
Gaza
por Izaías Almada
Penso que ‘A faixa de Gaza’ ou apenas Gaza, se transformou, infelizmente, numa espécie de adjetivo contemporâneo para, quem sabe, caracterizar o surgimento de nova era histórica.
O genocídio cometido pelo Estado de Israel contra os palestinos que ali viviam e ainda vivem marca, com o sangue de mais de 65 mil pessoas assassinadas e 165 mil feridas, uma ação ainda a ser explicada ao mundo…
Tudo indica que, daqui para frente, os historiadores passarão a narrar fatos e acontecimentos – importantes ou não – entre o “antes” e o “depois” de Gaza.
Criado pouco tempo depois do final da Segunda Guerra Mundial, o Estado de Israel foi geograficamente definido num espaço do Oriente Médio onde já viviam alguns milhões de árabes, tendo suas fronteiras delineadas de norte a sul e de leste a oeste à Líbia, Síria, Jordânia, Egito, bem como ao Rio Jordão, o Mar Mediterrâneo, o Mar Morto, o Mar da Galileia e o Mar Vermelho.
Existem mesmo pesquisas antigas que afirmam serem árabes e judeus irmãos numa linhagem que perdura há muitos milhares de anos. Por qual razão vivem em guerras e desavenças constantes?
No final do mês de setembro e começo desse mês de outubro, acordos de paz foram acertados entre o Hamas e o governo israelense, mas nada indica que a questão esteja resolvida, quando ameaças e ações de um lado e do outro não foram contidas totalmente.
O surgimento de novas “lideranças políticas mundiais”, sobretudo a do atual presidente norte americano, que – além de ter apoiado a investida contra Gaza – tem ameaçado a inúmeros países com os mais variados pretextos, deixa no ar um cheirinho desagradável de possíveis combates a levar o nosso planetinha a mais uma guerra mundial.
De repente a arrogância e a maldade tomaram conta de algumas cabeças cobiçosas por mais poder e dinheiro, quando o mundo precisa justamente do contrário: de menos arrogância e maldade. Precisamos de paz e melhor distribuição da riqueza e isso, infelizmente não vem do fundo do poço e da mediocridade de pensamento.
Que Gaza se transforme em um ponto de inflexão para a via mais sensível, inteligente e pacífica do ser humano, deixando de lado a frustração e a inveja dos desajustados que gostariam de ser aquilo que não podem ser mesmo com o dinheiro e o poder conquistado pelo emprego da violência…
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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