Aqui nem sempre retumbaram hinos
por Romério Rômulo
Minha alma de Ouro Preto me carrega
nos estertores da estrada que me esfola
Ouro Preto tem sempre uma degola
e um Tiradentes no ato da refrega
Das peles que se comem e se rasgam
num surto de paixão, numa contenda
Ouro Preto é um campo onde se esmagam
muitas tantas verdades e uma lenda
Deuses todos daqui nasceram Minos
quando nem sempre retumbaram hinos.
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
lima
2 de dezembro de 2022 4:20 pmOuro Preto (1977)
Ouro de cegar,
É tanto ouro, pra rolar,
Ladeira abaixo,
Acho que a vida é mesmo assim.
Ouro a faiscar,
Por entre os becos,
Tanta casa, tanta rua,
Tanta escada pra subir.
Taipa de pilão,
Pedras no chão,
E essa praça iluminada,
Fonte e luz da juventude.
Muro de encostar,
É tanto canto pra ficar,
Olhando a vida,
Tantos caminhos que perdi.
E a moça na tarde nua e fria,
Da janela, majestoso, via o Itacolomi.
Som de um violão,
Pedra sabão,
Nessa praça iluminada
Guardei minha juventude.