4 de junho de 2026

Em Pernambuco, Jeep tira dependência de cidade da produção de cana de açúcar

Cidade Goiana, em Pernambuco, de 70 mil habitantes recebe uma oferta imediata de 5 mil empregos e 11 mil a médio prazo

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Jornal GGN – A Fiat inaugurou um polo automotivo da Jeep em Goiana, cidade de 70 mil habitantes em Pernambuco, que tinha sua economia dependente da produção de cana de açúcar. A população prestes a ingressar no mercado de trabalho precisou de um processo de aprendizagem, uma vez que não tinham qualquer experiência. O investimento possibilitou, de imediato, 5,3 mil pessoas empregadas no complexo industrial e mais 11 mil trabalhadores no médio prazo.

Sugerido por Roberto São Paulo

Da Automotive Business

Companhia supera desafio de desenvolver força de trabalho em Pernambuco

Por Giovanna Riato – De Goiana (PE)

Ao inaugurar o Polo automotivo Jeep em Goiana (PE) na terça-feira, 28, a Fiat Chrysler Automobiles (FCA), marca a superação de uma série de desafios. Talvez um dos mais importantes tenha sido encontrar capital humano para o novo empreendimento em uma região sem qualquer experiência ou tradição na produção de veículos. Agora, quase cinco anos após ter dado o primeiro passo do projeto, a companhia já tem 5,3 mil pessoas empregadas no complexo industrial, que deve contar com 11 mil trabalhadores no médio prazo, com a aceleração da operação rumo à capacidade máxima de 250 mil carros por ano.


O impacto imediato da fabricação de veículos Jeep na economia do município pernambucano de 70 mil habitantes é a menor dependência da produção de cana de açúcar e o crescimento do emprego formal. “Desde o início nós queríamos trazer oportunidades para a região, contratando trabalhadores daqui”, lembra Adauto Duarte, diretor de RH do Polo Automotivo Jeep.

Segundo ele, para alcançar esta meta a empresa realizou amplo trabalho de pesquisa no local um ano antes de começar a construir a unidade. “Rodamos mais de 15 mil quilômetros para entender como as pessoas viviam e quais eram as suas necessidades.” O esforço foi bem sucedido e hoje cerca de 80% dos trabalhadores do complexo industrial são nordestinos.

Com a disposição de causar o impacto positivo, a equipe da companhia sabia que não poderia simplesmente reproduzir ali as políticas de outras fábricas globais da Jeep. A ideia, desde o início, foi criar algo completamente novo, que melhor traduzisse o espírito inovador e tecnológico do empreendimento. A diferença em relação ao formato tradicional das montadoras de veículos começa já nas roupas dos funcionários. Desde o mais alto executivo da planta até os operários usam o mesmo uniforme: uma camiseta polo branca e cinza e uma calça clara, conjunto bem mais adequado às altas temperaturas de Pernambuco. A decisão de deixar de lado o terno dos líderes da companhia parece banal, mas reduz a distancia entre o alto comando da empresa e os trabalhadores mais próximos da rotina de produção.

Outra inovação acontece no chamado Centro de Comunicação, tido como o cérebro da fábrica, que gerencia a produção e busca solução para qualquer problema enfrentado ali. A área não tem as tradicionais baias para dividir o espaço. Inspirada por empresas de tecnologia como Apple e Google, a FCA decidiu que os funcionários trabalhariam em ambientes mais colaborativos, com mesas compartilhadas que permitem ao profissional se acomodar cada dia em um lugar. Duarte estima que a medida represente melhora de 40% na comunição, com menos tempo perdido com e-mails e telefonemas e mais agilidade na tomada de decisões.

NOVAS OPORTUNIDADES

A FCA fez uma grande concessão para atrair colaboradores para a linha de produção: eliminou a exigência de que os candidatos a vagas na empresa tivessem qualquer experiência prévia na indústria automotiva. “Isso trouxe a transformação social”, enfatiza o executivo ao citar o exemplo de Miriam, uma funcionária de 32 anos, que vendia doces e salgados para festas antes de arrumar um emprego na unidade. O caso é semelhante ao de muitos colaboradores da planta, com pessoas que deixaram a instabilidade da pesca de caranguejo e do trabalho na construção civil para encarar o desafio de fazer carros.

O critério de seleção dos funcionários da FCA foi puramente comportamental. “Sabíamos que seria necessário passar o conhecimento, mas a pessoa tinha de ser curiosa. Buscávamos o perfil certo: indivíduos com coragem para mudar e muita determinação”, explica.

Recrutar este público também exigiu nova estratégia. Além dos tradicionais anúncios na internet e meios de comunicação, carros de som circulavam por cidades da região para anunciar oportunidades e fazer a inscrição dos interessados. “Nossa única exigência era que o profissional fosse capaz de ler e escrever.” Para treinar o time inexperiente na indústria automotiva a empresa destaca ter deslocado para o complexo industrial profissionais reconhecidos como os melhores do mundo em suas áreas de atuação, incluindo 110 estrangeiros. Além da alta capacidade técnica, o time era composto por especialistas com talento para ensinar e transferir conhecimento.

Alguns profissionais selecionados para vagas nas linhas de montagem pernambucanas passaram por treinamento em outras unidades do Grupo FCA, incluindo plantas nos Estados Unidos e na Itália. Outra medida para facilitar a operação foi nomear líderes de equipe, profissionais que comandam times de seis pessoas e evitam atrasos e problemas na produção.

