Nada de buchada na terra da energia solar
por Magali Romboli
Essa gente que sai lá de São Paulo chega aqui sempre aperriado. Nas ideias trás o percebimento de que aqui não se empurra prego nem em mamão maduro. São uns “tal” de executivo. De início tudo engomadinho, mais depois se o cão não chupa manga e não se avia (agiliza) o cortado, logo vira pó para os coronéis da Vila Olímpia.
Nós já bulimos com muita gente, tem tempo já se deu grau na tecnologia, os cabra descem na capital e nem conhece o nosso porto digital.
A gente já nasceu aqui, bem antes do Guimarães, seu moço, ̈o senhor ache e não ache. Tudo é o que não é … ̈
Agora avalie que o tal cabra mesmo sabido das engenharia, muito antes dele aprumar a pulso, oxi, já se dava luz pra-almas das casas, das fábricas e de tudo o que é gente que pode pagar.
– A luz aqui é outra, meu senhor, argumenta o sertanejo. Vem do Sol, não vem do Nosso Senhor. Já tem tempo, a gente tem parque para o Astro Rei brincar, se é pique-esconde, cabra-cega ou se é por pura vaidade, não sei lhe informar, mas num é que a quentura fica congelada no espelho e depois vira raio e vai para tudo que é lado.
O vara pau ficou zuretado, logo começou com uma bestage do tamanho das bitola de ferrovia, pra mode contar vantagem encarnou numa tal medida:
– Vocês sabiam que o modelo mais avançado de ônibus espacial, da NASA, tem a largura das bitolas dos vagões dos trens ingleses, de 4 pés e 8,5 polegadas? Logo o povo matutou para saber o que será que o tampa de crush vai aprontar. Esta medida veio da produção carroças, e depois, por economia, os ingleses usaram as mesmas ferramentas para produzir vagões dos trens e a indústria evoluiu, mas mantiveram a produção de ferramentas com as medidas que eram feitas para as carroças. O desatinado não respirava. As carroças inglesas circulavam nas estradas abertas pelas legiões romanas, que tinham sempre à frente bigas puxadas por dois cavalos parelhos.
Antes que o bixiga lixa nos mandasse para o espaço, nós peguemo o cabra que parou para puxar o ar: o senhor tá falando que o ônibus espacial dos state não pode ser mais largo, por conta da bunda de dois cavalos? Aí todo mundo se borrou.
Bem-vindo à cidade que tem Power Purchase Agreement, por aqui o povo não come só buchada, nós esquenta até americanidade, na chapa. O hambúrguer é de bode e o doutor-engenheiro não se avexe não que nada é para já. A língua do povo é viva e afiada.
Se não fosse um causo verdadeiro de um amigo engenheiro, não dava para acreditar.
Sem vocês, povo nordestino, o Brasil continuaria feio, triste e vivendo um completo apocalipse.
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KATSUE HAMADA E ZENUN
23 de janeiro de 2024 3:53 pmMagali, continua com uma linguagem afiada não querendo dizer, mas já dito, o que se passa nestas terras derradeiras.
Abraço