10 de junho de 2026

É hora de pensar em um plano nacional de defesa, por Luís Nassif

Com ou sem Donald Trump, ingressa-se definitivamente em uma nova era, na qual acordos e compromissos são substituídos pela força bruta.
Foto de Antonio Cruz - Agência Brasil

EUA intensificam pressão na América do Sul, com Argentina como aliado estratégico, enquanto Brasil mantém projetos militares.
Brasil e Argentina competem em defesa, com Brasil liderando indústria militar e Argentina focando em dissuasão aérea.
Três cenários para 2026-2035: equilíbrio tenso, crise no Caribe/Venezuela e integração industrial-tecnológica conjunta.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

É hora de se começar a pensar em um verdadeiro Plano Nacional de Defesa. O último documento sobre a Política Nacional de Defesa dos Estados Unidos não deixa margem a dúvidas. Com ou sem Donald Trump, ingressa-se definitivamente em uma nova era, na qual acordos e compromissos são substituídos pela força bruta.

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É pequena a possibilidade dos Estados Unidos invadirem um país com as dimensões do Brasil. Mas é previsível que comece a instalar seus títeres na América do Sul. E o candidato preferencial para esse papel é a Argentina, assim como, nos anos 40, foi o Brasil.

A diferença é que, nos anos 40, o Brasil recebeu contrapartidas que permitiram deslanchar seu processo de industrialização. E a Argentina de Milei está sendo transformada, gradativamente, em mero entreposto comercial. 

O padrão de análise convencional – analisar o passado para projetar o futuro – não vale mais. O expansionismo norte-americano buscará formas de se impor, sem o envolvimento direto do país.

Vamos a alguns cenários para a próxima década – 2026-2035 -, juntando as peças de reportagens captadas em várias frentes pela Inteligência Artificial.

As disputas Brasil x Argentina

Periodicamente Brasil e Argentina entraram em competição na indústria de defesa.

No final do século 19 e início do século 20 houve uma corrida naval no Cone Sul. Os dois países disputavam prestígio regional e controle marítimo. Houve intensa importação de navios de guerra do Reino Unido e Itália.

O Brasil encomendou os dreadnoughts (modelo revolucionário de navio) Minas Gerais e São Paulo. A Argentino respondeu com os encouraçados Rivadavia e Moreno.

Nos anos 30 começa uma disputa industrial. A Argentina tinha tradição industrial desde dos anos 20. Em 1927 criou, em Córdoba, a Fábrica Nacional de Aviões. Produzia aeronaves próprias.

O Brasil tinha menor base industrial, dependendo mais de importações.

Nesse período, a Argentina liderou tecnologicamente na aviação militar até os anos 50.

No pós-guerra (1945-1960) a Argentina lançou o Projeto Pulqui II, um avião a jato avançado, com apoio de engenheiros alemães, como Kurt Bank. O Brasil focou em infraestrutura, indústria de base e logística.

Nos anos 1960-1970 a competição passou para o campo nuclear, com ambos os países desenvolvendo programas nucleares paralelos, com forte desconfiança mútua.

O Brasil deslanchou com o CTA/ITA, base do programa espacial e de mísseis. A Argentina investiu em projetos como o Condor II.

Finalmente, nos anos 1970-1980 a competição passou para o campo da indústria bélica pesada e exportação.

O Brasil consolidou a Engesa, veículos blindados, como Cascavel e Urutu, com forte exportação para Oriente Médio e África.

A Argentina tinha sua produção própria, mas fragmentada, produzindo um tanque mediano com menos sucesso das exportações. O brasil ultrapassou a Argentina como potência industrial-militar regional.

O momento mais crítico da Argentina foi a guerra das Malvinas, em que a Argentina saiu militarmente derrotada pela Inglaterra.

Os anos 1990 marcaram o fim da rivalidade aberta, e da cooperação forçada, com redemocratização, crise fiscal e pressão internacional. Em 1991 foi criada a ABACC (Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares), com acordos de transparência e inspeção cruzada.

