Hoje eu quero sair só, por Rui Daher

Hoje eu quero sair só

por Rui Daher

Se aos nove anos de idade as sirenes da Gazeta, na Avenida Cásper Líbero, avisaram os monges beneditos do Largo que deveriam liberar os alunos para voltarem às suas casas, pois o presidente Getúlio Vargas estava morto, e dez anos depois, no rádio de meu quarto, olhando o tráfego do Viaduto Santa E(I)figênia – a Cúria ainda não me esclareceu – eu ouvia, pela Rádio Marconi, o discurso na Central do Brasil do presidente do Brasil, João Goulart, pregando as reformas de base, por que estaria eu, hoje, prestando atenção e decifrando Michel Temer e sua quadrilha legislativa, judiciária e midiática?

O Brasil não enlouqueceu. Sempre foi isso. Somos um povo que acredita ricos serem ricos porque Deus os ajuda.

Meu escritório fica perto da igreja de São Judas Tadeu. Todos os dias 28 do mês, sobretudo em outubro, seu dia, vejo filas de fiéis orando para que o Santo assim os mantenham, ricos e pobres. Iate em Angra dos Reis e churrasco na laje, por que não? Alguém leu o que dizia Jesus Cristo? Não? Pois é, os monges beneditinos me ensinaram e me desviaram o caminho.

A verdade é que estou na finitude da vida sem nunca ter lido uma obra de Lobão, José Luiz Datena, Luana Piovani ou Alexandre Frota, o que muito me entristece. São ouvidos, aquiescidos e aplaudidos. Obra perdida em troca de Darcy Ribeiro, eu, equivocado como sempre.

Não há análise sociológica, política, econômica para o que está acontecendo no Brasil. Sugiro, pois, que parem. Descaramento não merece análise.

E aqui me dirijo a duas senhoras que respeitava como jornalistas. A diretora de Redação e a adjunta do jornal Valor Econômico, que leio por obrigação profissional, Vera Brandimarte e Cláudia Safatle.

Não me refiro aos colunistas, que eles convocam para demonstrar alguma neutralidade democrática. Mentira. Façam o balanço. Na Folha contraponham Laura Carvalho, Vladimir, Duvivier e Jânio de Freitas aos demais. E tem aquele risível japonesinho.

Amigo a quem respeito sempre me garantiu a honestidade jornalística de Vera e Cláudia. Como assinante, o que lia, me fazia concordar com ele. Até que a Folha de São Paulo saiu da sociedade e a Globo ficou com o controle total do matutino. Não que a empresa dos Frias filhos seja flor que se cheire. Mas engana, tentando dar um ar de neutralidade. Já os Marinhos cagam.

Dio mio! Em poucos meses, o País se tornou um oásis de otimismo. O noticiário é de que tudo vai bem. Apenas casos de sucesso. Gostaria de incluir o meu: 50% da 1ª edição do “Dominó de Botequim” esgotados. Atenção: 10 de março, todos na Realejo Livros, em Santos.

Quero saber, Vera e Cláudia, vocês mudaram ou a Globo mandou?

 

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