11 de junho de 2026

Trabalho e assistência elevam renda média e reduzem desigualdade no Brasil

Estudo do Ipea revela que mercado de trabalho aquecido e transferências sociais fizeram desigualdade recuar quase 18%
Foto: José Cruz/Agência Brasil

O Brasil encerrou o ano de 2024 com os melhores níveis já registrados em três indicadores sociais: renda domiciliar per capita, pobreza e desigualdade.

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Os dados estão em uma nova nota técnica do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com base em pesquisas do IBGE desde 1995.

Segundo o estudo, ao longo de três décadas a renda domiciliar per capita subiu cerca de 70%, o coeficiente de Gini — que mede desigualdade — caiu quase 18%, e a taxa de extrema pobreza recuou de 25% para menos de 5%.

Após um período de crises prolongadas entre 2014 e 2021, marcado por recessão e os impactos da pandemia, a tendência se inverteu: entre 2021 e 2024, a renda média cresceu mais de 25% em termos reais — o maior salto em três anos desde o Plano Real — e a desigualdade e pobreza reduziram de forma significativa.

O Ipea destaca o impacto de dois fatores que atuaram de forma conjunta: o mercado de trabalho aquecido e a expansão das transferências assistenciais, como Bolsa Família, Auxílio Brasil, Benefício de Prestação Continuada e Auxílio Emergencial. Cada um desses fatores respondeu por cerca de metade da queda da desigualdade e da extrema pobreza no período.

No entanto, o estudo alerta que o ritmo de melhora deve desacelerar. Com o fim do ciclo recente de expansão dos benefícios sociais, o mercado de trabalho passa a ser o fator mais determinante para manter ou aprofundar os ganhos sociais.

Além disso, há limites metodológicos: pesquisas domiciliares tendem a subestimar rendimentos muito altos e nem sempre capturam toda a extensão das transferências sociais, o que recomenda cautela na interpretação dos números.

Mesmo com tais ressalvas, os dados de 2024 configuram um avanço estrutural importante: depois de anos de retrocessos ou estagnação, renda, pobreza e desigualdade voltaram a melhorar de forma conjunta.

Veja mais a respeito do tema na íntegra do estudo divulgado pelo Ipea.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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