Desigualdade salarial no Brasil caiu 20%, diz Ipea

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Levantamento considera período entre 2007 e 2019 e engloba valores recebidos pelos trabalhadores no mercado formal de trabalho

Foto de Glenn Carstens-Peters na Unsplash

A desigualdade salarial no mercado formal de trabalho caiu 20% entre os anos de 2007 e 2019, segundo levantamento elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Dados do Ipea até o fim do segundo trimestre de 2023 mostram que a taxa de desemprego continua em queda, chegando a 8% do mercado de trabalho nacional – com 8,6 milhões de pessoas em situação de desemprego involuntário.

Apesar da redução de 1,3 ponto em relação a 2022, a queda do desemprego foi vista de forma desigual em diferentes segmentos sociais.

Entre as mulheres, o desemprego registrado no segundo trimestre de 2023 foi de 9,6%, e entre negros, pardos e indígenas foi de 9,5%. Segundo o Ipea, cada ponto percentual nesta estatística corresponde a aproximadamente 1.075.570 de pessoas.

Decomposição

De acordo com o estudo, parte dos indicadores usados separam as contribuições de três fontes da desigualdade salarial: i) a que ocorre dentro das firmas; ii) a que advém da dispersão salarial entre firmas de um mesmo setor; e iii) a que está associada com diferenças de salários entre os setores.

“Os resultados mostram que houve queda de cerca de 20% na variância do logaritmo dos salários no setor formal brasileiro entre os triênios de 2007-2009 e 2017-2019, e que todos os três componentes experimentaram reduções no período”, diz o estudo.

“Distintamente do que vem ocorrendo em vários países desenvolvidos, a desigualdade salarial no Brasil vem se reduzindo de forma sistemática e significativa no horizonte temporal das últimas décadas. Esse processo é particularmente notável no setor formal do país, que experimentou quedas expressivas em diversos indicadores de desigualdade salarial nesse período”, pontua o texto de conjuntura.

Desta forma, a pesquisa revela que o mercado de trabalho formal “vem se tornando mais homogêneo em termos de rendimento, com a dispersão salarial caindo não só no interior das firmas como também entre as firmas (de um mesmo setor) e entre os setores de atividade”.

“Os resultados da decomposição mostram que os três componentes considerados explicam de forma bastante balanceada (cerca de um terço cada um) a queda na desigualdade verificada no período analisado”, afirma o estudo.

Segundo o documento, uma análise da aproximação dos salários mais altos dentro do mercado forma exige uma análise mais aprofundada, com foco no componente da desigualdade entre os setores, sendo capaz de computar as contribuições individuais por setor de atividade, inclusive decompondo as contribuições das variações salariais e dos pesos de cada setor em termos de emprego.

“Os resultados mostram que menos de 10% dos setores (especificamente, 22 setores em 280) explicam aproximadamente 85% da queda desse componente entre os triênios analisados. Nesse grupo de setores, a maior parte (quatorze) é formada por aqueles que pagam maiores remunerações”, aponta o texto.

“Os resultados também revelam que, em comparação com o emprego, são as variações remuneratórias entre esses setores que explicam a maior parte (mais de 90%) das suas contribuições. Tais resultados evidenciam, portanto, uma considerável aproximação dos salários médios pagos nesses setores (relativamente à média geral) no período investigado, o que ajudou a tornar o mercado de trabalho formal mais homogêneo nessas últimas décadas”, aponta o documento.

O estudo tem como base decomposições realizadas pelos pesquisadores Pedro Souza, Fabio Maciel e Miguel Foguel a partir de componentes intrafirma, entre firmas e entre setores. Confira abaixo a íntegra do material do Ipea.

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Tatiane Correia

Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.

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