
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou nesta quinta-feira a finalização de um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões com o Banco Central da Argentina.
De acordo com informações da Bloomberg, o Tesouro norte-americano começou a realizar compras diretas de pesos argentinos, e Bessent destacou estar “preparado para tomar quaisquer medidas excepcionais necessárias para fornecer estabilidade aos mercados”.
Desvalorização Controlada e Recuperação dos Títulos
Pela primeira vez na semana, o governo argentino permitiu a desvalorização do peso, que abriu em queda de 2,7% a 1.469 por dólar e fechou com baixa de 0,8%. A medida alivia pressões sobre o mercado local, que vinham disparando os rendimentos dos títulos públicos.
Antes da intervenção norte-americana, o Banco Central da Argentina queimou US$ 1,1 bilhão de reservas em setembro, enquanto o Tesouro vendeu US$ 1,8 bilhão nas últimas sete sessões para defender o peso.
Pelos termos do acordo com o FMI, o BC só pode voltar a intervir se o peso ultrapassar as bandas cambiais estabelecidas no programa.
Crise Política Agrava Cenário Econômico
A situação econômica em torno do peso piorou após a derrota eleitoral do partido do presidente Javier Milei na eleição distrital de Buenos Aires no começo de setembro, refletindo descontentamento com a economia e escândalos envolvendo aliados do presidente.
A eleição distrital em Buenos Aires é considerada um termômetro importante para as eleições legislativas de meio de mandato na Argentina, programadas para o próximo dia 26 de outubro.
O acordo anunciado pelos EUA testa a aposta de Milei na aproximação com Washington como saída para a crise – mas não se sabe se os US$ 20 bilhões serão suficientes para estabilizar a economia e recuperar a confiança dos investidores.
Rui Ribeiro
10 de outubro de 2025 7:52 amSocorrer a Argentina? Como assim, Cara Pálida? O Milei não estava de vento em popa com a sua moto-serra? O Grande administrador vivendo de esmolas?
Antonio Uchoa Neto
10 de outubro de 2025 5:13 pmSocorrer, na verdade, os detentores de títulos da dívida argentina (dos quais, desconfio eu, boa parte são investidores americanos), já que um calote já se avizinhava. Em outras palavras, a Argentina vai usar esse “socorro” para honrar a dívida, os detentores dos títulos serão pagos, na verdade, pelo Tesouro americano (ou seja, por eles mesmos), e a Argentina vai somar mais alguns millones (pronuncia-se ‘mijones’) ao seu estoque de dívida, até a próxima crise. Bancos não querem que seus devedores paguem suas dívidas; querem rolá-las, para delas extrair o único valor por elas criado: os juros. Essa operação equivale a essa rolagem de dívidas, que os bancos fazem quase que cotidianamente com seus desgraçados – digo, devedores – pessoas físicas, jurídicas, etc., e quantas mais pessoas houver nesse mundo.
Dinheiro é coisa de pobre, é unidade de conta. A moeda dos ricos – e países ricos, também – são os juros.
Lênin and The Ulianovs
10 de outubro de 2025 7:04 pmJá era…vai evaporar em 5 min.