19 de junho de 2026

TVGGN: Elevação da Selic é uma tentativa do BC em criar uma recessão de laboratório

"Daqui a pouco, a economia vai estar tão fraca, mas tão fraca, que não vai se persistir mais a necessidade de um juros tão elevado", ironizou o economista André Perfeito
Crédito: Reprodução/ TVGGN

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) aumentou, pela sexta vez seguida, a taxa básica de juros, desta vez em 0,5 ponto percentual. 

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Para comentar os efeitos da Selic a 14,75% e as justificativas que levaram o comitê a tomar tal decisão, o jornalista Luis Nassif recebeu o economista André Perfeito no programa TVGGN 20H da última quarta-feira (7). 

Na avaliação de Perfeito, o BC está trabalhando com um espaço de atuação bastante restringido, que se caracteriza pela pressão bastante significativa do grupo de Serviços, área que tem sido objeto de altas mais persistentes, acima até mesmo da meta de inflação. 

“Quando se trata de Serviços, é sempre bom lembrar que Serviços é o primo-irmão da taxa de desemprego, porque estamos falando de mão de obra e mão de obra é determinado o custo pelo nível de desemprego”, explicou o economista.

Enquanto a taxa de desemprego ficou em 7% no primeiro trimestre, que é a menor já registrada no período desde 2012 e o rendimento real da população está em ascensão, o custo de mão de obra continua pressionado. 

“O que o BC está falando e tentando, de forma bastante recorrente, persistente, é desacelerar a economia de tal sorte que você consiga ter efeitos no mercado de trabalho”, continua o entrevistado. “O que o BC não vai admitir nem sob tortura, porque não é nem o trabalho deles de falar desse jeito o que vou falar agora, mas o que ele quer criar é uma recessão de laboratório”, emenda o entrevistado.

Efeitos

A grande questão é que a decisão em aumentar, novamente, a taxa básica de juros causa um “constrangimento ao orçamento público”, uma vez que os juros estão estratosféricos, enquanto o orçamento de empresas e famílias implode.  

“Isso é um drama que ainda não foi bem precificado pelo mercado. Acho que o PIB [Produto Interno Bruto] pode ser menor por conta de um problema de alavancagem. A dívida das famílias está em um patamar elevadíssimo, em uma taxa de juro real de 7%. Isso começa a gerar um problema sério”, continua André Perfeito. 

De acordo com o economista, os efeitos da alta da Selic ficarão claros neste e no próximo trimestre. No entanto, na reunião de junho, o Copom demonstrou a intenção de manter a taxa em 14,75%. 

“De fato, o BC coloca de uma fala bastante técnica e ortodoxa de que a gente está acima, trabalhando no hiato positivo, que o PIB brasileiro está trabalhando acima do potencial. Por que ele está falando isso? Porque o nível de crescimento econômico que a gente tem hoje em dia está entregando inflação”, aponta o entrevistado. 

“Hoje em dia a notícia ruim é de que está bom, né? O fato de a economia estar crescendo e o desemprego estar baixo gera uma taxa Selic alta. Daqui a pouco, a notícia boa é que vai estar ruim. A economia vai estar tão fraca, mas tão fraca, que não vai se persistir mais a necessidade de um juros tão elevado”, aposta André Perfeito.

Por fim, o economista ressaltou que este jogo de política monetária do Banco Central já mostrou limites, mas lamentou que o mercado não esteja discutindo alternativas mais sofisticadas e urgentes. 

Confira a entrevista na íntegra:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. marcio gaúcho

    8 de maio de 2025 9:42 am

    O baixo crescimento do país é culpa do governo ou do Banco Central? Juro alto é remédio ruim para o paciente, os tomadores de empréstimos, e muito bom para os banqueiros, os que dão as cartas. Para manter o controle do poder político, nada como manter a taxa de juros sob controle férreo da banca financeira. Adeus governos, temos bancos. Essa é a nova realidade a nível mundial.

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