Paralelamente, a FCA trabalha para difundir conhecimento em engenharia fora dos portões do Polo Automotivo e para garantir o desenvolvimento de novos profissionais que poderão trabalhar na planta algum dia. A companhia compartilhou informações com oito instituições de ensino, incluindo formação técnica, graduação, pós-graduação e qualificação. O trabalho já está refletido em 78 cursos oferecidos na região, com criação de novos conteúdos e atualização da grades de programas que já existiam.

Em breve a propagação de conhecimento em que a companhia está tão empenhada ganhará impulso extra: a inauguração de um centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e de uma pista de testes. Os empreendimentos ficarão próximos do complexo industrial de Goiana e darão impulso para a recém descoberta vocação automotiva da região.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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7 Comentários
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  1. EJ

    29 de abril de 2015 6:30 pm

    Viva

    Viva Luis Inácio Lula da Silva, o melhor presidente da nossa história.

  2. heber bezerra

    29 de abril de 2015 7:28 pm

    Nordeste

     O Nordeste, tão esquecido durante tanto tempo ou pior,dominado pelas oligarquias, finalmente vem sendo resgatado por um governo(Lula+Dilma) comprometido com a reconstrução do país com foco nas classes esquecidas.

  3. lineu

    29 de abril de 2015 8:22 pm

    Viva o mercado.  ABAIXO O

    Viva o mercado.  ABAIXO O SOCIALISMO.  Só  assim  o Homem  tem uma vida melhor. 

  4. Roberto São Paulo-SP 2015

    29 de abril de 2015 10:38 pm

    Empregos diretos e indiretos no novo polo automotivo

    Com financiamento de R$ 3,3 bi do BNDES, Dilma inaugura polo automotivo em PE
    Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)—-28/04/2015

    Parque integrará empresas fabricantes de autopeças, contribuindo para o desenvolvimento da cadeia local de fornecedores do setor automotivo
     
    Com a presença da presidenta da República, Dilma Rousseff, e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, além do presidente mundial do grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA), Sergio Marchionne, foi inaugurado nesta terça-feira, 28, o Polo Automotivo Jeep, localizado no município de Goiana, em Pernambuco. Trata-se do primeiro parque industrial do setor automobilístico da região, integrado pela fábrica de automóveis da Fiat, com capacidade para 250 mil unidades/ano.
     
    Com financiamento de R$ 3,27 bilhões do BNDES à FCA, o projeto contempla, além da construção da nova unidade produtiva da Fiat, a instalação de uma fábrica de motores, um campo de provas, um parque de fornecedores para o desenvolvimento de novos veículos e investimentos sociais na comunidade local.  
     
    A nova fábrica de automóveis vai produzir inicialmente o Jeep Renegade, um SUV compacto, já apresentado ao mercado e atualmente em fase de pré-série. Com unidade produtiva flexível, o projeto inclui a produção de diferentes modelos para o mercado nacional e exportação. A fábrica foi estruturada em diversos galpões, dedicados às principais etapas de produção: estamparia, funilaria, pintura e montagem final, além das áreas de utilidades.
     
    O empreendimento financiado pelo BNDES vai fortalecer a indústria nacional, por meio do aumento de capacidade de produção de automóveis, e permitirá a diversificação regional da produção de veículos, com impactos importantes sobre a geração de emprego e renda do Nordeste. O projeto terá impacto também sobre as encomendas da indústria de bens de capital.
     
    Sustentabilidade – De acordo com o projeto, a nova planta industrial utiliza conceitos modernos de sustentabilidade: a água utilizada no processo industrial será tratada e reutilizada; haverá aproveitamento de luz natural e da energia solar, coleta seletiva de lixo e resíduos industriais, além do uso de materiais renováveis na construção de galpões, entre outras iniciativas. Todos os equipamentos que gerarem efluentes estarão interligados à rede de efluentes industriais dos galpões, que, por sua vez, os direcionará para uma estação de tratamento.
     
    Estima-se que serão gerados 9 mil empregos diretos e indiretos no novo polo automotivo, que contará ainda com indústrias fabricantes de autopeças, contribuindo, assim, para o desenvolvimento de uma cadeia local de fornecedores.
     
    Autopeças – Alinhado com esse propósito, o BNDES aprovou financiamento de R$ 185,8 milhões à empresa MMH Indústria e Comércio de Componentes Automotivos Ltda, do Grupo Fiat, para a implantação de unidades produtivas de autopeças em Goiana e Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco.  O projeto é pioneiro, pois a MMH será a primeira planta industrial do setor instalada na região.
     
    O empreendimento tem por objetivo a instalação de novas linhas de fabricação de tanques de combustíveis, conjuntos de pedais, suspensões e sistemas de exaustão para suprir a demanda dos veículos que serão produzidos na nova planta industrial da Fiat, em Goiana.  
     
     Fornecedores estratégicos integrados à fábrica permitirão a entrega “just in time” dos principais componentes na linha de montagem. Essa iniciativa deverá contribuir para um gradativo processo de utilização de fornecedores locais e de redução de custos logísticos, similar ao que aconteceu em Betim (MG), onde a Fiat Automóveis tem sua maior planta no mundo, possibilitando a dinamização e o crescimento da economia local.

    URL:
    http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Sala_de_I
     

  5. Gão

    30 de abril de 2015 1:31 am

    Como deram essa notícia mais cedo

       “Operários da nova fábrica Jeep nunca montaram um carro.”

  6. RCX

    30 de abril de 2015 3:39 am

    Nós, nordestino, seremos

    Nós, nordestino, seremos eternamente gratos ao governo petista. Obrigada Lula, meu querido presidente.

    obrigada Dilma. Vida longa aos dois.

  7. evandro condé de lima

    30 de abril de 2015 2:05 pm

    Aí eu me lembro

    Mais carros em nossas cidades….

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