5 de junho de 2026

Aqui nem sempre retumbaram hinos, por Romério Rômulo

Ouro Preto é um campo onde se esmagam muitas tantas verdades e uma lenda
Alberto da Veiga Guignard

Aqui nem sempre retumbaram hinos

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por Romério Rômulo

Minha alma de Ouro Preto me carrega
nos estertores da estrada que me esfola
Ouro Preto tem sempre uma degola
e um Tiradentes no ato da refrega

Das peles que se comem e se rasgam
num surto de paixão, numa contenda
Ouro Preto é um campo onde se esmagam
muitas tantas verdades e uma lenda

Deuses todos daqui nasceram Minos
quando nem sempre retumbaram hinos.

Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.

Romério Rômulo

Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.

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  1. lima

    2 de dezembro de 2022 4:20 pm

    Ouro Preto (1977)

    Ouro de cegar,
    É tanto ouro, pra rolar,
    Ladeira abaixo,
    Acho que a vida é mesmo assim.
    Ouro a faiscar,
    Por entre os becos,
    Tanta casa, tanta rua,
    Tanta escada pra subir.
    Taipa de pilão,
    Pedras no chão,
    E essa praça iluminada,
    Fonte e luz da juventude.
    Muro de encostar,
    É tanto canto pra ficar,
    Olhando a vida,
    Tantos caminhos que perdi.
    E a moça na tarde nua e fria,
    Da janela, majestoso, via o Itacolomi.
    Som de um violão,
    Pedra sabão,
    Nessa praça iluminada
    Guardei minha juventude.

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