21 de maio de 2026

Desafio das contas públicas: O que espera o governo Lula em 2026

Entre o ano eleitoral e a meta de superávit, equipe econômica busca alternativas para compensar derrotas no Congresso e equilibrar orçamento
Brasil precisa se desenvolver, mas a sanha pelo déficit zero impede. O mesmo Congresso que bloqueia o aumento de receitas “exige” que governo corte gastos e se volte contra sua base. Se não mudar de rumo, governo continuará refém da Faria Lima
Foto: Getty Images

Presidente Lula enfrenta desafios fiscais e políticos em 2026, ano eleitoral, com meta de superávit primário de 0,25% do PIB.
Governo sofre derrotas no Congresso, como queda da MP 1303/2025, dificultando arrecadação e forçando manobras legislativas.
TCU alerta para riscos fiscais e exige rigor maior a partir de 2026, enquanto Ministério da Fazenda destaca melhora fiscal e indicadores sociais.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O ano de 2026 se apresenta como um período de grandes provações para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além das pressões naturais de um ano eleitoral e da busca pela reeleição, o governo precisará lidar com uma situação fiscal complexa.

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A principal preocupação da equipe econômica, liderada pelo ministro Fernando Haddad, é garantir o equilíbrio das contas públicas em um cenário onde as vitórias no Legislativo têm sido difíceis e as despesas obrigatórias seguem em crescimento.

A meta estipulada para 2026 é de um superávit primário (o resultado positivo entre o que o governo arrecada e o que gasta, desconsiderando os juros da dívida), de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Em valores nominais, isso representa cerca de R$ 34 bilhões.

Embora exista uma margem de tolerância que permite considerar a meta cumprida mesmo com um “déficit zero”, a missão é vista como desafiadora pela própria ministra do Planejamento, Simone Tebet. Para alcançar esse objetivo, o governo precisa que suas medidas de arrecadação funcionem plenamente, o que nem sempre tem ocorrido.

O impasse entre o Governo e o Congresso

A atual fragilidade nas contas decorre, em grande parte, de estratégias orçamentárias que não se concretizaram como o esperado. Em 2025, o governo enviou o Orçamento prevendo receitas de medidas que ainda tramitavam no Congresso Nacional.

Entre os principais obstáculos esteve o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) via decreto. Após forte pressão dos parlamentares e uma queda de braço que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), o governo sofreu derrotas políticas que comprometeram a previsão de arrecadação.

Para tentar contornar a perda, o Executivo editou a Medida Provisória 1303/2025, que buscava arrecadar R$ 30 bilhões através da taxação de apostas esportivas (bets), fintechs e revisões em benefícios sociais. No entanto, o Congresso deixou a MP “caducar” — ou seja, ela perdeu a validade sem ser votada.

Com a queda dessa medida, o governo iniciou uma corrida contra o tempo para encontrar novas fontes de receita, utilizando-se de manobras como o “jabuti” (inserção de temas em projetos diferentes) para aprovar a revisão de cadastros de benefícios e a taxação das bets. Atualmente, a principal aposta de Haddad é um projeto de lei que limita benefícios fiscais, com potencial de arrecadar R$ 20 bilhões.

Riscos estruturais e o alerta do TCU

Além das dificuldades políticas, o governo enfrenta o crescimento das chamadas despesas obrigatórias. Por ter um perfil expansionista, o governo Lula estimula o crescimento econômico, mas isso faz com que gastos atrelados ao PIB, como Saúde e Educação, aumentem automaticamente. Isso reduz o espaço para investimentos e outras despesas discricionárias. Especialistas também alertam para o déficit persistente da Previdência Social, agravado pelo subfinanciamento das aposentadorias rurais e das contribuições de Microempreendedores Individuais (MEI).

Esse cenário levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a emitir um alerta. A Corte de contas criticou a tendência do governo de mirar no “piso” da meta (o resultado mínimo aceitável) em vez do centro da meta (o superávit real).

De acordo com o portal Metrópoles, embora o governo tenha conseguido autorização legislativa para trabalhar com essa margem de tolerância, o TCU reforçou que passará a cobrar maior rigor fiscal a partir de 2026 para garantir o cumprimento do arcabouço fiscal criado pela própria equipe econômica.

A defesa da equipe econômica

Em resposta às críticas, o Ministério da Fazenda mantém uma postura otimista e destaca que o déficit primário acumulado é 70% menor que o da gestão anterior (governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro).

O ministério argumenta que o grande vilão do déficit nominal hoje não é o gasto público direto, mas sim o pagamento de juros da dívida, influenciado pela taxa Selic em patamares elevados.

A Fazenda ainda reforça que o governo conseguirá entregar o superávit em 2026 aliando a melhora fiscal a indicadores sociais positivos.

A nota oficial do ministério ressalta que a gestão deve ser concluída com baixa inflação, queda no desemprego e aumento real da renda da população, fatores que o governo acredita que compensarão o cenário fiscal apertado e pavimentarão o caminho para a estabilidade econômica.

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Milleny Ferreira

Milleny Ferreira é estudante de jornalismo, repórter no Jornal GGN e produtora na TV GGN.

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