O jornalista e militante Paulo Cannabrava Filho, fundador e diretor da revista Diálogos do Sul Global, tem sua trajetória retratada no documentário Companheiro Canna, que estreia nesta segunda-feira (20), às 20h. Dirigido e roteirizado por Lilia Souza Diniz, o longa acompanha os 90 anos de vida de um dos personagens que testemunharam, por dentro, alguns dos momentos mais decisivos da história política da América Latina.
Produzido pela Caliban Cinema e Conteúdo, o filme reconstrói o percurso de Cannabrava entre exílios, golpes de Estado, revoluções e movimentos de libertação nacional, destacando sua atuação como jornalista comprometido com a defesa da democracia, da soberania dos povos latino-americanos e da justiça social.
A produtora foi fundada pelo cineasta Silvio Tendler, referência do documentário político brasileiro e amigo de longa data de Cannabrava. Tendler participou das entrevistas para o projeto, mas morreu antes da conclusão do filme. Sua presença, no entanto, permanece como um dos fios condutores da narrativa, tanto por sua participação em cena quanto pela influência sobre a construção da obra.
Segundo Lilia Souza Diniz, o documentário procura revelar não apenas o militante e o jornalista, mas também a dimensão humana de Cannabrava. “Temos acesso ao coração do militante. Ele conta como é chorar copiosamente a morte de um companheiro e como é tecer redes de solidariedade quando tudo dá errado”, afirma a diretora.
Jornalismo como instrumento de transformação
Ao longo do documentário, Cannabrava relembra episódios marcantes das décadas de 1960 e 1970, período marcado por ditaduras militares e intensas disputas políticas no continente. Entre os relatos estão encontros com Carlos Marighella e sua participação nas redes de apoio a militantes que seguiam para treinamento em Cuba, além das reuniões realizadas com jornalistas comunistas durante os anos de clandestinidade.
A narrativa também aproxima passado e presente ao discutir as transformações das formas de dominação política e econômica. Em uma das sequências, Cannabrava percorre a avenida Faria Lima, em São Paulo, relacionando a financeirização da economia, a desindustrialização brasileira e a expansão do pensamento neoliberal ao fortalecimento do capital financeiro.
“O que me move é essa luta contínua, uma luta contínua contra o império, contra as burguesias vendidas ao imperialismo, contra as oligarquias”, afirma o jornalista em um dos trechos do documentário.
Legado de Silvio Tendler
A produção também presta homenagem a Silvio Tendler, que desejava levar a história de Cannabrava para o cinema. Após a morte do cineasta, o jornalista confiou à equipe da Caliban a continuidade do projeto.
“Eu acho que o Silvio Tendler queria fazer um documentário sobre a minha trajetória, mas ele não conseguiu, ele se foi antes. E eu chamei a Caliban Cinema para aceitar esse desafio”, relata Cannabrava no filme.
Para Lilia Souza Diniz, uma das cenas mais emocionantes reúne Tendler e Cannabrava em uma conversa registrada antes da morte do diretor. Segundo ela, o encontro simboliza o companheirismo e a continuidade de uma trajetória construída em defesa das causas populares e da memória política latino-americana.
Ao revisitar nove décadas de história, Companheiro Canna apresenta a trajetória de um jornalista que fez da profissão uma ferramenta de intervenção na realidade, reunindo memórias pessoais, episódios históricos e reflexões sobre os desafios contemporâneos da América Latina. O documentário celebra uma vida marcada pela coragem, pelo compromisso com a democracia e pela defesa permanente da soberania dos povos.
Serviço
Documentário: “Companheiro Canna”
Estreia: segunda-feira, 20 de julho de 2026
Horário: 20h
Realização: Caliban Cinema e Conteúdo
Exibição: https://www.youtube.com/@calibanproducoes/featured
Ficha técnica
Direção e roteiro: Lilia Souza Diniz
Produção: Ana Rosa Tendler
Entrevistas: Lilia Souza Diniz e Silvio Tendler
Direção de produção: Maycon Almeida
Direção de fotografia: Patrick Granja
Montagem e desenho de som: Vitor Foquel
Coordenação de pós-produção: Taynara Mello
Assistente de produção-executiva: Diego Tavares
Som direto: Diana Ragnole e Henrique Gentil
Videografismo: Paulo Caetano
Trilha sonora original: Marcelo Alonso Neves
Narração: Julia Lemmertz e Eduardo Tornaghi
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