19 de junho de 2026

Carlo Collodi, o criador de Pinóquio

Do Opera Mundi

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Hoje na História: 1890 – Morre Carlo Collodi, o criador do boneco Pinóquio

Carlo Collodi, escritor e jornalista italiano, conhecido como o criador de Pinóquio, o célebre boneco de madeira, morre em 26 de outubro de 1890, em Florença. O nariz do simpático boneco cresce quando conta uma mentira e volta ao normal quando diz a verdade. Essa história inspirou milhares de caricaturistas quando queriam criticar aqueles que falam mentiras e produtores cinematográficos, entre eles Walt Disney, cuja animação de 1943 foi consagradora. O filósofo italiano Benedetto Croce ressaltou que “a madeira com a qual Pinóquio foi esculpido é a própria humanidade”.

“C’era una volta…
-Un re! – diranno subito i miei piccoli lettori.
No, ragazzi, avete sbagliato. C’era una volta un pezzo di legno.”

(Era uma vez … – Um rei! diriam de pronto os meus pequenos leitores. Não, meninos, vocês se enganaram. Era uma vez um pedaço de madeira.)

Carlo Collodi nasceu Carlo Lorenzini em Florença em novembro de 1826. Era o primeiro de dez filhos. Passou a infância na montanhosa cidadezinha de Collodi. Mais velho, foi enviado para o seminário de padres de Val d’Elsa. No entanto, após sua ordenação, começou a trabalhar como vendedor de livros.

Quando o movimento pela unificação nacional da Itália se espraiou, Collodi mergulhou na política. Aos 22 anos, tornou-se jornalista, lutando pela independência italiana. Em 1848 fundou o jornal satírico Il Lampione (O Lampião), que acabou em 1849. O periódico seguinte, La Scaramuccia (A Escaramuça), teve mais sorte e em 1860 ele ressuscitou Il Lampione. Collodi escreveu também comédias e editou jornais e revistas.

O escritor abandona então o jornalismo, voltando-se para a fantasia infantil, traduzindo para o italiano contos de fada do escritor francês Charles Perrault quem reviveu contos meio esquecidos como O Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida e O Gato de Botas. Collodi passou a escrever suas próprias histórias infantis, inclusive uma série sobre o personagem Giannettino.

Nascimento de Pinóquio

O primeiro capítulo de As Aventuras de Pinóquio apareceu em 1881 no Jornal das Crianças, um novo semanário infantil. Tornou-se um sucesso imediato, embora os padres temessem que Pinóquio pudesse encorajar a rebelião. A história descreve um boneco de madeira talhado por um velho marceneiro, Geppetto.

Pinóquio ganha vida e tem de aprender, valendo-se de duras lições, a ser generoso. “… Sou uma marionete desprezada, desprezada e sem coração”. “Ah! Se eu tivesse um tiquinho de coração…” Finalmente, deixa de ser uma marionete e se torna um menino. A moral da história é que “Meninos que amam e cuidam bem dos pais quando ficam velhos e doentes merecem elogio mesmo que não sejam tidos como modelo de obediência e bom comportamento.” As ilustrações do original foram feitas por Eugenio Mazzanti.

“Como você sabe que estou vivo?”
“Mentiras, meu garoto, a gente reconhece num instante. Há dois tipos de mentiras, mentiras de penas curtas e mentiras de nariz comprido. As suas parecem ser do tipo nariz comprido.”

Pinóquio, não tendo como esconder a vergonha, tenta escapar da sala, mas seu nariz tornou-se tão comprido que não pôde atravessar a porta.

Cinema

Giulio Antamoro produziu uma versão ainda no cinema mudo em  1911. A versão de Luigi Comencini de 1972, estrelada por Gina Lollobrigida, era mais fiel à história original que o desenho animado de Disney, produzido em 1940. O Pinóquio de Roberto Benigni (2002) foi rodado para o público norte-americano. No filme de Disney, Gepetto é um fabricante de brinquedos e não um pobre entalhador. Um dia, ele termina de talhar o boneco. Seu rogo para que o boneco se torne um menino de verdade é ouvido pela Fada Azul, que dá vida à marionete. Ela diz que ele só se tornará um menino de verdade quando descobrir a valentia, a verdade e a solidariedade. Jiminy Cricket, ou o Grilo Falante é a consciência de Pinóquio.

O boneco mente sobre suas andanças e o nariz cresce. Em seu caminho para casa, é interrompido pelo Falso Amigo, a Raposa e Gideão, o Gato e levado à Ilha do Prazer de Stromboli, onde os meninos são transformados em macacos para venda. O grilo salva Pinóquio, mas não antes que o boneco se transformasse parcialmente em macaco. Chegando em casa, descobrem que Gepetto foi engolido pela baleia Monstro. Os dois o salvam, porém, aparentemente Pinóquio está morto. Com o toque da varinha da Fada Azul volta à vida e a ser menino de verdade.

Pinóquio introduz uma teia complexa de questões morais. O de Collodi é mais egoísta e agressivo que o da Disney. Finalmente, Pinóquio deixa de ser uma criança egoísta e passa a ser um adulto que compreende os sentimentos do outro.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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