Copom interrompe ciclo e mantém taxa Selic em 10,50% ao ano

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Alta do dólar e incertezas econômicas levaram a decisão unânime do colegiado; posição já era esperada pelo mercado

Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Fatores como o recente ciclo de alta do dólar e o aumento das incertezas econômicas levaram o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central a manter a taxa básica de juros estável em 10,50% ao ano de maneira unânime.

A decisão encerra o recente ciclo de cortes dos juros: entre agosto de 2023 e março deste ano, o colegiado reduziu a taxa Selic em 0,50 ponto percentual por reunião e, no encontro realizado em maio, o ajuste foi de 0,25 ponto percentual.

“O Comitê, unanimemente, optou por interromper o ciclo de queda de juros, destacando que o cenário global incerto e o cenário doméstico marcado por resiliência na atividade, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas demandam maior cautela”, disse o Copom, em nota divulgada após a reunião.

“Ressalta, ademais, que a política monetária deve se manter contracionista por tempo suficiente em patamar que consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas. O Comitê se manterá vigilante e relembra, como usual, que eventuais ajustes futuros na taxa de juros serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”.

Ata do Copom confirma pausa no ciclo de ajuste dos juros

Em relação ao cenário doméstico, o Copom afirma que “o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho segue apresentando dinamismo maior do que o esperado. A inflação cheia ao consumidor tem apresentado trajetória de desinflação, enquanto medidas de inflação subjacente se situaram acima da meta para a inflação nas divulgações mais recentes”.

Quanto ao cenário externo, o colegiado destaca a “incerteza elevada e persistente sobre a flexibilização da política monetária nos Estados Unidos e quanto à velocidade com que se observará a queda da inflação de forma sustentada em diversos países”.

“Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. O Comitê avalia que o cenário segue exigindo cautela por parte de países emergentes”.

Veja abaixo como a decisão do colegiado repercutiu no mercado financeiro:

Bruno Corano – economista e investidor da Corano Capital (NY)

“Dado o cenário econômico, vários indicadores fizeram com que o Copom, até por uma questão de bom senso, limitasse ou suspendesse a conduta até então de redução. O ambiente não permite. Estamos observando o dólar sendo pressionado pela conjuntura fiscal do país, uma redução de juros estimula a saída de mais capital, o que pode pressionar o dólar ainda mais para cima. A situação do Brasil é muito delicada, porque ao mesmo tempo que ele tem que fazer a economia crescer e para isso juros baixíssimos seriam ótimos, ele tem que manter o interesse pela moeda comparado ao mercado internacional.

E é importante a gente lembrar que, nem quando os juros estiveram baixíssimos, nem isso foi capaz, por si só, de fazer a economia voar, porque os problemas da economia brasileira são sistêmicos.

Os juros são só um componente. E agora a grande verdade é que a gente está limitado pelo cenário internacional, em particular por conta dos juros americanos. Por mais que tenham micro reduções nas próximas reuniões, a gente não vai baixar muito enquanto a conjuntura internacional não mudar”.

Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital

“A decisão do COPOM foi assertiva, uma vez que a ancoragem das expectativas é prioritária para a instituição, e coerente com a sinalização proferida pelos próprios membros do Comitê desde a última decisão de política monetária. Hoje, os membros do Copom reforçaram que seus interesses individuais não estão à frente do mandato do próprio BCB e afastaram a ideia de que intervenções políticas permeiam a condução a política monetária, recobrando a credibilidade da instituição (…)”.

Luan Alves, analista-chefe da VG Research

“A votação foi unânime, em linha com as sinalizações desde a polêmica da última decisão. Já tinha sido ventilado pelo mercado na tarde de hoje, com isso, o comitê parece agir em conjunto para estancar a desancoragem recente nas expectativas de inflação.

No meio da tarde, foi noticiado pela imprensa, o movimento da minoria dissidente na reunião de maio parece ter sido combinado com o Planalto e a Fazenda. Evitando assim maiores ruídos com o executivo.

Por ora, a estratégia do Copom parece ser manter a Selic em 10,5% pelo tempo que for necessário (fechando a porta para novos anúncios). 

No cenário de Selic constante, a inflação projetada pelo Banco Central, converge para a meta de 3% em 2025; Além disso a menção a manutenção da Selic “por tempo suficiente”, retira possibilidades de cortes no curto prazo.

O Copom reforça a mensagem de consenso, de um comitê que enxerga o balanço de risco de forma equivalente, oferecendo mais credibilidade para a próxima gestão”.

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2 Comentários

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  1. A manutenção da taxa abusiva da selic, ensejou mais uma oportunidade para que os comentaristas da nossa imprensa livre de isenção, alardeassem a derrota de Lula no embate com o famigerado mercado. Só que os maus profissionais da dita imprensa omitiram que na realidade, o grande derrotado foi o Brasil. A marola especulativa do mercado, tem como principal objetivo, fazer o Lula indicar um sacerdote-economista, que seja da inteira confiança do deus mercado e assim, continuar a política de juros abusivos, como já acontece há mais de 30 anos.

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