4 de junho de 2026

Déficit da conta externa ultrapassa US$ 80 bilhões em 2013

Do G1

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Ao mesmo tempo, investimento estrangeiro cai 1,87%, para US$ 64 bilhões. Pela primeira vez, desde 2001, investimento não ‘financiou’ déficit externo.
 
Alexandre Martello

A conta de transações correntes do Brasil, um dos principais indicadores da situação da economia brasileira, fechou 2013 com um déficit inédito de US$ 81,37 bilhões, informou o Banco Central nesta sexta-feira (24).

Para chegar a esse valor se somam os resultados da balança comercial (saldo entre importações e exportações) e de outras operações não comerciais que impliquem entrada ou saída de capitais (serviços e rendas).

Com isso, após todas essas contas, o déficit superou o resultado negativo registrado em 2012 (-US$ 54,23 bilhões, recorde histórico para um ano fechado) e teve alta de 50% no ano passado.

Na proporção com o PIB, também houve forte deterioração do resultado em transações correntes. No ano passado, o resultado negativo em conta corrente somou 3,66% do PIB – o pior valor, para um ano fechado, desde 2001 (4,19% do PIB).

A expectativa do Banco Central é de que o déficit em transações correntes tenha pequena queda em 2014, para US$ 78 bilhões. Na proporção com o PIB, somaria 3,5%. O mercado financeiro prevê um déficit menor que o BC para este ano, de US$ 72 bilhões.

Balança comercial piora
Os números do Banco Central mostram que a deterioração das contas externas está relacionada com a má situação da balança comercial, que registrou, no ano passado, o pior resultado em 13 anos. Em 2013, a balança teve um superávit de US$ 2,55 bilhões, contra um resultado positivo de US$ 19,39 bilhões no ano anterior. Houve, deste modo, uma reversão de US$ 16,83 bilhões no saldo comercial no último ano.

Em outras palavras, estamos vendendo menos os produtos que produzimos e compramos cada vez mais.

Os outros componentes das contas externas, entretanto, também mostraram deterioração no primeiro semestre de 2013. O resultado negativo da conta de serviços (que inclui, entre outras coisas, turismo e aluguel de equipamento), por exemplo, somou US$ 47,5 bilhões em 2013, impulsionadas, entre outros, pelos gastos recordes de brasileiros no exterior, o que representa aumento frente ao déficit de US$ 41 bilhões registrado em 2012.

Nas rendas (nas quais entram desde a multinacional que envia ou traz dinheiro do exterior ao ganho ou perda de rendimentos em investimentos em outras moedas), o déficit somou US$ 39,77 bilhões em 2013 – com alta frente ao mesmo período do ano passado (-US$ 35,44 bilhões).

Investimentos estrangeiros
O BC informou ainda que os investimentos estrangeiros diretos (empresas ou investidores que resolvem colocar dinheiro no Brasil) somaram US$ 64 bilhões em 2013, com queda de 1,87% frente ao ano anterior (US$ 65,27 bilhões). O valor ficou abaixo também do recorde histórico para este indicador, registrado em 2011 (US$ 66,6 bilhões).

Financiamento do déficit externo
O BC confirmou, assim, que o resultado negativo da conta corrente (US$ 81,37 bilhões) não foi integralmente “financiado” pela entrada de investimentos produtivos na economia brasileira em 2013 – algo que não acontece desde 2001.

Quando o déficit não é “coberto” pelos investimentos estrangeiros, o país tem de se apoiar em outros fluxos, como ingresso de recursos para aplicações financeiras, ou empréstimos buscados no exterior, para fechar as contas.

Analistas alertam, entretanto, que em um cenário de crescimento menor do PIB e menor disponibilidade de recursos nos mercados (com a sinalização do fim das medidas de estímulo nos Estados Unidos), e com uma confiança menor na economia brasileira, a atratividade do Brasil também é mais baixa – o que pode significar mais dificuldades no financiamento do déficit das contas externas.

O chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha, avaliou, porém, que as reservas internacionais brasileiras ainda são maiores do que a dívida externa do país, o que confere ao país a posição de credor líquido, e que a dívida externa de curto prazo (até um ano) representa pouco mais de 10% do valor total do endividamento externo brasileiro.

 

Redação

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3 Comentários
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  1. Lionel Rupaud

    24 de janeiro de 2014 5:07 pm

    Tradução para os não especialistas:

    o real vai continuar sob forte pressão de desvalorização.