No século 21, o Brasil despontou com a Embraer Defesa, o submarino nuclear e satélites. A Argentina dispõe de uma capacidade científica sólida, projetos espaciais (CONAE), mas menor investimento militar.

Agora, entra-se na era Trump, com a Argentina firmando-se como gendarme dos Estados Unidos.

A partir da imprevisibilidade dos novos 90, há 3 cenários de análise das relações Brasil-Argentina.

Cenário A (base): “Equilíbrio tenso e pragmático” — 2026–2035

Probabilidade: alta (é o “piloto automático” do sistema)

EUA mantêm pressão e presença variável (picos em momentos de crise Venezuela/Caribe), com foco narrativo em crime transnacional e “ameaças externas” no hemisfério. (Politico)

  • China cresce por tecnologia e finanças (inclusive moeda e crédito), ganhando “profundidade” em infraestrutura e espaço, sem virar aliança militar formal. (Reuters)
  • Brasil segue com projetos estratégicos de longo prazo (submarinos; núcleo duro de indústria de defesa), mas com intermitência orçamentária e atrasos. (Naval News)
  • Argentina recompõe dissuasão aérea (F-16) mais como sinal político e defesa de soberania do que como salto industrial. (The Defense Post)

Resultado

  • Menos “corrida armamentista” e mais competição por alinhamentos tecnológicos (comando e controle, espaço, ciber, drones) e por cadeias de suprimento estratégicas.

Cenário B: “Caribe/Venezuela como epicentro” — 2026–2030 (com efeitos até 2035)

Probabilidade: média (depende de um ou dois gatilhos)

Gatilhos

  • Escalada prolongada de operações no entorno venezuelano/caribenho, com questionamentos legais/diplomáticos e resposta política regional. (Reuters)

Como fica

  • Países sul-americanos são pressionados a escolher (apoio, silêncio ou oposição).
  • A agenda de defesa regional é capturada por “segurança hemisférica” vs “anti-intervenção”.
  • Cooperação regional (tipo Unasul/Conselho de Defesa) pode reaparecer, mas como reação e não como projeto.

Resultado

  • A região perde autonomia porque entra numa lógica de campo de disputa (mesmo sem guerra convencional), com custo em comércio, investimentos e coesão diplomática.

Cenário C: “Autonomia coordenada” — 2026–2035 (o cenário visionário)

Probabilidade: baixa–média (exige decisão política + continuidade)

Gatilhos

  • Brasil e Argentina transformam confiança (ABACC) em plataforma industrial-tecnológica de defesa (compras conjuntas, padrões comuns, P&D dual). (ABACC)
  • Integração produtiva em 3–5 eixos: ciber, espaço, vigilância marítima, mobilidade e indústria de munições/sensores, com governança e financiamento estáveis.

Como fica

  • A região deixa de ser apenas “zona de influência” e vira zona de projeto.
  • EUA e China competem, mas encontram um bloco que negocia condições (transferência tecnológica real, soberania de dados, manutenção local).

Resultado

  • Menos dependência; mais capacidade de dizer “sim, mas do nosso jeito”.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    27 de janeiro de 2026 10:46 am

    “O povo armado é melhor
    Exército de Massas 15/03/2006 16:02

    É melhor ter cerca de 30 milhões de cidadãos com boa saúde física e mental, de ambos os sexos, com um fuzil guardado em casa do que Forças Armadas regulares.

    Se tentassem invadir o Brasil, cada quarteirão seria uma trincheira.

    Seria bom também que cada bairro das grandes cidades e cada cidade média do interior tivesse uma bateria anti-áerea e todos os cidadãos adultos fossem treinados para saberem utilizá-la para derrubar aviões e helicópteros inimigos.”

    http://www.brasil.indymedia.org/pt/blue/2006/03/347918.shtml“.

    Aí a gente compra ou fabrica em parceria com a Rússia alguns oreshniks e fabrica ou compra alguns sistemas de defesa e deixa os falcões-galinhas virem. Nunca mais voltarão.

