10 de junho de 2026

Para ministro espanhol, pacto UE–Mercosul é resposta ao protecionismo

Ministro da Economia da Espanha afirma que tratado reafirma valores europeus e fortalece comércio baseado em regras em mundo mais instável
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. | Foto: Ricardo Stuckert / PR

Acordo UE-Mercosul cria maior zona de livre comércio da UE, com 700 milhões de pessoas e 25% da economia global.
Pacto inclui compromissos ambientais, trabalhistas e acesso a minerais estratégicos para transição verde e digital.
Parceria reforça valores como democracia e multilateralismo, buscando maior segurança e regras comuns no comércio global.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O acordo comercial firmado entre a União Europeia e o Mercosul representa uma resposta política e clara da Europa a um cenário global marcado por guerras comerciais, protecionismo crescente e enfraquecimento das regras multilaterais, avalia Carlos Cuerpo, ministro da Economia da Espanha.

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Em artigo publicado no site Project Syndicate, Cuerpo explica que o contexto internacional mudou profundamente desde o início das negociações, onde o otimismo do pós-Guerra Fria deu lugar a um ambiente de instabilidade, no qual sanções, coerção econômica e disputas geopolíticas desafiam a ordem liberal construída ao longo das últimas décadas.

“Nesse cenário, o acordo UE–Mercosul surge como uma reafirmação do compromisso europeu com o comércio baseado em regras, a cooperação internacional e a integração econômica”, afirma o político.

O tratado cria a maior zona de livre comércio já estabelecida pela União Europeia, abrangendo quase um quarto da economia global e uma população superior a 700 milhões de pessoas. A expectativa é que as exportações europeias para os países do Mercosul cresçam cerca de 70%, com uma economia anual de aproximadamente € 4 bilhões em tarifas para empresas da UE.

Diferentemente de acordos comerciais anteriores, o pacto incorpora compromissos ambientais e trabalhistas com mecanismos de execução, além de abrir mercados de serviços e compras públicas. Para o governo espanhol, isso reforça a resiliência econômica europeia e contribui para a criação de empregos qualificados em áreas como tecnologia, telecomunicações e finanças.

Outro ponto central é o acesso a minerais críticos, como lítio e terras raras, considerados estratégicos para as transições verde e digital. A diversificação de fornecedores no Mercosul pode reduzir a dependência europeia de cadeias concentradas e fortalecer setores como veículos elétricos, energias renováveis e defesa.

No campo agrícola, o acordo prevê salvaguardas para produtores europeus, mantendo padrões rigorosos de segurança alimentar, ao mesmo tempo em que amplia oportunidades para o agronegócio da UE. Produtos como azeite de oliva e vinho devem ganhar espaço nos mercados sul-americanos, enquanto a Europa amplia o acesso a commodities como a soja.

Para Cuerpo, o significado do acordo vai além da economia. Europa e América Latina compartilham valores como democracia, Estado de Direito e multilateralismo, e a parceria com o Mercosul reforça a estratégia europeia de ampliar alianças em um mundo cada vez mais fragmentado.

Na visão do ministro espanhol, acordos como o UE–Mercosul são essenciais para construir um ambiente internacional mais previsível, seguro e orientado por regras comuns.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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