  2. Diogo Costa

    24 de janeiro de 2014 6:23 pm

    Situação tranquila e meramente conjuntural

    Vejamos o caso do déficit em transações correntes (e nos concentremos nesta questão específica):

     

    – Série histórica do Banco Central (1947-2013) – 

     

    Em 67 anos consecutivos da série histórica de transações correntes de Pindorama, segundo o próprio Banco Central, em apenas 12 oportunidades o Brasil apresentou superávit em transações correntes. Foi nos anos de 1950, 1964, 1965, 1984, 1988, 1989, 1992, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007.

     

    Em absolutamente nenhum dos 08 anos de desgoverno do PSDB de FHC o Brasil apresentou superávit nas transações correntes.

     

    Na série histórica do Banco Central constata-se que em 82% dos 67 anos analisados (55 anos do total de 67) o Brasil teve déficit em transações correntes, de modo que os resultados atuais não constituem nenhuma novidade histórica e nem mesmo um ponto fora da curva.

     

    A questão principal hoje, no que se refere ao déficit em transações correntes, vem da conta dos derivados de petróleo. Esta situação será normalizada com a entrada em operação das Refinarias de Abreu e Lima (novembro de 2014) e da Refinaria do Complexo do Comperj (2016), além da melhora na situação da economia mundial que verificar-se-á a partir de 2014 (e com mais força ainda a partir de 2015).

     

    Nada para assustar quem quer que seja. O câmbio no Brasil já está favorável para as exportações, o problema é que o mundo ainda sofre os efeitos do Crash de 15 de setembro de 2008 e o Brasil, portanto, também os sofre.

  3. edsontadeu

    24 de janeiro de 2014 6:44 pm

    A FOLHA MENTE PORQUE O DEFICIT EXTERNO DE 2013 NAO FOI RECORD

    Guerrilheiro do Anoitecer

    Este é um blog no qual o seu autor analisa e comenta os mais variados assuntos (principalmente aqueles que estão relacionados com história, política e economia) e sempre a partir de uma perspectva democrática e progressista, em defesa da construção de um mundo em que todos possam viver com dignidade e respeito.

      

     

                                

     

     

    SEXTA-FEIRA, 24 DE JANEIRO DE 2014

     

    A ‘Folha’ mente! – Porque o déficit externo de 2013 não foi recorde! – por Marcos Doniseti!

     

    A ‘Folha’ mente! – Porque o déficit externo de 2013 não foi recorde! – por Marcos Doniseti!

     

    A ‘Folha’ divulgou hoje que o déficit externo brasileiro de 2013 (em transações correntes) teria sido um recorde histórico, atingindo o valor de US$ 81,4 bilhões.

    O grande problema desta afirmação está no uso, pelo jornal, de um valor nominal para chegar à conclusão de que o ‘déficit externo bateu recorde’ em 2013.

    E o fato concreto é que não se costuma utilizar o valor nominal para dizer se o déficit externo de um país foi recorde ou não, se ele está crescendo ou diminuindo.  

    O que se faz, no mundo inteiro, é divulgar o quanto aquele valor nominal representa do PIB do país. E em 2013 o déficit externo representou 3,66% do PIB brasileiro.

    Quando fazemos isso, ou seja, calculamos o déficit com base na porcentagem que o mesmo representa do PIB do país, descobrimos que embora o déficit externo de 2013 tenha crescido bastante em relação aos anos anteriores, ele ainda está muito longe de ser um recorde histórico. 

    Então, é bom esclarecer que esse (o quanto o déficit representa em % do PIB) é o critério usado no mundo todo para se saber qual é o déficit em transações correntes de um país e não o seu valor nominal, como fez a ‘Folha’, ok?

    Até 2013, os maiores déficits externos da história brasileira (em % do PIB) foram os seguintes (fonte: Ipeadata):

    1) 1974 – 6,80%;

    2) 1982 – 6,00%;

    3) 1975 – 5,39%;

    4) 1980 – 5,36%;

    5) 1979 – 4,79%;

    6) 1981 – 4,53%;

    7) 1999 – 4,32%;

    8) 2001 – 4,19%;

    9) 1976 – 4,17%;

    10) 1998 – 3,96%;

    11) 2000 – 3,76%;

    12) 2013 – 3,66%;

    13) 1983 – 3,57%;

    14) 1997 – 3,50%;

    15) 1978 – 3,47%.

    Assim, notem que o déficit externo de 2013 foi apenas o décimo segundo maior da história do país. Em outros onze anos tivemos déficits maiores do que o de 2013.

