Minhas mãos mais concretas e vazias
por Romério Rômulo
Quando nossas missões, as mais ingratas
Forem por tudo daqui subtraídas
Em imperfeitas e duras carreatas
E em terras se derem por vencidas
Nossas mãos incomuns, dependuradas
Vão beber destas águas corroídas
Pelas peles mais cruas, mais ingratas
Adotadas por gentes já dormidas
Nossas mãos vão beber-se desde então
Na verdade mais crua da prisão.
2.
Em romper o escasso da missão
No destrato imperfeito das folias
Eu te entrego, de todo coração
Minhas mãos mais concretas e vazias.
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
Martim Assueros Gomes
6 de abril de 2026 3:11 pmÉ bom saber que sua poesia existe e que esteja aqui para que a desfrutemos, caro poeta.