11 de outubro de 2026

O uso político das notícias contra Alexandre de Moraes, por Luís Nassif

A intenção não é fazer jornalismo: é anular o STF, como última trincheira contra o golpe, por isso manchetes recorrentes.

Contrato do escritório da esposa de Alexandre de Moraes com Banco Master levanta suspeitas e requer apuração rigorosa.
Uso de helicóptero ligado a Vorcaro em 2025 pode ser locação comercial, mas precisa ser investigado para evitar conclusões precipitadas.
Reportagem revela mudanças de voto e contatos entre ministros e Banco Master, indicando necessidade de investigação aprofundada.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Há um pecado original na relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master: o contrato firmado pelo escritório de advocacia de sua esposa com a instituição de Daniel Vorcaro. É fato relevante e merece apuração rigorosa.

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A contratação de escritórios politicamente bem relacionados pode obedecer a duas lógicas distintas. A primeira é a compra de prestígio: ao anunciar que contratou familiares de um ministro do STF, o cliente exibe força e acesso institucional. Isso é eticamente questionável, mas não comprova, por si só, corrupção. A segunda hipótese é que o contrato tenha produzido influência concreta sobre votos ou decisões favoráveis ao cliente.

Até agora, não surgiu uma evidência objetiva sequer de que o contrato com o escritório de sua esposa tenha levado Moraes a votar em favor de Vorcaro. Ainda assim, parte da imprensa procura novos elementos para manter essa conexão na pauta. O episódio mais recente foi o uso, por Moraes, de um helicóptero da Prime You, empresa da qual Vorcaro foi sócio por meio do fundo Patrimonial Blue até setembro de 2025.

As imagens são de 22 de agosto de 2025. Pode ter sido uma locação comercial regular? Pode. A hipótese precisa ser verificada antes de se converter a coincidência em prova de favorecimento. Mas os fatos, ah!, os fatos, servem apenas para atrapalhar a manchete. Ou seja, há um enorme alarido em torno de uma tese duvidosa – se foi aluguel normal ou oferta do banqueiro – e não se consegue encontrar uma prova de beneficiamento de Vorcaro.

Ao mesmo tempo, a divulgação de mensagens de Vorcaro e os episódios recentes no Supremo trouxeram elementos mais concretos sobre a atuação de outros ministros e que não mereceram sequer o acompanhamento dos jornalões.

O caso de maior interesse para o banqueiro era o reconhecimento de precatórios da Destilaria Alcídia, que mereceu bela reportagem de Breno Pires na revista Piauí:

  • Kássio Nunes Marques havia se declarado impedido. Depois, atribuiu o registro de impedimento a um erro, pediu vista, devolveu o processo com um voto de dez páginas favorável à destilaria e formou maioria de 3 a 2. Quatro minutos após o resultado, Luiz Rennó, diretor jurídico do Master, enviou a Vorcaro o contato de Kevin Marques, filho do ministro, acompanhado da frase: “Dominado aqui”.
  • Dias Toffoli também alterou sua posição: votou inicialmente contra a destilaria e, depois, passou a apoiar a tese favorável aos precatórios. Há uma montanha de suspeitas contra Toffoli, mas só enquanto interessava a sua queda da relatoria do Master. 
  • André Mendonça também decidiu sobre os custos dos cemitérios de São Paulo, tema de interesse direto de Vorcaro, um dia depois de se reunir com o banqueiro na capital paulista, na sede do Instituto Iter.

Esses fatos constam da reportagem de Bruno Pires na revista piauí. O ponto central não é retirar Moraes do escrutínio, mas exigir coerência: se vínculos indiretos justificam manchetes sucessivas, mensagens, mudanças de voto e possíveis benefícios a familiares exigem investigação jornalística ainda mais intensa.

