O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Câmara, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), por suposto envolvimento em ações que configurariam espionagem e atentado à soberania nacional. A denúncia foi protocolada na segunda-feira (3) e encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes. As informações são do jornalista Cleber Lourenço, no ICL Notícias.
Segundo a representação, Castro teria se reunido, sem qualquer comunicação ao governo federal, com representantes da Embaixada dos Estados Unidos e da agência antidrogas norte-americana DEA (Drug Enforcement Administration). Nessas reuniões, ele teria entregado relatórios confidenciais de segurança pública e solicitado que o Comando Vermelho fosse oficialmente reconhecido como “organização narcoterrorista”.
Para Lindbergh, a atitude do governador fere princípios constitucionais que atribuem exclusivamente à União a condução de relações internacionais e políticas de segurança nacional. O deputado afirma que o gesto de Castro representa ingerência estrangeira e ameaça à soberania brasileira.
“Ao agir como informante de um governo estrangeiro, Cláudio Castro viola a soberania brasileira e afronta o pacto federativo”, diz o documento encaminhado ao Supremo.
A peça sustenta ainda que o repasse de informações sigilosas a agentes externos pode configurar “ato de traição à pátria”, crime previsto no Código Penal.
Lindbergh pede que o STF autorize a abertura de inquérito para investigar o conteúdo dos relatórios e os nomes de todos os envolvidos nas tratativas. O parlamentar também solicita o encaminhamento do caso à Procuradoria-Geral da República (PGR) e o afastamento cautelar de Castro do cargo de governador até a conclusão das investigações.
Reuniões com a DEA e relatórios entregues pessoalmente
De acordo com o documento, em maio deste ano, Cláudio Castro teria viajado aos Estados Unidos para uma reunião na sede da DEA. Durante o encontro, ele teria entregue pessoalmente relatórios produzidos por sua equipe de segurança, contendo informações sobre facções criminosas do Rio de Janeiro e um pedido formal de “cooperação internacional” para classificar o Comando Vermelho como organização terrorista.
A representação também requer que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Controladoria-Geral da União (CGU) sejam acionadas para rastrear possíveis vazamentos e proteger dados estratégicos do Estado. O objetivo é verificar se houve envolvimento de assessores, consultores ou servidores públicos na elaboração e entrega do material.
Risco de ingerência e conexão com a agenda de Trump
O caso ocorre em meio à intensificação de contatos entre setores da extrema direita brasileira e grupos ligados ao presidente norte-americano Donald Trump. Lindbergh aponta que as ações de Castro fariam parte de um “movimento político coordenado” para associar a pauta de segurança pública brasileira à agenda ideológica de Trump e de seus aliados.
“Essas movimentações externas, feitas à revelia do governo brasileiro, comprometem a soberania e servem a um projeto político alheio aos interesses nacionais”, destaca a petição.
Para o deputado, o episódio representa um precedente perigoso de interferência internacional em assuntos internos e pode fragilizar o pacto federativo.
Repercussão e próximos passos
O ministro Alexandre de Moraes deve decidir se autoriza a abertura de inquérito. Caso o pedido avance, a investigação poderá incluir a análise dos documentos entregues às autoridades norte-americanas, a apuração da participação de servidores estaduais e a verificação de possíveis danos à segurança nacional.
Até o momento, o governo do Estado do Rio de Janeiro não se pronunciou sobre o caso.
Paulo Dantas
4 de novembro de 2025 2:32 pmO governo deveria convocar coletiva e explicar com todas as letras porque não classifica as organizações criminosas como terroristas e tentar encerrar o assunto de vez.
Mesmo comprando a briga que tiver que comprar.
Sou do Rio, gente que atira em civis para provocar medo é terrorista.
Rui Ribeiro
5 de novembro de 2025 3:27 pmE se você fosse do Espírito Santo, atirar em civis para provocar medo não seria terrorismo?
Non sequitur
Paulo Dantas
5 de novembro de 2025 7:10 pmQq estado.
Mas o Estado precisa cumprir a Lei.
Mas a discussão agora é terrorismo, cortina de fumaça.
Me parece que o tráfico tem seus “sócios” e a milícia os seus.
Para por aqui…
marcio gaúcho
4 de novembro de 2025 5:00 pmInteressa às milícias e à família bolsomínia que o CV seja declarado “grupo terrorista”, pois atrapalham os “negócios” na zona oeste do Rio de Janeiro!
Rui Ribeiro
5 de novembro de 2025 2:16 pmE qual seria a utilidade, qual seria a vantagem de chamar o narcotráfico de narcoterrorismo?
“O tráfico é uma coisa o terrorismo é outra. Uma minhoca parece com uma lagarta mas minhoca é minhoca e lagarta é lagarta. São duas coisas distintas e eu não preciso de colar no tráfico a ideia de terrorismo, por uma idéia muito simples, começando do ponto de vista meramente jurídico: o tráfico é crime hediondo, o terrorismo também é. O terrorismo é crime insuscetível de graça, anistia e indulto; o tráfico, também. O terrorismo é inafiançável, o tráfico também. Ou seja, o tratamento penal, o tratamento legal dado a esses tipos penais diferentes é equivalente. Ou seja, qual é a razão lógica, racional, que não seja meramente retórica, que não seja força de expressão, que não seja grito de torcida no Maracanã, o que é que me leva a chamar o tráfico de terrorismo ou de chamar de narcoterrorismo? Não que as facções criminosas não possam praticar terrorismo. Nesse caso eles vão responder pelo tráfico e pelo terrorismo. Inclusive me parece benefício para os alvos envolvidos que eles passem a responder por um crime só” – Beatriz Vargas Ramos de Rezende, Professora Associada da Faculdade de Direito da UnB.
https://www.youtube.com/watch?v=o6B6KJaWkG4