3 de setembro de 2026

Fed divide-se sobre alta de juros em setembro enquanto mercado aguarda inflação e emprego

Parte dos dirigentes questiona necessidade de aperto monetário, enquanto Kevin Warsh sinaliza que Fed pode elevar taxas para conter inflação
Sede do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA. Foto: Federal Reserve Board.

Fed sinaliza que não há evidências suficientes para alta dos juros na reunião de setembro, diz John Williams e Christopher Waller.
Mercado passa a precificar empate entre manutenção e alta dos juros após declarações cautelosas dos dirigentes do Fed.
Decisão do Fed ocorre em meio a divisão interna e espera por dados de inflação e emprego antes da reunião em 16 de setembro.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A possibilidade de uma nova alta dos juros pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, perdeu força nos mercados nesta quinta-feira (3), depois que dois de seus principais dirigentes sinalizaram que ainda não há evidências suficientes para justificar um novo aperto monetário na reunião de setembro.

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A mudança ocorre poucos dias depois de o presidente do Fed, Kevin Warsh, indicar que o banco central precisaria agir caso não tivesse confiança de que a inflação subjacente está convergindo para a meta de forma suficientemente rápida.

Agora, o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, e o governador do Fed Christopher Waller adotaram uma posição mais cautelosa. As declarações deixaram a decisão sobre os juros praticamente em aberto, às vésperas da divulgação de novos dados de inflação e emprego que serão considerados na reunião marcada para 16 de setembro.

O mercado, que na quarta-feira (2) dava vantagem à possibilidade de aumento dos juros, passou a precificar uma disputa praticamente equilibrada entre manutenção e alta da taxa.

Waller pede tempo para avaliar inflação

Em participação em um evento da Reuters nesta quinta-feira, Waller afirmou que os dados de inflação dos dois últimos meses apresentaram melhora. Caso essa tendência continue nos indicadores referentes a agosto, que serão divulgados antes da reunião do Fed, o dirigente afirmou que estaria inclinado a defender a manutenção dos juros no nível atual.

Na quarta-feira (2), John Williams havia adotado uma posição semelhante em entrevista à CNBC. Segundo Williams, ainda é necessário observar os próximos dados para determinar se uma elevação dos juros será necessária.

O dirigente afirmou não haver, neste momento, sinais claros de que a política monetária esteja suficientemente calibrada para garantir que a inflação retorne à meta nos próximos um ou dois anos — mas também não há evidências definitivas de que seja necessário um aperto adicional.

A declaração tem peso adicional porque Williams ocupa a vice-presidência do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), responsável pelas decisões de política monetária do Fed.

As declarações de Waller e Williams contrastam com o tom adotado por Warsh após seu discurso em Jackson Hole. Na ocasião, o presidente do Fed afirmou que o banco central precisa ter confiança de que a inflação subjacente está caminhando para sua meta de maneira clara e em velocidade suficiente. Caso contrário, segundo ele, o Federal Reserve ainda terá “trabalho a fazer”.

A decisão de setembro deverá ocorrer em meio a uma divisão crescente dentro do Federal Reserve. Na reunião realizada no fim de julho, três presidentes de bancos regionais do Fed já haviam discordado da decisão tomada pela maioria e defendido uma elevação dos juros.

A expectativa é que Warsh enfrente resistência interna independentemente do caminho escolhido para setembro.

A disputa atual ocorre em um momento particularmente delicado para a política monetária americana. O Fed precisa equilibrar o risco de manter uma política restritiva por tempo demais, prejudicando atividade e emprego, com o risco de reduzir o aperto prematuramente e permitir que a inflação volte a ganhar força.

As informações são da Axios

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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