E se houvesse uma ferramenta similar ao VAR na política?, por Jorge Alberto Benitz

E agora ela, Globo, e o Estadão fazendo cara de paisagem em relação as manifestações de 29 de maio de 2021 e assim mostrando que só aceitam divulgar eventos comandados e adestrados por eles, como foi o caso das camisas verde amarelas que deu no que deu.

E se houvesse uma ferramenta similar ao VAR na política

por Jorge Alberto Benitz

    Se houvesse uma ferramenta similar ao VAR na política a mídia brasileira, com destaque para a   TV Globo, seria pega em flagrante delito, desculpas, digo em impedimento desde, para não ir muito longe, dos tempos da ditadura.  No período pós- redemocratização ela seguiu cometendo impedimentos escandalosos, como no episódio “Pro Consult”, denunciado pelo então candidato Leonel Brizola, que se constituiu, como li no google, em uma tentativa de alteração dos resultados da eleição (fraude), no ano de 1982, para o governo estadual do Rio de Janeiro.  Em 1989, quando na primeira eleição embalou a candidatura de Collor com a música de Indiana Jones, fazendo com que o imaginário de seus telespectadores o associassem ao herói cinematográfico de Steven Spielberg que combatia execráveis nazistas e facínoras de toda ordem. Se isso é se ater aos fatos não sei mais nada.

    Depois nas partidas ocorridas entre tucanos e petistas seria pega em impedimento durante todo o governo FHC que se constituiu o governo dos seus sonhos, privatizando a rodo e atendendo todos as dádivas para os rentistas nacionais e internacionais. Os momentos de destaque, isto é, quando ela foi pega com o corpo inteiro na “banheira” fazendo de conta que estávamos diante de um incidente normal quando da compra de votos para a reeleição, no famoso caso da “antena parabólica ”; na montagem farsesca do sequestro do empresário Abílio Diniz na véspera de eleição, com um dos sequestradores vestindo camiseta do PT vide link https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2010/09/em-1989-sequestro-de-abilio-diniz-foi-relacionado-ao-pt-e-desmentido-logo-apos-eleicoes-mostra-pesquisa/. Seguindo nesta toada temos as fotos das malas de dinheiro em uma das eleições que se seguiram, a bolinha de papel assassina atingindo mortalmente a careca do Serra e por aí vai.

    Atitudes que no quesito isenção lembra, já que estou ilustrando com imagens futebolísticas, o grande Ari Barroso, que era, também, locutor esportivo e não escondia sua preferência clubística ao narrar jogos de futebol. Quando o time adversário do Flamengo atacava ou tinha uma falta perigosíssima perto da área, ele fechava os olhos e dizia “Eu não quero nem ver! ”. Em defesa de Ari Barroso, pode- se arguir que no futebol se aceita a imparcialidade, a paixão como valor maior. O que não é o caso do jornalismo praticado, como ele próprios sempre se arrogam a dizer, em nome da imparcialidade, isenção e objetividade.

    E agora ela, Globo, e o Estadão fazendo cara de paisagem em relação as manifestações de 29 de maio de 2021 e assim mostrando que só aceitam divulgar eventos comandados e adestrados por eles, como foi o caso das camisas verde amarelas que deu no que deu. Felizmente, a FSP não embarcou nesta canoa furada, como disse Luís Felipe Miguel, “ foi a única, entre os três jornalões, que deu às manifestações de ontem o destaque que elas mereciam. Não uma notinha mixuruca na capa, como fizeram Estadão e Globo, mas a manchete principal, com direito a foto grande. ”

    O jornalismo político da Globo que até está sendo palatável e se tornando jornalismo, se atendo aos fatos, durante a pandemia e nas investidas contra o Bolsonaro, embora invisibilize o quanto pode a oposição, agora volta ao rame rame normal com a possibilidade de candidatura de Lula. Volta a cena o maniqueísmo ideológico de direita, a propaganda ao invés de jornalismo na política, visto que é uma narrativa que visa persuadir em favor de seus “interésses”, como dizia Brizola,  e não buscar a verdade dos fatos.

Jorge Alberto Benitz é engenheiro e escritor.

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