    1. Cidadão sem cidadania

      4 de fevereiro de 2026 12:33 pm

      Até que enfim alguém falou o óbvio, mas quero lembrar no referendo de 2006 feito sobre se o povo queria andar armado para alto defesa o povo votou sim , mas lula desarmou o povo mesmo assim a questão que fica é, porque lula desarmou o povo , e como sabemos um povo armado e treinado o número de assalto cai drasticamente, dito isso os assaltos estão nas alturas, porque o bandidos sabem que o povo desarmado e ele armado, ninguém envolta vai reagir, porque lula desarmou a população? Essa é a pergunta e vou além , porque lula junto com o STF deixou guarda armado até os dentes e patrulhando como polícia, sabendo que guarda age pior que polícia, porque quis ser policial mas não consegui, então foi ser guarda e formaram um sindicato e foram até o STF com uma adin para patrulhar tbm , resultado hoje aqui na periferia o medo maior o do guarda da esquina, como disse o vice da ditadura para o general que governava o país , caro presidente o meu problema não é com o senhor mas o guarda da esquina, e hoje o medo se tornou realidade numa tal democracia, agora imagina, com o dinheiro digital implantado, o reconhecimento facial de toda a população armazenado com os novos RGS , com as câmeras de reconhecimento facial espalhadas em todo Brasil, a ditadura vem fácil , e foi a esquerda que está montando esse aparelho de repressão, e nem vou comentar do projeto cortex , sisbin , o centro de i.a do exército em foz do Iguaçu e nós sabemos quem controla tudo desde sempre.lula não reendustrializou o país , não quis e nem vai , não pegou de volta nada que foi doado por outros presidentes e nem vai , fica claro que o tal nacionalista não existe de verdade

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    27 de janeiro de 2026 11:02 am

    No auge da animosidade militar entre Brasil e Argentina, durante os governos Vargas/Peron a economia do nosso país era menor do que a da Argentina. A situação de se invertiu. Hoje a economia argentina é muito menor e em grande medida dependente da economia brasileira. O temor dos argentinos aumentou bastante quando da construção de Itaipú, cujo imenso lago é considerado por eles uma “bomba atômica de água” porque em caso de guerra o Brasil pode explodir a represa e provocar uma devastadora onda que provocaria destruição sem precedentes em Buenos Aires. É claro que a Argentina construiu uma represa rio abaixo, mas isso não melhora muito a situação porque aquela represa também pode ser destruída pelo Brasil antes da “bomba atômica de água” brasileira ser liberada. A Argentina não tem nem defesa estratégica contra isso, nem meios de feror mortalmente a capital do Brasil com algo parecido. A resposta para o “não conflito” entre Brasil e Argentina é mais integração comercial e energética e não mais rivalidade militar. Ela não faz sentido, porque no grande mundo da geopolítica os dois países estão confinados muito longe do verdadeiro teatro de disputa (e eventualmente de conflito) entre EUA x China e Rússia. Ambos serão indiretamente afetados por esse conflito inclusive se permanecerem neutros. Mas a neutralidade tem uma vantagem adicional: se ambos forem neutros, a integração econômica e o comércio bilateral ajudará a minimizar os estragos da guerra mundial travada bem distante da América do Sul.

  3. Guilherme Souto

    27 de janeiro de 2026 11:20 am

    Pitaco, tem qu ver se os nossos militares irão se preocupar com algo além das suas mordomias e cargos no governo.

  4. Paulo Dantas

    27 de janeiro de 2026 9:16 pm

    Este site discutes estes assuntos sem lugar comum e farofa.

  5. Cidadão sem cidadania

    4 de fevereiro de 2026 1:37 pm

    Repito a classe dominante civil e militar não vai reendustrializar o país, não vai melhorar nada , o projeto é simples, o brasil uma colônia como sempre, e sera um plantação de comida para os outros povos e doaram como estão doando os recursos minerais, os militares nunca foram nacionalistas , e é impossível montar militares nacionalista, porque que escolhe quem vai ser comandante são os próprios comandantes ou seja é escolhido quem sempre pensa igual ou família, a classe dominante civil essa vive de juros e vai viver , a única opção seria o povo na rua , mas nunca é convidado por lula

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