Dialogando com um neoliberal
por Jorge Alexandre Neves
Pois é, entre 2015 (quando Levy inaugura a nova fase neoliberal) e 2018, a economia brasileira teve um crescimento pujante, né?
Obviamente não, me diria um observador neoliberal atento, a recessão de 2015-2016 foi consequência dos erros anteriores.
Hum, vamos assumir que sim. Então, após dois anos de forte crescimento negativo do PIB, que jogou a inflação pra baixo e a capacidade ociosa pra cima, as “corretas” políticas neoliberais do governo Temer fizeram a economia brasileira ter um crescimento robusto em 2017-2018, certo?
Claro que não, cara! Em 2017 o crescimento foi de 1,3% e em 2018 de 1,8%. Mas não teve um crescimento grande o suficiente porque não houve aprovação de todas as reformas necessárias.
Oxente, mas no governo de Bolsonaro teve a aprovação da reforma da previdência e de uma nova reforma trabalhista. Visto que já tinha havido uma reforma trabalhista no governo Temer, bem como reformas neoliberais no modelo de exploração do petróleo, entre outras. Não seria tudo isso suficiente pra já ter havido a atração de investimentos e um crescimento um pouco mais significativo.
Não, cidadão! Eu disse que seriam necessárias TODAS as reformas pra ter o crescimento!
Mas como explicar o crescimento robusto que houve na década entre 2004 e 2014 sem terem sido feitas todas essas reformas?
PQP, você não entende nada de nada, né? Naquele momento, esse crescimento só foi possível por causa do boom de commodities!
Mas pera aí… Só um minuto, meu amigo… E por que o boom de commodities que estamos vivendo este ano não tá tendo o mesmo efeito? Aliás, como bem ressaltou, agora, a Folha de São Paulo? (1)
Rapaz, você é surdo?!?! Cacete, já expliquei: POR QUE NÃO FORAM FEITAS TODAS AS REFORMAS!
Desculpa insistir, mas antes o boom de commodities gerou crescimento sem essas reformas…
VTNC, seu gordo babaca! Desisto!
Jorge Alexandre Barbosa Neves – Ph.D, University of Wisconsin – Madison, 1997. Pesquisador PQ do CNPq. Pesquisador Visitante University of Texas – Austin. Professor Titular do Departamento de Sociologia – UFMG – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
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José Carvalho
7 de junho de 2022 10:18 pmA globalização apresentou uma série de recomendações para todos os países participarem das promessas de crescimento inigualável que seria resultante de suas adoções. As capacidades em cada um dos países envolvidos, no que refere à compreensão por cada um, de qual a melhor forma de realizar essa participação, envolve a percepção de ganho e perda que resultaria a aplicação dessas reformas recomendadas. Cada um é responsável pela análise do que e como fazer as privatizações. Ninguém colocou um canhão apontado contra ninguém, exigindo que fosse feito de uma ou de outra forma. Para isso bastava saber o que se desejava produzir com a eventual privatização. O que o País teria em troca de fazer a privatização de alguma área, se no acumulado do tempo haveria ganhos reais ou se ocorreria um efeito momentâneo. Quando o Brasil passar a se enxergar como uma Nação, vai parar de tomar decisões como se elas não causassem consequência alguma, que o País é quem sofrerá o benefício ou o malefício. Tudo o que o País não andou ao longo dos anos, em todas as dimensões deveria representar algo. As decisões sempre são tomadas pelos países de acordo com o interesse de cada um.