulterada com metanol e precisam voltar ao Miguel Couto. Os médicos também diagnosticam gonorreia no setor retofuricular inchado (Pé de Mesa não perdoa!).

Segunda-feira, 23p2m: os dois terroristas fogem do Rio escondidos na traseira de um caminhão de eletrodomésticos, assaltado horas depois na Serra das Araras. Desnorteados, famintos, sem poder andar e sentar, eles são levados pela van clandestina de uma ONG ligada a direitos humanos.

Viajam deitados de lado. Conseguiram fugir do retiro da ONG no dia seguinte e perambulam o dia todo à cata de comida. Cansados, acabam adormecendo debaixo da marquise de uma loja.

A Polícia Federal ainda não revelou o hospital onde os dois foram internados em estado grave, depois de espancados quase até a morte por um grupo de mata-mendigos. O porta-voz da PF declarou que, depois que os dois saírem da UTI, serão recolhidos no setor de imigrantes ilegais, em Brasília, onde permanecerão até o Ministério da Justiça autorizar a deportação dos dois infelizes, se tiver verba, é claro.

Os dois consideraram desnecessário terrorismo no Brasil e irão sugerir na Síria um convênio para realização, no Rio de Janeiro, de treinamento especializado para o pessoal do ISIS, alegando que em matéria de terror e sofrimento imposto, estamos anos luz à sua frente.

Doney

- 2015-11-18 19:27:34

É bom memorizar este nome,

É bom memorizar este nome, Roberto da Matta: não posso deixar de perder seus textos.

Ivan de Union

- 2015-11-18 19:14:36

Protesto!

O "Premio Non Seq doAno do Jornal GGN" eh no fim do ano!

(e ele ja ganhou!)

Roberto Monteiro

- 2015-11-18 19:10:08

O cidadão é erudito.

A estupidez humana desconhece a erudição. O que vemos é muita erosão. São barragens e bobagens a vazante destuindo vidas e levando consigo um mar de esperanças perdidas. Tanto em Mariana quanto em Paris a vida vale muito pouco. O metal que sai das minas é parecido com o metal que sai das armas. Emprega uns poucos, gera riqueza para alguns e distribui tristeza para muitos.Eu vi a contabilidade das tragédias, Parecia que o diabo tinha baixado à terra (ou subido, não sei) e apresentado o balanço de sua satisfação. Ao mesmo tempo pergunto a mim mesmo: seria o diabo ou os muitos diabos que cohabitam este planeta? Só sei que não gostei dos números-vermelho sangue. Os culpados, estes esquecem do que fizeram e ficam prometendo a redenção dos pecados aos que aqui ficaram chorando suas perdas humanas ou materiais. Agora, resta juntar os cacos da emoção que ainda resta, e crer que a humanidade não é toda esta maldade que nos é apresentada.

Luiz Hespanha

- 2015-11-18 19:06:20

Nunca me emocionei e aprendi

Nunca me emocionei e aprendi tanto ao mesmo tempo. Inevitável o banheiro.

Rolandinho no Lero

- 2015-11-18 18:37:38

Senta lá

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