Liberalismo para inglês ver, por Homero Fonseca

Taxação das blusinhas escancara a farsa do liberalismo de conveniência vigente no Brasil (e no mundo).

Polo de confecções no interior de Pernambuco: preços competitivos, sem medo de importação.

Liberalismo para inglês ver

por Homero Fonseca

Tá o maior escarcéu na mídia: o Congresso, de maioria conservadora, direitista e autoproclamada liberal, está empenhado em derrubar a isenção de impostos sobre produtos importados no valor de até 50 dólares.

Isso impactará o bolso dos pobres, que pagarão mais caro por aquele blusinha e aquele tênis fabricados na China, Malásia etc.

A intenção é proteger a incompetência e os privilégios da indústria e comércio tupiniquins.

Lembrando que protecionismo e taxações são medidas antiliberais, por princípio.

Já quando se fala em taxar as grandes fortunas, o assunto é tabu: nem vai a votação.

Os congressistas – representantes do patronato em sua maioria – são liberais na defesa dos patrões – e mandam o liberalismo às favas, quando se trata de ferrar os pobres.

Liberalismo para inglês ver (aliás, expressão cunhada no século 19, quando os escravistas se proclamavam liberais, enquanto faziam tudo para manter a escravidão).[1]


[1]Os ingleses pressionavam pela abolição para ampliar o mercado para seus produtos.

Homero Fonseca é pernambucano, escritor e jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Foi editor da revista Continente Multicultural, diretor de redação da Folha de Pernambuco, editor chefe do Diario de Pernambuco e repórter do Jornal do Commercio. Foi também professor de Teoria da Comunicação e recebeu menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Atualmente, dedica-se à literatura e mantém um blog em que aborda assuntos culturais.

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