As famílias brasileiras têm adotado o sistema de rodízio de contas e contenção de despesas para conseguir equilibrar o orçamento.
Análise divulgada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a startup MFM TI mostra que, nos últimos 12 meses, 60% das famílias endividadas acabaram atrasando alguma conta para o pagamento de outra despesa mais urgente.
O estudo em questão ouviu 1.020 homens e mulheres no país entre os dias 19 e 28 de setembro.
Dentre os entrevistados, 56% possuem dívidas em aberto com cartão de crédito, seguidos de empréstimos e financiamentos com bancos e financeiras (40%), cheque especial (21%), água e luz (20%), telefone celular (16%) e internet e TV a cabo (14%).
A perda de emprego e falta de planejamento do orçamento familiar foram citados por 60% dos entrevistados como fatores para atraso nos pagamentos.
Enquanto isso, pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra que 79,2% das famílias entrevistadas no mês de outubro relataram ter dívidas a vencer, queda de 0,1 ponto percentual após três altas consecutivas. Em um ano, a proporção de endividados avançou 4,6 pontos percentuais, a menor taxa anual desde julho de 2021.
A redução do endividamento em outubro foi acompanhada de novo aumento da proporção de famílias com contas atrasadas, que saltou de 30% para 30,3%. Em um ano, a alta de 4,6 pontos percentuais no indicador foi a maior desde março de 2016.
Com informações do jornal O Globo
Leia Também
Alimentação volta a pressionar o IPCA, por Luis Nassif
Bolsa Família será blindado contra teto de gastos
Inflação volta a subir após três meses de queda
Alta da cesta básica é generalizada e alimentos ficam mais caros em 12 capitais
José Carvalho
17 de novembro de 2022 12:25 pmA dificuldade das famílias de honrar em dia o pagamento de dívidas com cartão de crédito; contas mensais de água, luz e telefonia revela o quanto faz mal ao País esse congelamento da expansão da renda geral. O fato de se revezar qual das contas vai ser adiada até que se volte a compor um nível de receita suficiente para colocar em dia essas dívidas, dá uma dimensão da falta de horizonte a que todos estão submetidos. Isso traz uma espécie de efeito de contágio, uma coisa engessando outra. Fica muito difícil olhar num prazo mais longo e projetar obter uma mudança de vida, alterando o próprio quadro. Esse tipo de levantamento é feito com pessoas/famílias que possuem atividades, funções e renda. Não se trata apenas de ter ou não dívidas em atraso, mas das perspectivas e expectativas em relação a si mesmo e também ao País na sua capacidade de mobilidade social. Do País e sua população se desenvolver econômica e socialmente, de mudar o próprio status. Queira ou não a economia é como a composição de um trem; uma parte puxando a outra, em uma ou em outra direção.