Mas a intenção não é fazer jornalismo: é anular o STF, como última trincheira contra o golpe.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

9 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    21 de setembro de 2026 9:33 am

    A crise remonta à primeira vitória de Lula.
    Primeiro a imprensa esvaziou a política.
    Depois a oposição ao governo do PT judicializou de maneira crescente todas disputas parlamentares e partitárias.
    Como isso não bastou seguiu-se o Mensalão, cujo fracasso em interromper as vitórias petistas desaguaram na Lava Jato.
    O golpe do Impedimento sem crime de responsabilidade dado pelo usurpador Michel Temer “com o STF com tudo” transformou a Supreme Corte no “grande eleitor brasileiro”.
    Esse poder extra-constitucional do STF seria novamente empregado para facilitar a eleição de Jair Bolsonaro. Um acordo forçado mediante as ameaças tefônicas e tuitadas do general Villas Boas que tiraram Lula da disputa.
    Na presidência, Jair Bolsonaro marcou um alvo no STF. Ele imaginou, não sem razão, que o ‘grande eleitor brasileiro’ precisaria ser removido do cenário político para que a ditadura bolsonarista vingasse.
    A ditadura quase vingou, mas acabou desmoronando por causa da imbecilidade do seu Jair que preferiu agradar os pastores do movimento anti-vacina e desperdiçar a oportunidade que teve para se firmar como presidente que combateu e derrotou a pandemia.
    A falta de juízo do seu Jair deu ao STF fòlego para recuperar sua importância e protagonismo. A CPI da Covid enterrou as ambições eleitorais bolsonaristas e Lula foi eleito para um terceiro mandato.
    Seguiu-se a destruição de prédios públicos em Brasília, com a notável preservação do prédio do MPF/PGR. Não por acaso o prédio mais vandalizado foi odo STF.
    Durante os últimos anos, a Suprema Corte se tornou mais respeitável ao agir como um fiel da balança na defesa da democracia. Papel que foi cumprido com louvor durante a repressão do vandalismo liderado por Bolsonaro.
    Mas eis que surge no horizonte o banqueiro sedutor com seus milhões de dinheiros. Ele encantou as multidões em Brasília. Nem mesmo os juízes do STF ficaram imunem ao poder dele. E cá estamos: um juiz dinheirista evangélico implodiu a Suprema Corte e o grande defensor da democracia durante e depois do golpe foi rebaixado à condição de “juiz dinheirista”.
    A imprensa golpista samba na toga enlameada de Alexandre de Moraes como se a de André Mendonça fosse menos suja. As escolhas da imprensa são sempre à direita. E a tarefa de Lula é novamente vencer tudo e todos, Donald Trump incluído.
    Nunca antes na história desse país fomos tão evidentemente mediocres. As mensagens criminosas nos celulares do dono do Banco Master decidirão a eleição quer sejam verdadeiras ou fajutas? A conferir.
    Uma coisa é certa. Qualquer que seja o resultado da eleição o STF está em frangalhos. Ele levará uma década e terá que ser totalmente renovado para voltar a ser encarado com alguma seriedade por quem quer que seja. O dinheirismo de vários Ministros transformou nossa Corte Suprema no mínimo em uma Suprema Comédia sem graça.

  2. RONALDO BRAGA

    21 de setembro de 2026 10:06 am

    Nassif, dentre muitas coisas que necessitam de regulação no Brasil está a imprensa. Depois que os principais meios de informação foram capturados pelo mercado financeiro desapareceu qualquer possibilidade de jornalismo verdadeiro. Eu vejo você sempre apelando para o bom senso dos jornalistas. Mas por que você não apresenta uma proposta de regulação?

  3. Paulo Dantas

    21 de setembro de 2026 11:11 am

    Ministros do STF sempre tem amigos com jatinho.

    Mas quando vão de carreira senpre tem um justiceiro(a) para lhes encher o saco.

    O Ministro Alexandre deve explicações.

    Sei que a mídia que atingir Lula.

