21 de maio de 2026

Bioeconomia envergonhada, por Augusto Rocha

Estamos usando o termo bioeconomia na expectativa que esteja por aí a saída para os recursos substanciais existentes na Amazônia.
Marcelo Camargo - Agência Brasil

Bioeconomia envergonhada

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

 Temos uma vergonha relativa por não usar de maneira responsável, altiva, sustentável e determinada os recursos da Amazônia. Há uma potencialidade gigante, permeada por uma pobreza a olhos vistos, um descaso secular e uma destruição ou mal uso dos recursos por todos os lados. Naturalmente, existe uma forte dependência do sistema econômico em relação à energia e aos recursos naturais, em todas as atividades.

Os conceitos de Nicholas Georgescu-Roegen, de seu livro de 1971 “The Entropy Law and the Economic Process” (algo como “A Lei da Entropia e o Processo Econômico”), que associou a lei da entropia aos sistemas econômicos, criou a base para o conceito de bioeconomia. Estamos, faz alguns anos, usando o termo bioeconomia na expectativa que esteja por aí a saída para os recursos substanciais existentes na Amazônia. Entretanto, pouco de seu PIB está associado a isto e sequer temos esta medida realizada e avaliada. Quando se verificam discussões públicas sobre o assunto, fala-se em extração de minérios, petróleo ou combustíveis, o que provoca impactos e destruição, com ilusões de sustentabilidade.

A ausência de métricas claras sobre os resultados das políticas públicas para bioeconomia revela uma distância de um resultado expressivo ou mesmo de uma intencionalidade real, porque quem não mede, não administra. Há inúmeras oportunidades de uso sustentável dos recursos naturais da Amazônia, mas pouco se estimula. Temos mais umas utopias ou sonhos do que um projeto de Estado ou de Governo. As ações de governo dos últimos anos parecem mais intenções esparsas do que projetos que atuem de maneira decidida nesta direção.

A mudança deste cenário será percebida quando instituições como o INPA retomem a sua importância histórica. Quando as Portarias de Processos Produtivos Básicos (PPB) do MCTI e MDIC contiverem indústrias sustentáveis com o uso de recursos da natureza Amazônica. O que temos hoje é uma espécie de bioeconomia envergonhada. Precisamos encarar o termo em sua amplitude, para fazer uso sustentável da natureza Amazônica. Entretanto, não sabemos como fazer isso e é difícil a coragem de afirmar o desconhecimento que temos sobre a Amazônia. Todos querem olhar uma ou duas fotos de satélite da Amazônia e dizer que a conhecem.

Enquanto não tivermos uma métrica expressiva do PIB regional fazendo uso verdadeiramente sustentável dos recursos naturais, seguiremos a degradar a floresta, o bioma e a natureza, realizando a entropia do sistema econômico Amazônico, tal qual o economista previu quando associou a questão da entropia aos sistemas econômicos.  A percepção ou expectativa de um crescimento contínuo pode contrapor o pessimismo inerente à visão entrópica. Contudo, só poderemos transcender o pessimismo sobre a Amazônia quando começarmos a perceber um uso responsável de seus recursos e um encolhimento da fome e da pobreza no seu interior profundo.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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