    Aliás, é interessante notar que dos quinze anos com maior déficit externo (em transações correntes), nove foram na época da Ditadura Militar (1974, 1982, 1975, 1980, 1979, 1981, 1976, 1983, 1978), logo na sequência dos chamados ‘Choque do Petróleo’ (o primeiro aconteceu em Outubro de 1973, em função da Guerra do Yom Kippur, e o segundo ocorreu em 1979-1980, devido à Guerra Irã-Iraque). 

    E os outros cinco maiores déficits externos ocorreram no governo FHC (1999, 2001, 1998, 2000 e 1997).

    E note-se que em nove anos os déficits externos sempre superaram os 4% do PIB, no mínimo. 

    Assim, tivemos dois anos com déficits externos de 6% do PIB ou mais (1974 e 1982), outros dois anos déficits externos que ultrapassaram os 5% do PIB (1975 e 1980) e cinco anos com déficits externos superiores aos 4% do PIB (1979, 1981, 1999, 2001, 1976). E também tivemos seis anos com déficits superiores a 3,4% do PIB (1998, 2000, 2013, 1983, 1997 e 1978).

    Até o momento, nos governos Lula-Dilma, 2013 foi o único ano em que o déficit externo ficou acima dos 3,4% do PIB. 

    Entre 2003 e 2007 o Brasil teve superávit externo, obtendo os seguintes resultados (em % do PIB):

    2003 – + 0,75%;

    2004 – + 1,76%;

    2005 – + 1,58%;

    2006 – + 1,27%;

    2007 – + 0,11%.

    A partir de 2008 é que voltamos a ter déficits externos, obtendo os resultados abaixo:

    2008 – 1,72%;

    2009 – 1,52%;

    2010 – 2,20%;

    2011 – 2,12%;

    2012 – 2,19%;

    2013 – 3,66%.

    Então, percebe-se que somente em 2013 é que tivemos um déficit externo superior a 3,4% do PIB durante os governos de Lula e Dilma (2003-2013), em um período de onze anos de governo. 

    E em todas as vezes que o Brasil foi atingido por uma crise externa, isso somente aconteceu depois de vários anos consecutivos com déficits em transações correntes superiores a 3,5%, 4% e até 5% ou 6% do PIB.

    Portanto, se alguém espera uma crise das contas externas para breve, pode tirar o cavalo da chuva.

     

    Desde Fevereiro de 2013 o dólar se valorizou 22,4% em relação ao Real, estando cotado atualmente em R$ 2,40.

    Além disso, atualmente o Brasil conta com reservas internacionais líquidas de US$ 376 bilhões, que são equivalentes a 17% do PIB brasileiro, algo que não acontecia nas crises externas de 1982 e de 1998-1999.

    E não podemos esquecer que, nos próximos anos, a produção e exportação do petróleo do pré-sal irá elevar significativamente as exportações brasileiras, o que irá contribuir para reduzir tal déficit. E as previsões para a economia mundial apontam para uma retomada do crescimento econômico nos países ricos (EUA e UE), o que irá contribuir, é claro, para o aumento das exportações brasileiras. 

    Além do mais, a desvalorização do Real que tivemos desde a posse de Dilma, em 2011, foi significativa. Quando tomou posse, em 01/01/2011, o dólar estava cotado a R$ 1,66 e agora o mesmo se encontra no patamar de R$ 2,40. 

    Assim, o dólar valorizou 44,6% em relação à moeda brasileira nos últimos três anos de governo Dilma. 

    E sempre que isso acontece (ou seja, que a moeda nacional é desvalorizada), as exportações brasileiras aumentam (pois os produtos brasileiros ficam mais baratos) e as importações diminuem (pois elas ficam mais caras), elevando o superávit comercial, o que contribui para reduzir o déficit externo.

    Portanto, a manchete da ‘Folha’, sobre o déficit externo brasileiro de 2013, é totalmente mentirosa. O déficit do ano passado em transações correntes foi bem maior do que o dos anos anteriores, mas ficou bem longe de ser o maior da história do país. 

    Mas para quem disse, como a ‘Folha’ fez, que as vendas de Natal de 2013 foram ‘as piores em 11 anos’, mesmo tendo crescido 5% nas lojas físicas e aumentado outros 41% pela Internet, isso não deve ser nenhum problema, não é mesmo?

    ‘Folha’ – Não dá para não deixar de ler.

    Links:

    http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/01/1402235-rombo-nas-contas-externas-alcanca-us-814-bi-e-bate-recorde.shtml

    http://www.ipeadata.gov.br/

     

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