  4. marjotajotamarcelo

    21 de setembro de 2026 8:15 pm

    O USO MAL ONTENCIONADO DAS NOTÍCIAS COMO FORMA DE DESTRUIR REPUTAÇÕES SELETIVAMENTE VEM DESDE O ESCÂNDALO DA PAÇOQUINHA E A OMISSÃO NO CASO MASTER E INSS QUAL A DÚVIDA???VCS JORNALISTAS SÃO OS CULPADOS EM ACEITAREM A DESTRUIÇÃO DO JORNALISMO EM FAVOR DE MEIA DÚZIA AFF!!!OBS.:A INTERNET NORTE AMERICANA APRENDEU COM A GRANDE MANIPULADORA TELEVISIVA DO BRASIL A DISTORCER E ESCONDER FATOS QUAL A DÚVIDA??? NÃO É CONFIÁVEL E PRECISA SER DENUNCIADA INTERNACIONALMENTE !!!

  5. fabricio coyote

    21 de setembro de 2026 8:18 pm

    um esquema violentíssimo de venda de senteça.

    o sistema de justiça ruiu. por isso não há justiça social. e há encarceramento de negros em massa. e esvaziamento de direitos trabalhistas. triste povo brasileiro.

    a justiça cometeu haraquiri

    com a adaga (não é adega revisor) de vorcaro

  6. marjota.marcelo

    21 de setembro de 2026 8:24 pm

    O USO MAL ONTENCIONADO DE NOTÍCIAS PARA DESTRUIR REPUTAÇÕES DE FORMA SELETIVA VÊM DESDE O “ESCÂNDALO” DA PAÇOQUINHA E O CALAR DOS CASOS MASTER E INSS QUAL A DÚVIDA???VCS JORNALISTAS SÃO OS CULPADOS DE O JORNALISMO ESTAR EM DESCRÉDITO A SERVIÇO DE MEIA DÚZIA!!!OBS.:A INTERNET NORTE AMERICANA APRENDEU A DISTORCER E ESCONDER FATOS COM A GRANDE MANIPULADORA TELEVISIVA DO BRASIL E PRECISA SER DENUNCIADA INTERNACIONALMENTE, NÃO É UM SISTEMA CONFIÁVEL!!!

  7. Rui Ribeiro

    22 de setembro de 2026 10:33 am

    O problema é a distorção do teor de relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal ou os relatórios de inteligência não ter valor probatório?

    Não se esqueça que ele se encontrou na surdina com o Vorcaro, num ambiente privado, o Iter Criminis, e fora da agenda oficial do STF. Tá mais sujo do que pau de galinheiro. Só admitiu o encontro na surdina após esse vir à tona e só devolveu dinheiro do Iter e só deixou o instituto após os escândalos. Não tivessem vindo à tona, ele estaria comendo caladinho.

  8. Jordan Fabrício Martins

    22 de setembro de 2026 5:02 pm

    É realmente inacreditável! LN/GGN pedem emprestada a mesma cara de pau dos Ministros do STF, lambuzados por relações comerciais comprovadamente incompatíveis com os cargos de ocupam! Não se trata de haver prova concreta de favorecimento em alguma decisão judicial da Corte (embora isso esteja implícito e inerente, mas vá lá, é preciso “provas”…). Trata-se de ética profissional, requisito básico e elementar para o exercício da magistratura. Diversos jornalistas sérios, e também advogados (como José Carlos Dias etc) têm opinião consolidada sobre sobre essa absurda incompatibilidade dos episódios comprovados, os parentes e os valores envolvidos. Profunda decepção com LN, que procura absurdamente tapar o sol com a peneira, usando subterfúgios e narrativas da mesma natureza que tanto critica no jornalismo atual.
    PS -> por hora, leiam ao menos a Resolução n. 60 de 19/09/2008 – Institui o Código de Ética da Magistratura Nacional. E a Loman. Mas a Constituição Federal já dá conta do recado. Fui!

  9. Cleibsom Carlos

    22 de setembro de 2026 6:05 pm

    Confesso que não consigo entender a defesa, eu diria até intransigente, que Luis Nassif faz do Alexandre de Moraes…Quem quiser tem fatos de sobra, e comprovados, para fazer “uso político” contra o ministro.

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